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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Apagão cibernético


 

Neiff Satte Alam

     Era uma noite sem Lua, que deveria estar disputando o dia com o Sol no céu do outro lado da Terra. Repentinamente uma chuva de meteoritos inundou o escuro de claridade, estranhamente surgidos de vários pontos aparentemente fixos além da atmosfera.

     Tentei ligar para alguns amigos com a intenção de verificar se tinham visto a mesma coisa, mas não tive sucesso, pois o aparelho celular estava “sem serviço”. Busquei esta comunicação através da Internet, mas também estava “fora do ar”. A televisão que estava ligada até um pouco antes da chuva de meteoritos estava com todos os canais fora do ar, uma tela azul era o máximo que se conseguia.   

     Tudo bem! Vamos ao telefone convencional, mas também não funcionava.

     As rádios ainda estavam no ar e ficou-se sabendo que estes problemas estavam ocorrendo até onde as ondas conseguiam chegar. Nada de Facebook, nada de e-mail ou qualquer outra fonte de comunicação pela Internet.

     O ciberespaço tinha simplesmente apagado! A chuva de meteoritos era nada mais nada menos do que satélites de comunicação e todos os demais explodindo em cadeia.

     Até o dia seguinte, com apenas notícias das rádios locais e por informações de pessoas que se deslocaram para nossa cidade, ficamos a deriva das informações tão costumeiras e que já faziam parte do nosso cotidiano.

     O mundo estava desconectado; uma desplanetarização tomou conta de nosso pequeno universo planetário; por vários dias, a comunicação era limitada ao nosso pequeno pedaço de terra, mesmo as rádios começaram a falhar; os jornais circulavam com notícias locais; o sistema financeiro entrou em colapso, sem a possibilidade de operações on line ninguém podia acessar contas, pagar, receber, transferir dinheiro e que mais se tentasse fazer.

     As atividades do crime organizado dentro dos presídios cessaram, pois, sem celulares operantes, não mais tinham comunicação com os parceiros de fora e os incêndios de ônibus, ataque a órgãos públicos e outras bandidagens também cessaram.

     A partir daquele dia, não ouvimos mais a “Voz do Brasil”, não ficamos sabendo se o Bruno havia sido condenado, ignorávamos  o resultado final do julgamento do Mensalão, não tínhamos nenhuma notícia da guerra entre israelenses e palestinos e ficamos sem ver o último capítulo da novela das 8h...

     Foram retirados os telégrafos do Museu Ferroviário e alguns telegrafistas de suas aposentadorias, algumas redes telegráficas começaram a ser construídas.

     O caos estava instalado e o mundo enfrentava uma crise sem precedentes ... um novo estouro e mais um clarão e eu ... acordei do pesadelo, relâmpagos enfeitavam a noite, uma chuva rápida estava amainando e rapidamente as nuvens desapareceram e um céu sem lua permitia que se visse com mais nitidez as estrelas.

     Felizmente tudo aquilo não passou de um pesadelo. Fiquei, então, contemplando o céu estrelado, neste momento ... uma chuva de meteoritos ... agora estava acordado! 

      

 

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

segunda-feira, 29 de outubro de 2012


                             RETRATO DA ESPERENÇA

RETRATO DA ESPERANÇA


Neiff Satte Alam

     Estava percorrendo um dos bairros mais pobres de Pelotas, acompanhando meu candidato a Prefeito em uma de suas inúmeras caminhadas para estabelecer um contato olho no olho com os moradores.

     Um caminhão de som nos acompanhava, muitas pessoas falando, aplaudindo, manifestando-se de alguma forma. Em um momento me afastei um pouco e deparei-me com uma cena que ficará sempre guardada em minha memória e estará sempre presente em todas as decisões políticas que tiver que tomar daqui para frente.

     A poucos metros, sob a sombra de uma árvore, um homem, seguramente com menos idade do que aparentava, tinha ao colo uma menina e segurava pela mão um menino com pouco mais de três anos. Sua mulher balançava a bandeira de campanha do EDUARDO. O sorriso estampado no rosto de ambos, marido e mulher, era o retrato da esperança.

     Depositava aquele casal toda a confiança e esperança em dias melhores no jovem candidato. Com certeza, o slogan de campanha que remetia para a ideia de que as pessoas seriam a prioridade e cuidar delas do jeito que são, seria o centro das políticas públicas, estava dando ao casal uma luz de esperança, principalmente para seus filhos, assim como eles, carentes de um governo voltado para as pessoas.

     Com certeza não fui o único a ver aquela família em  sua isolada campanha, não apenas para eleger um prefeito, mas por alguém que falasse a agisse por eles, que desse a seus filhos a chance de percorrerem uma estrada que os levasse ao futuro com dignidade e que não enfrentassem esta caminhada sem chance de vencer as agruras e dificuldades enfrentadas por seus pais.

     Aquela imagem, que foi se repetindo por todos os lados, em várias visitas aos bairros, fez-me refletir mais e mais na responsabilidade enorme do futuro prefeito e ter a certeza de que somente alguém com personalidade, formação ética e um caráter firmemente forjado dentro de seu reduto familiar, poderia dar oportunidade àquelas pessoas que, na mais absoluta pobreza, tinha ânimo para participar deste tão importante momento político.

     Energizado pela cena, retomei a caminhada com um olhar diferente, mais decidido e com enorme respeito por aquela dupla de jovens – EDUARDO E PAULA, que se atirava com força e determinação em uma campanha política com vontade para mudar este quadro de desamparo e de dor que vi nos olhos do homem, da mulher e das crianças...

    

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Luz, mais luz ...


Neiff Satte Alam

 

Havia um silêncio, uma calma matinal que precede o nascer do sol. A floresta parecia sem vida, como se fosse uma tela renascentista a espelhar o profundo sem decifrar o visível.

Neste ambiente semiclaro, molhado de orvalho, surge o primeiro raio de sol. A vida parece explodir em sons, cores e movimentos. O verde parece mais verde. A sonoridade do canto dos pássaros disputa beleza com os reflexos multicoloridos de raios de luz que se projetam sobre e através de gotículas do orvalho que, frio, aquece o cenário. A vida nasce de dentro da floresta que a possuía latente, mas necessitou da luz para mostrar-se em toda a sua beleza e abundância.

Este é o limite entre o “não saber” e o saber, entre a mera informação e o conhecimento a partir desta informação, esta é a luz que, sob a ação mágica do professor, dá vida às inteligências que pedem para eclodir, anseiam por aprender e crescer, desde os pequenos aprendizes até os adultos que com esforço e dedicação buscam, na idade adulta, conhecimento  e inclusão definitiva como cidadãos.

Esta busca de um futuro que permita harmonização e integração com a natureza e com as outras só pode ocorrer através de um sistema em que o educador/professor realize sua tarefa com afinco e competência.

Embora a visão poética de dar luz às trevas do pensamento, representada pela ignorância, a realidade da tarefa é de uma dureza e dificuldades que termina por derrotarem muitos destes combatentes que, cansados, desestimulados ou atraídos por tarefas mais fáceis de serem executadas ou mais rendosas, terminam por abrir lacunas nas fileiras de batalha por uma educação de qualidade.

De qualquer forma, luz, conhecimento e sabedoria terminam por se completar, não por conceitos, mas por uma intuição milenar de que a melhor maneira de se combater a ignorância é iluminando as mentes dando significado a informação aí posta e a transformando em conhecimento. Esta é a tarefa do professor/educador.

A noosfera somente se enriquecerá se a aura de pensamento individual estiver fortalecida, contribuindo, desta maneira com o fortalecimento da esfera universal de pensamentos, pois nossa aura de pensamento sobrevive ao nosso corpo material e permanece viva e produtiva ao se somar a todas as demais, alimentando o mundo de sabedoria, que nos envolve e que precisa ser permanentemente descoberto a cada momento em que um professor põe luz no caminho do saber de seus alunos, iluminando o trajeto difícil que separa o passado do futuro em uma caminhada que não se faz no escuro, pois, neste caso se perderia o rumo e o sentido da vida que é evoluir na busca de realização pessoal para auxiliar os outros nas suas caminhadas...com luz, muita luz ... 

sábado, 22 de setembro de 2012

DE OLIMPO A CERRITO, UM PASSEIO DE CARRETA DE BOIS.


 
Neiff Satte Alam

 

O verão deste ano promete ser muito quente, pois estamos no primeiro dia de janeiro do ano de 1956 e a temperatura já chegou aos 30 graus. Somos um grupo de crianças, seis ao todo e alguns adultos a sombra de um cinamomo, árvore também conhecida como paraíso, aliás, antes de ser vila Olimpo, quando esta localidade foi elevada a Vila, o nome  era Paraíso, mas como já existia uma outra Vila, mais antiga, com este nome, entenderam de denominar de Olimpo, que também seria uma morada dos deuses, embora o anterior nome se devesse ao nome da árvore e nada a ver com o paraíso bíblico.

            Bem, voltando ao grupo à sombra do cinamomo, ou paraíso, como queiram, ali estávamos reunidos aguardando o nosso transporte que tinha sido enviado pelo tio Ito, morador do outro lado do rio Piratini, na Vila Cerrito, e que aguardava-nos, como anualmente acontecia para um churrasco em sua olaria a beira do rio.

            O meio de transporte era uma carreta puxada por dois bois gigantescos aos nossos olhos de crianças, firmemente amarrados a uma canga de madeira grosseira e de construção artesanal..

            Subimos todos fazendo uma enorme algazarra e lentamente, rangendo e balançando, a carreta foi se deslocando em direção ao rio Piratini. Passamos pela Estação Ferroviária onde se lia o nome de Olimpo, mas nem sempre foi assim, antes esta Estação era denominada de Ivo Ribeiro e antes ainda de Piratini. Alguém explicou que nem sempre o nome da Estação coincidia com o nome da Vila. Seguindo o passeio, chegamos ao rio, havia um local onde a passagem era fácil naquela época do ano. Um dos adultos lembrou que antes da ponte este era um dos locais de passagem mais fácil, chamado Passo Maria Gomes e relatou um fato curioso: - “O dono da Sesmaria do lado de Cerrito, Manoel Gomes, morreu afogado quando tentou atravessar este local em época de cheia, pois seu cavalo sucumbiu à força da correnteza e cavalo e cavaleiro, mais todo o dinheiro que levava para comprar as terras onde hoje está Pedro Osório, desapareceu no rio”.

            Em ambas as margens havia uma densa mata ciliar que impedia assoreamento do rio e o mantinha em seu leito. Por entre esta mata e através do rio chegamos à olaria. O tijolo recém feito e ainda não queimado ficava dentro de um enorme galpão, aliás, um bom número destes tijolos eram danificados pelas nossas tropelias  e brincadeiras. Tudo isto sob o olhar bondoso e condescendente do tio Ito.

            Antes do almoço, um suculento churrasco com fogo de chão, íamos todos ao banho no rio e alguns aproveitavam para pescar (naquela época havia peixes em abundância), traíras, jundiás, lambaris e até algum dourado era pescado.

            O resto da tarde era de prosa, brincadeiras e explorações nos matos para colher pitangas e araçás. De bolsos e bonés cheios de frutos, retornávamos à Olimpo. Depois de tanta farra, a noite chegava depois do sono e os sonhos eram enriquecidos com aquele inesquecível contato com a natureza. Natureza que só ficou em nossos sonhos.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Getúlio Dorneles Vargas e o Enigma do Suicídio

 Francisco de Paula Bermúdez Guedes

 
Conforme a teoria instintual, desenvolvida pelo freudismo, a vida se desenrola entre duas polaridades interativas: o instinto de vida (eros), construtivo e o instinto de morte (tanatos), destrutivo.
Getúlio Vargas
Publicado 28/08
Getúlio Dorneles Vargas (1882-!954) foi o maior estadista Latino Americano no século XX e um dos maiores do mundo.
Na qualidade de líder civil da revolução de 1930, que afastou do poder o Presidente Washington Luís e Júlio Prestes, concretizou no Rio Grande do Sul notável feito.
Federalistas (maragatos) e republicanos defrontaram-se em sangrenta guerra civil nos anos de 1893 a 1895. Em 1923 adeptos de Assis Brasil opuseram-se ao ditador Borges de Medeiros, deflagrando nova revolução, com duração de nove meses.
GetúlioVargas, com grande habilidade política, obteve a união de federalistas e republicanos, de asissistas e borgistas, ferrenhos opositores, no esforço revolucionário para depor a República Velha, inaugurando período de grande modernidade, transformando, radicalmente, a vida política e social do Brasil.
Getúlio Vargas permanece no poder, de 1930 até 1945. Em 1934, elaborou-se nova Constituição Republicana, sendo Getúlio Vargas eleito ,pelo Congresso Nacional, Presidente da República, com mandato até 1938.
Em 1937, consolida-se o poder de Getúlio Vargas, sob a égide de Nova Constituição ,inaugurando-se o período conhecido como o Estado Novo. Após o mandato do General Eurico Gaspar Dutra (1946-1951), Getúlio Vargas, em eleições livres, foi eleito Presidente do Brasil, sob o pálio da Constituição de 1946.
Tais dados, apenas descritivos e não analíticos, oferecidos em resumo, são do conhecimento geral.
O que tem provocado intensas especulações é o evento trágico do suicídio de Getúlio Vargas, em 24 de agosto de 1954, com a idade de 72 anos, em pleno vigor físico e intelectual.
Alguns suscitam teorias conspiratórias: Getulio não se suicidara, mas fora vítima de homicídio. Outros levantam a hipótese de ato histórico messiânico: o auto sacrifício em prol do povo, que tanto amara. A famosa Carta Testamento parece apontar neste sentido, segundo muitos. Há os que se indagam sobre a personalidade do “Pai do Povo”, como era denominado Getúlio.
O que é o suicídio?
Karl Menninger ( 1893-1990), notável psicanalista, escreveu obra clássica sobre o suicídio: Man against Himself, O Homem contra si Próprio, onde analisa razões e diferentes formas de suicídio. A conclusão a que se chega da leitura da obra é que o suicida, às vezes, mata algo existente em si e este algo pode ser o sentimento de imenso vazio.
As racionalizações são frequentes e atribuem ao suicídio causas objetivas, como, dificuldades financeiras, desencantos amorosos, decepções etc...Nas escolas, ainda, ensinam, piedosamente, que Santos Dumont, o criador da aviação, suicidara-se pela angústia de ver sua criação, o avião, usado com máquina de guerra. Pouco se atenta para a personalidade interessante, altamente complexa, com laivos de genialidade do brasileiro, considerado o Pai da Aviação.
Em geral, o suicídio é a culminação de fortíssimo estado depressivo, este não percebido, na maioria dos casos, por familiares e pessoas achegadas. Pode que tenha traço genético; não é incomum mais de um suicida na história das famílias. Aliás, o filho de Getúlio Vargas, Manoel (Maneco Vargas), também cometeu suicídio, anos após o do seu pai. Contudo, o traço genético não explica suficientemente as causas profundas do suicídio: um mistério.
O que espanta é a estatística; o percentual de suicidas, numa sociedade, não sofre variações relativas, mantendo-se quase o mesmo. Acentua-se a estatística, em certos países, em determinada classe de pessoas, por exemplo, o suicídio de crianças e adolescentes no Japão.
Conforme a teoria instintual, desenvolvida pelo freudismo, a vida se desenrola entre duas polaridades interativas: o instinto de vida (eros), construtivo e o instinto de morte (tanatos), destrutivo.
Em generalização, sempre perigosa, pode que em algumas pessoas e em certos momentos de suas vidas, o aspecto destrutivo (no caso do suicídio, auto destrutivo) prevaleça.
Há formas reflexas de suicídio, em geral, pouco compreendidas e mesmo refutadas, como a ingestão excessiva de álcool (alcoolismo), direção em alta velocidade, exposição desnecessária a perigos etc... Na criminologia é conhecida a tese da vítima, em busca do seu algoz, como o caso do homem que tenta seduzir a mulher de alguém, reconhecidamente violento, excessivamente ciumento e portador habitual de arma.
Essas breves reflexões parecem baralhar o entendimento radical do que pode levar uma pessoa ao suicídio.
No caso de Getúlio Vargas, o suicídio apresenta-se como um enigma de dificílimo desvendamento. O grande político era homem extremamente solitário; embora comunicativo, nunca deixava revelar o que realmente pensava. Aparentemente feliz, largo e simpático sorriso, amante de bons chistes, cercado de familiares, austero na conduta...
Suas realizações e trajetória política seriam bastantes para que se sentisse plenamente realizado e eternizado na história do Brasil.
Por que, então, o suicídio?
Arrisco algumas hipóteses, mais levado pela estima familiar pelo grande estadista e no intento de conciliar em mim as emoções provocadas pelo evento, revividas em 24 de agosto deste ano. Menino de 13 anos em 24 de agosto de 1954, chegado em casa vi, por vez primeira e única, meu pai chorar, abraçado em mim. Os ancestrais de meu pai eram de São Borja e havia laços fortes de amizade com a família Vargas. Meu pai, nascido em 1896, era da geração em que persistente a consigna gauchesca: homem macho, não chora.
Pode que as grandes ambições do político tenham ficado incompletas, como ocorre, quase sempre, quando altos níveis de aspirações resultam frustrados. Getúlio internalizou o Brasil e a ele dedicou grandes projetos.
Enfrentando a dureza de nova deposição da presidência, fruto de forte campanha difamatória, capitaneada por Carlos Lacerda e outros, viu-se frente à derrocada de seus intentos. Envelhecido, sentindo o isolamento, o homem triste, reservado e solitário pronunciou-se inclemente, levando-o a forte depressão.
Um dos mais dolorosos sentimentos de perdas revela-se no abandono, real ou fantasiado; é possível cogitar que esse sentimento tenha sido vivenciado por Getúlio, nos últimos meses de sua vida.
Pode que a morte auto provocada tenha sido o repto aos que o injuriavam, a única arma que poderia derrotá-los, o desagravo aos que o abandonaram. Assinalam alguns psicólogos que o ato suicida poder ter a finalidade de provocar culpas naqueles que destrataram,perseguiram, traíram ou privaram de amor, em vida, o suicida.
Talvez, psicólogos possuam interpretações mais acuradas do gesto estremo do grande Presidente.
As especulações sobre o suicídio de Getúlio Dorneles Vargas, ainda, persistirão.
Em 24.08.2012, transcorrido 58 anos da morte do estadista, meu pensamento voltou-se a ele. Um aristocrata rural, advogado e político, tomado de autêntico afeto pelo povo e que, com as rédeas do poder, criou um dos momentos de maior modernidade no Brasil, abrindo espaços de realizações e prosperidade para a classe dos despossuídos.
Fonte: Francisco de Paula Bermúdez Guedes

terça-feira, 28 de agosto de 2012

EDUCAR PARA A CIDADANIA PLENA


 
NEIFF SATTE ALAM[*]
O encanto jamais desaparecerá se a capacidade de sonhar do educador prevalecer sobre a amargura e as dificuldades do caminho, pois, pela estrada que nos leva ao horizonte inatingível do conhecimento absoluto, vamos descobrindo outros “eus”, escondidos nos nossos tempos anteriores em que, atemorizados pelo desconhecido, temíamos as novas descobertas. Buscamos, então, o saber – conhecimento do conhecimento. Centrando nossas ações no “pensamento” e,  valorizando o sonho, passamos à ação...


            Pensar, agir, pensar ..., sequência que enriquece o ato de conhecer, estabelece linhas imaginárias sobre o concreto e concretiza a imaginação. Criamos a partir desta premissa, revolvemos a teoria em sintonia com a prática.

            Desde o momento de formação de nosso embrião aprendemos as coisas do mundo real e, gradativamente, vamos conectando este mundo real ao nosso mundo imaginário. Se a tarefa se refere a uma existência, temos um universo de idéias, teorias e hipóteses a nossa disposição, mas se esta tarefa conecta existências de diferentes indivíduos em diferentes épocas, a linha de aprendizagem passa a envolver outros elementos que, detentores de informações que se transmitem de uma geração a outra, irão interferir na aprendizagem individual, dando-lhe sequência, lógica e cumprindo etapas que se comparam as que entendiam existir Piaget e outros.

O educador é o mago que, sem a varinha de condão, faz fluir da mente dos pequeninos a vontade de vencer etapas, trilhar caminhos, ultrapassar abismos de ignorância ignorando os abismos impostos pelos apóstolos da inapetência, do “não querer fazer” e da vontade de não ter vontade.

            Levantando o véu que cobre o desconhecido, o educador, lenta e progressivamente, vai desvendando os mistérios do conhecer, do saber e do criar. Com a humildade de um aprendiz, com a tolerância de um companheiro e com a sabedoria de um mestre, o educador segue semeando os ensinamentos que farão fluir da pedra bruta os cidadãos que serão responsáveis pelos destinos dos povos.

            Felizes são os povos que têm educadores respeitados pelos seus dirigentes, amados pelos cidadãos livres e de bons princípios, pois estes terão dignidade de caminhar sobre as estradas que, obscuras, vão se iluminando com sua passagem.

            Todos nós educadores que desvendamos os mistérios da sabedoria para crianças, jovens e adultos somos uma peça na construção de homens que anseiam por liberdade, que conheçam seus limites, que tenham a compreensão da natureza humana para poderem entender a si próprios e, erguendo sua auto-estima, sejam felizes e façam a felicidade de seus semelhantes.

            A paz, que é o anseio de todo o mundo quando estamos envolvidos em uma guerra planetária onde são usadas armas de destruição em massa, como a fome, o desemprego e as doenças, só poderá ser conseguida quando as mãos dos educadores estiver sem as amarras de interesses mesquinhos dos que detém o poder, quando a palavra dita pelos mestres do aprender não for sufocada pelos ruídos da intolerância e da incompreensão e, principalmente, quando a liberdade não for apenas uma palavra, mas uma realidade.
            Educador, mestre, professor, dedica-te a um momento de reflexão da importância que tens para com a universalização da paz, da cidadania plen


[*] PROFESSOR UNIVERSITÁRIO APOSENTADO DA UFPEL

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A FORÇA DAS IDEIAS


 
Neiff Satte Alam

 

“...As ideias e, mais amplamente as coisas do espírito, nascem dos próprios espíritos, em condições socioculturais que determinam as suas características e as suas formas, como produtos e instrumentos do conhecimento”.

Edgar Morin,O Método 4, p.131

 

 

As grandes ideias, nascidas do cérebro privilegiado de grandes filósofos e pensadores, de nada valeriam se não fossem colocadas em prática. Os governantes, quando políticos responsáveis e coerentes, deverão se valer destes intelectuais, pois deverá sempre haver um conhecimento solidamente construído para que se desenvolvam políticas adequadas aos anseios do povo. Posicionamentos como o de que “...a finalidade de nossa escola ensinar a repensar o pensamento, a ‘des-saber’ o sabido e a duvidar de sua própria dúvida; esta é a única maneira de começar a acreditar em alguma coisa”, de Juan de Mairena, pode, ser a força motriz para que se trilhe caminhos seguros de liberdade e democracia, por consequência.

 

     Nossos estudantes só aprenderão se não acumularem informações sem a necessária compreensão e se colocarmos em seus cérebros a semente da incerteza e do aprender pelos erros e dúvidas e não pela conveniência de regras dogmáticas como se tudo fossem axiomas, prontos para o consumo e sem discussão ou contestação: “mais vale uma cabeça bem feita do que uma cabeça cheia”, disse Montaigne quando o Brasil estava sendo descoberto, no início do século XVI.

 

     Quais nossas necessidades no mundo das relações entre as ideias e os fatos? Talvez em um primeiro momento seja o de valorizar a educação como prioridade das prioridades e fornecer condições de acesso a uma educação qualificada para todas as pessoas, indistintamente e sem ignorar a frase de E. Morin: “ as ideias são mais teimosas e os fatos quebram-se contra elas com mais freqüência do que elas se quebram contra eles”.

 

     Ai estão algumas idéias que poderão romper com práticas antiquadas e que não consideram importante democratizar o conhecimento, disponibilizar uma educação em que a construção do conhecimento seja viabilizada e que se permita, então, formar homens e mulheres em condições de enfrentar as adversidades e desigualdades impostas pela vida.

 

     Romper com tudo isto que emperra o desenvolvimento através de uma revolução na educação precedida de uma revolução do pensamento, vencendo a barreira da linearidade que vem se impondo por séculos; qualificar os profissionais da educação, dando-lhes condições dignas de vida; disponibilizar recursos em quantidade e qualidade suficientes e que cheguem até as escolas; criar políticas públicas centradas no homem e no conhecimento; cuidar muito especialmente das crianças, cujos cérebros são os portadores de uma enorme capacidade de imaginação e criatividade, são os caminhos seguros para que as idéias sejam a força motriz do desenvolvimento da espécie humana em um planeta mais seguro e renovado.

 

 

 

domingo, 19 de agosto de 2012

ISTO NÃO É COINCIDÊNCIA, É PREMONIÇÃO......

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Desutilidades



Neiff Satte Alam

Dia destes, observando a minha auxiliar para trabalhos domésticos tirar o pó de uma estante de livros com um interessante espanador de penas, percebi que o que estava acontecendo era simplesmente uma mudança de lugar do pó, isto é, o espanador trocava o pó de lugar, menos, é claro, o pó que se encontrava embaixo dos livros e de alguns outros objetos, entre os quais algumas pequenas toalhas rendadas, pois, ao retirá-las da prateleira, verifiquei que a marca da renda estava impressa na madeira!

Realmente existem muitas “desutilidades” domésticas. Por vezes encontramos nas gavetas da cozinha alguns objetos comprados de camelôs que faziam maravilhas com descascadores de batata, cenoura, laranja e tudo o mais que se come sem casca, mas, em casa nunca funcionam. Faca de dois gumes, então, servem para cortar os dedos das cozinheiras; e os abridores de latas cheios de engrenagens e outras “parafusetas” que dormem permanentemente no fundo das gavetas e passamos a utilizar os tradicionais, simples e funcionais? Estas coisas todas não superam as armadilhas dos brinquedos eletrônicos da Coréia ou da China, quando funcionam têm vida curtíssima, pois as pilhas comuns não servem, as conexões são encerradas em compartimentos colados e inacessíveis, finalmente “jazem” e em algum armário, assim como DVDs piratas do tipo “usa uma vez e põe fora” (quando se consegue ver o filme todo).

A lista poderia ser aumentada cem vezes, bastaria que fizéssemos uma breve concentração. Entrariam neste rol, sem muito esforço, projetos de recuperação da Educação Básica, de recuperação salarial dos aposentados, CPIs para investigar irregularidades de lá e daqui, enfim uma gama enorme de ações que se constituem em “desutilidades”, não por serem desnecessárias, mas por serem formas disfarçadas de fazer de conta que os parlamentares, em sua maioria, estão trabalhando para atender as demandas sociais.



Entre as “desutilidades” mais marcantes no campo da política brasileira estão os coronéis nortistas e nordestinos comandando o Senado. Qual a utilidade, por exemplo, de um Sarney ou de um Collor? Fora as discussões de beleza e de apoio mútuo, o que mais fazem ou fizeram pelos eleitores?

O pior é que não dá nem para espanar, pois se o fizermos estaremos mudando de lugar esta poeira parlamentar. Dizem que utilizaram um enorme espanador de penas de ema para tirar o Sarney do Maranhão, mas, da mesma forma que o pó do meu escritório, mudou de lugar: foi parar no ...  Amapá !

domingo, 5 de agosto de 2012


                Eduardo Leite, candidato a Prefeito de Pelotas, respaldado por coligação de nove Partidos, junto com seus pais em almoço de abertur da campanha – em 05 de agosto de 2012



                                                     PELOTAS DE CARA NOVA

domingo, 29 de julho de 2012

Um passeio pelo parque

Neiff Satte Alam

         “Que formidável determinismo pesa sobre o conhecimento! Ele nos impõe o que se precisa conhecer, como se deve conhecer, o que não se pode conhecer. Comanda, proíbe, traça rumos, estabelece os limites, ergue cercas de arame farpado e conduz-nos ao pondo onde devemos ir.” (Edgar Morin, O Método 4)

     Imprinting cultural (este termo surge como proposta de  Konrad Lorenz, “marca incontornável imposta pelas primeiras experiências do jovem animal, como o passarinho que, ao sair do ovo, segue como se fosse sua mãe, o primeiro ser vivo ao seu alcance”.) e conformismo a visão cultural que ocorre em todas classes sociais e muito evidente nas esferas intelectuais e universitárias. Libertar-se deste processo de estagnação e “que nos faz desconsiderar tudo aquilo que não concorde com nossas crenças, e o recalque eliminatório , que nos faz recusar toda informação inadequada à nossas convicções, ou toda objeção vinda de fonte considerada má”, é o desfio dos que percebem através de uma janela não linear de pensamento, pois, em muitos casos, a linearidade imposta por uma visão determinista pode ocasionar um freio na expansão cultural e uma aceleração na frente conservadora, permitam-me o paradoxo, retardando as necessárias mudanças culturais. Como disse Feyerabend, citado por Morin, “ a aparência da verdade absoluta nada é mais do que o resultado de um conformismo absoluto”.

     A inconformidade, a recusa de seguir o imprinting cultural, a necessidade de buscar alternativas que não estão previstas, mas podem constituir novos caminhos, diferentes do que estava determinado, deverá se constituir em uma possibilidade de criação de novos ângulos culturais, sem que se necessite negar a existência ou importância das culturas ou manifestações culturais existentes, muito menos ignorar os sincretismos que evoluem para novas manifestações culturais, até mesmo na fixação de novas culturas.

     A mobilidade das ideias é um importante fator de compreensão da visão não linear, que nos impõe compreender que toda a evolução cultural parte de culturas anteriores, representadas das mais diferentes formas, muitas vezes abafadas pelas novas culturas, que não as desconhece ( pelo menos deveria ser assim), mas as coloca em patamares de difícil acesso às pessoas que não se dedicam ao estudo destas.

     Colocar-se, por exemplo, em frente a um prédio neoclássico, de valor histórico/cultural um pequeno prédio de um estilo eclético (neste caso uma mistura de estilo e matérias de construção)fere a visão cultural ou o imprintig cultural? Colocar-se em frente a um prédio de estilo eclético um elemento arquitetônico de estilo neoclássico, fere a visão cultural ou o imprinting cultural? Por outro lado, fazer um monumento em forma de um monolito negro, sem estilo definido, mas em “homenagem à Bíblia”, não fere o imprinting cultural? Estas discrepâncias de pensamento não seriam de certa forma uma busca da verdade absoluta que, se tivessem prevalecido em outros momentos históricos, não teríamos toda esta riqueza cultural arquitetônica que alimenta nossas ideias contemporâneas?
     Foram estas idéias “não lineares” que surgiram em minhas reflexões – uma forma de discussão  não falada, ao contornar o Parque Júlio de Castilhos, atualmente Parque Dom Antônio Zatter. Local de alta concentração de discussões acadêmicas sobre importantes questões culturais, artísticas, estilo arquitetônico e outros que tais, mas ... não esqueçam o monolito religioso

quarta-feira, 18 de julho de 2012

EDUARDO LEITE E PAULA - A PELOTAS DO FUTURO INICIA AQUI!



A VONTADE FAZ O CAMINHO



NEIFF SATTE ALAM


 “O universo só é conhecido pelo homem através da lógica e das matemáticas, produtos do seu espírito, mas ele só pode compreender como as construiu estudando a si mesmo, psicológica e biologicamente, ou seja, em função do universo inteiro. Piaget”.



Quando se diz que a vontade faz o caminho, estamos estabelecendo as regras de conduta que estabelecerão as diretrizes que nortearão a caminhada. Esta caminhada será sempre no sentido da construção de uma escola forte, unida e harmonizada com seu contexto. Quando perguntaram a Khalil Gibran o que ele entendia sobre ensino, este respondeu:

“ Nenhum homem poderá revelar-vos nada senão o que já está meio adormecido na aurora do vosso entendimento..

O mestre que caminha à sombra do templo, rodeado de discípulos, não dá de sua sabedoria, mas sim de sua fé e de sua ternura.

Se ele for verdadeiramente sábio, não vos convidará a entrar na mansão de seu saber, mas antes vos conduzirá ao limiar de vossa própria mente.”

Este é o nosso caminho. O caminho da fé, da ternura e do saber. Isto é o que esperam de nós professores todas aquelas crianças e jovens que ansiosamente e assustados estão sentados nas salas de aula.

O caminho da escola de hoje transcende os limites da insipiente interdisciplinaridade que apenas mascara o grave problema do reducionismo determinado pela elevada especialização, pois quando ganhamos conhecimento por um lado inevitavelmente fazemos crescer a ignorância de outro (ganho de conhecimento X ganho de ignorância).

Em meio a este turbilhão, a escola tenta sobreviver. Busca por meios próprios alcançar sua aptidão para produzir conhecimento (competência) que, aliando-se a atividade cognitiva, leva-nos a um “saber” – conhecimento do conhecimento.

É nesta cruzada ética que se encontra a escola de hoje. Há um conflito entre o poder e o saber: “... Enfim, em toda a história humana, a atividade cognitiva interagiu de modo ao mesmo tempo complementar e antagônico com a ética, o mito, a religião, a política: o poder, com freqüência controlou o saber para controlar o poder do saber”. (E.Morin).

A vontade de espantar o fantasma do reducionismo que assombra a educação terá que ser mais forte do que a necessidade deste de assumir o controle do saber fragmentado. Mesmo que considerando insipiente a ação interdisciplinar hoje proposta pelas escolas, nesta ação é que encontramos os rumos para trilharmos o caminho da desfragmentação do conhecimento devolvendo-lhe a característica multidimensional, embora culturalmente tenhamos a tendência a esfacelá-lo. Este esfacelamento faz com que surjam conhecimentos distintos e, com mais gravidade, faz-nos perder a visão do todo. Deixamos de contextualizar e perdemos a aptidão de produzir conhecimento, dificultando a caminhada.

A escola deve sair em busca do saber, do conhecimento do conhecimento. “...Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento; onde está o conhecimento perdido na informação?” ( T.S. Eliot, citado por E. Morin).


EDUARDO LEITE

RESPEITO COM OS IDOSOS...

PELOTAS INICIARÁ OS PRÓXIMOS 200 ANOS COM EDUARDO E PAULA!!!

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Difícil de explicar, fácil de entender!

                                          NEIFF SATTE ALAM

     Uma formiga preta correndo para fugir ao ataque impiedoso de um pequeno pássaro teve a sorte de se aproximar do lugar em que, sentado, a observava atentamente. Uma vencedora esta formiga, pensei, escapou do primeiro inimigo e já ganhou a simpatia do segundo, que seria eu.

     Tenho sido um feroz algoz de formigas, pois as extermino com veneno, com esmagamento ou simplesmente deixando os insetívoros fazerem seu trabalho, mas neste caso, talvez sensibilizado pela resistência e coragem do animalzinho, entendi deixa-la viver, até ajudei colocando-a dentro do formigueiro e perdendo-a de vista em meio a multidão de companheiras

     Antes deste ato de bondade, pude observar atentamente a perfeição de seus movimentos, seis patas firmemente articuladas ao tórax imprimiam um deslocamento com nexo, provavelmente orientado por dois olhos facetados auxiliados por três ocelos que se ajustavam em um campo visual de extrema qualidade; as duas antenas movimentavam-se freneticamente apalpando tudo que vinha pela frente, até outras formigas, parecia que se cumprimentavam, mas rapidamente se afastavam, pois não podiam perder tempo com conversa fiada. Trabalhar era a regra.

     Interessante ter fixado a atenção naquela formiga, afinal o DNA diz que elas são da mesma espécie, têm o mesmo comportamento, as mesmas necessidades funcionais, mas aquela formiga pareceu mais importante, o seu momento era especial,  as outras poderiam morrer, mas ela não. As outras poderiam ter o mesmo desempenho no seu papel de equilíbrio ambiental, mas ela teve uma entrada em cena que a tornou merecedora de uma vida um pouco mais longa.

     Estava envolvido por estes pensamentos quando uma notícia na televisão desviou minha atenção: ‘o exército americano entrou em conflito com grupo talibã e matou vários deles’, na  continuação da notícia, ‘Porta-aviões americano leva auxílio ao Haiti e consegue que seus soldados retirem várias pessoas que estavam soterradas em razão do desmoronamento de um Supermercado’.

     As pessoas residentes no Planeta, dependendo do humor de algum poderoso, poderão viver ou morrer. Se somos todos originados do mesmo DNA, independentemente de termos nascido no Haiti ou Afeganistão, não mereceríamos o mesmo tratamento? O coturno que esmaga um talibã não pertence ao mesmo exército que se esforça em salvar uma vida?

     Não sei responder estas perguntas, mas de qualquer forma passarei a ter dificuldade em matar formigas de agora em diante... claro que o Obama não está nem aí para minhas dúvidas, afinal tem o mundo inteiro para salvar ou matar! O que são algumas formigas...?

sexta-feira, 8 de junho de 2012

A REALIDADE É UM DOS CASOS DA POSSIBILIDADE


FALA PELOTAS!

 O Prefeito Fetter Jr. pode estar junto com o futuro prefeito de Pelotas. Esta foto é de extrema importância , pois, segundo Prigogine, "a realidade é um dos casos da possibilidade". Eduardo Leite, Paula Mascarenhas e Fabrício Tavares são pré-candidatos a prefeito, têm luz própria e estão se entrosando nos caminhos da administração pública, cada um do seu modo e dentro de características próprias.

Outros poderão se juntar a este trio, pois se espera outros pré-candidatos com a mesma linhagem inspirada na qualidade e continuidade de um governo que mudou a cara de Pelotas....

quinta-feira, 31 de maio de 2012

PROFISSIONALIZAÇÃO DO PROFESSOR






NEIFF SATTE ALAM



(...) não basta elevar o nível de formação acadêmica, pois o essencial na profissionalização da profissão de professor refere-se à relação com o saber, com a ação, com o pensamento, com a liberdade, com o risco e com a responsabilidade. (...) Essa forma de profissionalização, naturalmente, não pode se desenvolver contra as instituições. Mas elas só se manifestarão se um crescente número de professores assumir-se como profissional reflexivo e incomodar-se com a forma como os burocratas os tratam; eles não devem agir por meio do ressentimento nem dos protestos sindicais,  mas pela construção negociada do sistema educativo. (Perrenoud, A Prática Reflexiva no Ofício de Professor)

     É fundamental para o processo de profissionalização que se entenda que o professor se constitua em formador. Alguns aspectos devem ser considerados para que tal situação ocorra. Não analisaremos todos, mas apenas aquelas que poderão nos dar uma ideia do que se está falando.

     A aprendizagem tem que ser mais do que simples assimilação de conhecimento e deve se constituir em um poderoso mecanismo de transformação da pessoa. Desta forma se estará dando atenção não a um aluno, mas a um sujeito que está se formando.

     Estamos habituados a perceber reconhecimento como grande professor àquele que, como sábio, compartilha seu saber enquanto que o mais importante é a postura de um professor/formador que se aplica orientando uma autoformação. Sendo natural, portanto, uma avaliação formativa  e não uma avaliação somatória.

     Tudo isto se refere a um trabalho de absoluta conexão entre todos estes componentes analisados  e outros tantos que aqui sequer citamos, mas que nos encaminha para uma postura reflexiva e de complexidade.

     O caminho a seguir é o de buscar formadores de professores, com esta mesma intenção de, através de uma prática reflexiva, construir professores-formadores e, em um processo de multiplicação, ir transmitindo aos colegas o sucesso desta forma de agir. A mudança sempre será mais lenta do que a velocidade das ideias que a move, mas algum ganho se terá, mesmo que a escola, dentro de um contexto de mudanças tecnológicas, pareça imóvel, pois estas velocidades não são iguais.

      A mudança está verdadeiramente no pensamento e lenta e progressivamente vai assumindo posturas distintas que ocasionam, ao mesmo tempo que se submetem, uma revolução do paradigma que sustenta a ação de formação no enfrentamento com as mudanças e conflitos sociais. A mudança parece lenta, mas é essa forma de ocorrer que dá solidez na profissionalização do professor, então formador...