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domingo, 29 de julho de 2012

Um passeio pelo parque

Neiff Satte Alam

         “Que formidável determinismo pesa sobre o conhecimento! Ele nos impõe o que se precisa conhecer, como se deve conhecer, o que não se pode conhecer. Comanda, proíbe, traça rumos, estabelece os limites, ergue cercas de arame farpado e conduz-nos ao pondo onde devemos ir.” (Edgar Morin, O Método 4)

     Imprinting cultural (este termo surge como proposta de  Konrad Lorenz, “marca incontornável imposta pelas primeiras experiências do jovem animal, como o passarinho que, ao sair do ovo, segue como se fosse sua mãe, o primeiro ser vivo ao seu alcance”.) e conformismo a visão cultural que ocorre em todas classes sociais e muito evidente nas esferas intelectuais e universitárias. Libertar-se deste processo de estagnação e “que nos faz desconsiderar tudo aquilo que não concorde com nossas crenças, e o recalque eliminatório , que nos faz recusar toda informação inadequada à nossas convicções, ou toda objeção vinda de fonte considerada má”, é o desfio dos que percebem através de uma janela não linear de pensamento, pois, em muitos casos, a linearidade imposta por uma visão determinista pode ocasionar um freio na expansão cultural e uma aceleração na frente conservadora, permitam-me o paradoxo, retardando as necessárias mudanças culturais. Como disse Feyerabend, citado por Morin, “ a aparência da verdade absoluta nada é mais do que o resultado de um conformismo absoluto”.

     A inconformidade, a recusa de seguir o imprinting cultural, a necessidade de buscar alternativas que não estão previstas, mas podem constituir novos caminhos, diferentes do que estava determinado, deverá se constituir em uma possibilidade de criação de novos ângulos culturais, sem que se necessite negar a existência ou importância das culturas ou manifestações culturais existentes, muito menos ignorar os sincretismos que evoluem para novas manifestações culturais, até mesmo na fixação de novas culturas.

     A mobilidade das ideias é um importante fator de compreensão da visão não linear, que nos impõe compreender que toda a evolução cultural parte de culturas anteriores, representadas das mais diferentes formas, muitas vezes abafadas pelas novas culturas, que não as desconhece ( pelo menos deveria ser assim), mas as coloca em patamares de difícil acesso às pessoas que não se dedicam ao estudo destas.

     Colocar-se, por exemplo, em frente a um prédio neoclássico, de valor histórico/cultural um pequeno prédio de um estilo eclético (neste caso uma mistura de estilo e matérias de construção)fere a visão cultural ou o imprintig cultural? Colocar-se em frente a um prédio de estilo eclético um elemento arquitetônico de estilo neoclássico, fere a visão cultural ou o imprinting cultural? Por outro lado, fazer um monumento em forma de um monolito negro, sem estilo definido, mas em “homenagem à Bíblia”, não fere o imprinting cultural? Estas discrepâncias de pensamento não seriam de certa forma uma busca da verdade absoluta que, se tivessem prevalecido em outros momentos históricos, não teríamos toda esta riqueza cultural arquitetônica que alimenta nossas ideias contemporâneas?
     Foram estas idéias “não lineares” que surgiram em minhas reflexões – uma forma de discussão  não falada, ao contornar o Parque Júlio de Castilhos, atualmente Parque Dom Antônio Zatter. Local de alta concentração de discussões acadêmicas sobre importantes questões culturais, artísticas, estilo arquitetônico e outros que tais, mas ... não esqueçam o monolito religioso

quarta-feira, 18 de julho de 2012

EDUARDO LEITE E PAULA - A PELOTAS DO FUTURO INICIA AQUI!



A VONTADE FAZ O CAMINHO



NEIFF SATTE ALAM


 “O universo só é conhecido pelo homem através da lógica e das matemáticas, produtos do seu espírito, mas ele só pode compreender como as construiu estudando a si mesmo, psicológica e biologicamente, ou seja, em função do universo inteiro. Piaget”.



Quando se diz que a vontade faz o caminho, estamos estabelecendo as regras de conduta que estabelecerão as diretrizes que nortearão a caminhada. Esta caminhada será sempre no sentido da construção de uma escola forte, unida e harmonizada com seu contexto. Quando perguntaram a Khalil Gibran o que ele entendia sobre ensino, este respondeu:

“ Nenhum homem poderá revelar-vos nada senão o que já está meio adormecido na aurora do vosso entendimento..

O mestre que caminha à sombra do templo, rodeado de discípulos, não dá de sua sabedoria, mas sim de sua fé e de sua ternura.

Se ele for verdadeiramente sábio, não vos convidará a entrar na mansão de seu saber, mas antes vos conduzirá ao limiar de vossa própria mente.”

Este é o nosso caminho. O caminho da fé, da ternura e do saber. Isto é o que esperam de nós professores todas aquelas crianças e jovens que ansiosamente e assustados estão sentados nas salas de aula.

O caminho da escola de hoje transcende os limites da insipiente interdisciplinaridade que apenas mascara o grave problema do reducionismo determinado pela elevada especialização, pois quando ganhamos conhecimento por um lado inevitavelmente fazemos crescer a ignorância de outro (ganho de conhecimento X ganho de ignorância).

Em meio a este turbilhão, a escola tenta sobreviver. Busca por meios próprios alcançar sua aptidão para produzir conhecimento (competência) que, aliando-se a atividade cognitiva, leva-nos a um “saber” – conhecimento do conhecimento.

É nesta cruzada ética que se encontra a escola de hoje. Há um conflito entre o poder e o saber: “... Enfim, em toda a história humana, a atividade cognitiva interagiu de modo ao mesmo tempo complementar e antagônico com a ética, o mito, a religião, a política: o poder, com freqüência controlou o saber para controlar o poder do saber”. (E.Morin).

A vontade de espantar o fantasma do reducionismo que assombra a educação terá que ser mais forte do que a necessidade deste de assumir o controle do saber fragmentado. Mesmo que considerando insipiente a ação interdisciplinar hoje proposta pelas escolas, nesta ação é que encontramos os rumos para trilharmos o caminho da desfragmentação do conhecimento devolvendo-lhe a característica multidimensional, embora culturalmente tenhamos a tendência a esfacelá-lo. Este esfacelamento faz com que surjam conhecimentos distintos e, com mais gravidade, faz-nos perder a visão do todo. Deixamos de contextualizar e perdemos a aptidão de produzir conhecimento, dificultando a caminhada.

A escola deve sair em busca do saber, do conhecimento do conhecimento. “...Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento; onde está o conhecimento perdido na informação?” ( T.S. Eliot, citado por E. Morin).


EDUARDO LEITE

RESPEITO COM OS IDOSOS...

PELOTAS INICIARÁ OS PRÓXIMOS 200 ANOS COM EDUARDO E PAULA!!!

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Difícil de explicar, fácil de entender!

                                          NEIFF SATTE ALAM

     Uma formiga preta correndo para fugir ao ataque impiedoso de um pequeno pássaro teve a sorte de se aproximar do lugar em que, sentado, a observava atentamente. Uma vencedora esta formiga, pensei, escapou do primeiro inimigo e já ganhou a simpatia do segundo, que seria eu.

     Tenho sido um feroz algoz de formigas, pois as extermino com veneno, com esmagamento ou simplesmente deixando os insetívoros fazerem seu trabalho, mas neste caso, talvez sensibilizado pela resistência e coragem do animalzinho, entendi deixa-la viver, até ajudei colocando-a dentro do formigueiro e perdendo-a de vista em meio a multidão de companheiras

     Antes deste ato de bondade, pude observar atentamente a perfeição de seus movimentos, seis patas firmemente articuladas ao tórax imprimiam um deslocamento com nexo, provavelmente orientado por dois olhos facetados auxiliados por três ocelos que se ajustavam em um campo visual de extrema qualidade; as duas antenas movimentavam-se freneticamente apalpando tudo que vinha pela frente, até outras formigas, parecia que se cumprimentavam, mas rapidamente se afastavam, pois não podiam perder tempo com conversa fiada. Trabalhar era a regra.

     Interessante ter fixado a atenção naquela formiga, afinal o DNA diz que elas são da mesma espécie, têm o mesmo comportamento, as mesmas necessidades funcionais, mas aquela formiga pareceu mais importante, o seu momento era especial,  as outras poderiam morrer, mas ela não. As outras poderiam ter o mesmo desempenho no seu papel de equilíbrio ambiental, mas ela teve uma entrada em cena que a tornou merecedora de uma vida um pouco mais longa.

     Estava envolvido por estes pensamentos quando uma notícia na televisão desviou minha atenção: ‘o exército americano entrou em conflito com grupo talibã e matou vários deles’, na  continuação da notícia, ‘Porta-aviões americano leva auxílio ao Haiti e consegue que seus soldados retirem várias pessoas que estavam soterradas em razão do desmoronamento de um Supermercado’.

     As pessoas residentes no Planeta, dependendo do humor de algum poderoso, poderão viver ou morrer. Se somos todos originados do mesmo DNA, independentemente de termos nascido no Haiti ou Afeganistão, não mereceríamos o mesmo tratamento? O coturno que esmaga um talibã não pertence ao mesmo exército que se esforça em salvar uma vida?

     Não sei responder estas perguntas, mas de qualquer forma passarei a ter dificuldade em matar formigas de agora em diante... claro que o Obama não está nem aí para minhas dúvidas, afinal tem o mundo inteiro para salvar ou matar! O que são algumas formigas...?

sexta-feira, 8 de junho de 2012

A REALIDADE É UM DOS CASOS DA POSSIBILIDADE


FALA PELOTAS!

 O Prefeito Fetter Jr. pode estar junto com o futuro prefeito de Pelotas. Esta foto é de extrema importância , pois, segundo Prigogine, "a realidade é um dos casos da possibilidade". Eduardo Leite, Paula Mascarenhas e Fabrício Tavares são pré-candidatos a prefeito, têm luz própria e estão se entrosando nos caminhos da administração pública, cada um do seu modo e dentro de características próprias.

Outros poderão se juntar a este trio, pois se espera outros pré-candidatos com a mesma linhagem inspirada na qualidade e continuidade de um governo que mudou a cara de Pelotas....

quinta-feira, 31 de maio de 2012

PROFISSIONALIZAÇÃO DO PROFESSOR






NEIFF SATTE ALAM



(...) não basta elevar o nível de formação acadêmica, pois o essencial na profissionalização da profissão de professor refere-se à relação com o saber, com a ação, com o pensamento, com a liberdade, com o risco e com a responsabilidade. (...) Essa forma de profissionalização, naturalmente, não pode se desenvolver contra as instituições. Mas elas só se manifestarão se um crescente número de professores assumir-se como profissional reflexivo e incomodar-se com a forma como os burocratas os tratam; eles não devem agir por meio do ressentimento nem dos protestos sindicais,  mas pela construção negociada do sistema educativo. (Perrenoud, A Prática Reflexiva no Ofício de Professor)

     É fundamental para o processo de profissionalização que se entenda que o professor se constitua em formador. Alguns aspectos devem ser considerados para que tal situação ocorra. Não analisaremos todos, mas apenas aquelas que poderão nos dar uma ideia do que se está falando.

     A aprendizagem tem que ser mais do que simples assimilação de conhecimento e deve se constituir em um poderoso mecanismo de transformação da pessoa. Desta forma se estará dando atenção não a um aluno, mas a um sujeito que está se formando.

     Estamos habituados a perceber reconhecimento como grande professor àquele que, como sábio, compartilha seu saber enquanto que o mais importante é a postura de um professor/formador que se aplica orientando uma autoformação. Sendo natural, portanto, uma avaliação formativa  e não uma avaliação somatória.

     Tudo isto se refere a um trabalho de absoluta conexão entre todos estes componentes analisados  e outros tantos que aqui sequer citamos, mas que nos encaminha para uma postura reflexiva e de complexidade.

     O caminho a seguir é o de buscar formadores de professores, com esta mesma intenção de, através de uma prática reflexiva, construir professores-formadores e, em um processo de multiplicação, ir transmitindo aos colegas o sucesso desta forma de agir. A mudança sempre será mais lenta do que a velocidade das ideias que a move, mas algum ganho se terá, mesmo que a escola, dentro de um contexto de mudanças tecnológicas, pareça imóvel, pois estas velocidades não são iguais.

      A mudança está verdadeiramente no pensamento e lenta e progressivamente vai assumindo posturas distintas que ocasionam, ao mesmo tempo que se submetem, uma revolução do paradigma que sustenta a ação de formação no enfrentamento com as mudanças e conflitos sociais. A mudança parece lenta, mas é essa forma de ocorrer que dá solidez na profissionalização do professor, então formador...

    

sábado, 26 de maio de 2012

PROGRAMA 13 HORAS/RU DE MAIO DE 2012

DISCUTINDO POLÍTICA.

MARASCO, NEIFF, ERNANI E CUSTÓDIO

PROGRAMA PELOTAS
13 HORAS

O PDT PELOTENSE COMEÇ A A SE ORGANIZAR E SE HARMONIZAR

A participação do PDT no Conselho Político com outros 9 Partidos está consolidada com o apoio explícito da Direção Estadual do PDT, que acatou a decisão do Diretório Municipal. Este Diretório, em reunião com quase totalidade de seus membros, já havia decidido por unanimidade dos presentes que seria de todo importante e natural  associar-se aos nove Partidos Políticos que dão sustentação ao governo Fetter.
É importante que os menos avisados entendam que esta participação não tira de nenhum dos dez Partidos participantes o direito de apresentarem candiatos à majoritária de outubro. Isto significa que o PDT poderá ter candidato a Prefeito e/ou Vice Prefeito sem que se constitua em ruptura a qualquer participação dentro do Governo.
O fato de outros partidos, que não fazem parte deste Conselho (o PDT, quando foi convidado a conversar,, não fazia parte do Conselho Político), mostrarem interesse em conversar também não caracterizaria qualquer desarmonia, pois, até por uma questão de educação, aceita-se reuniões deste tipo, desde que não conprometa os acordos feitos de forma ética e sem a busca pura e simples de cargos (uma vez que todos, sem exceção, oferecem cargos, logo, fica fácil oferecer o que não precisarão cumprir, portanto não seria este o fator agregação.).
O PDT pelotense está se organizando e se harmonizando, embora ainda existam muitas resistências para que se solidifique, pois esteve muito tempo fora de sintonia com o eleitor trabalhista. Apesar das dificuldades e graças a interferência da Executiva Estadual, o partido começa a tormar forma e retomar o seu rumo no sentido de poder interferir nos rumos da política  pelotense.

quarta-feira, 16 de maio de 2012


UMA FOTO VALE MIL PALAVRAS, MAS O CONHECIMENTO VALE MIL FOTOS...

A verdade sempre aparece, graças a tecnologia, mas se alguém, com duvidosa intenção ou com segunda intenção perversamente a falseou, cabe as pessoas de bem honrá-la. Ao assinar minha ficha como filiado do PDT, Carlos Lupi estava me recolocando no caminho do trabalhismo. Se isto assusta os que não entendem a verdadeira ideologia trabalhista e querem fazer desta sigla caminho para alcançar poder, nada posso fazer, pois sou professor e não psiquiatra. Ofereci meu conhecimento na área da educação ao Governo por acreditar no Prefeito que ajudei a eleger, na utilidade de meus atos e na minha capacidade de realização de um projeto que só não terá continuidade se faltar competência aos sucessores ... que espero não falte, pois estarei atento e, de posse de tudo que aprendi, não permitirei que pessoas sem qualificação invadam, depredando, tudo que se conquistou neste curto espaço de tempo. Minha missão na Educação está apenas começando, não importa trincheira ou companhia de quem esteja, pois o Conselho Político que tenho a honra de participar é suficientemente heterogêneo para que meus propósitos trabalhistas tenham abrigo. Desta forma,   o foco será sempre o mesmo, a vontade será sempre a mesma e a minha arma será a palavra e o conhecimento conquistado com muito trabalho, esforço e dedicação que a precede.

Neiff Satte Alam

segunda-feira, 14 de maio de 2012

ASSISTA O VÍDEO


http://vimeo.com/33918959

Tecnologias de Informação e Comunicação X Escola do futuro





Neiff Satte Alam[*]



           “Em um mundo cada vez mais globalizado, utilizar as novas tecnologias de forma integrada ao projeto pedagógico é uma maneira de se aproximar da geração que está nos bancos escolares”. Elisângela Fernandes, Revista Nova Escola/junho 2010.



               É urgente o ingresso na sala de aula das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs). Mais urgente ainda é a preparação dos professores para enfrentarem os desafios destas novas tecnologias, pois há que se entender uma necessária mudança de visão sobre “como” e “o quê” ensinar.

     A sala de aula assumiu a dimensão do Universo, não há mais limites, pois o espaço cibernético associou-se definitivamente ao espaço do pensamento universal, a noosfera. Texto e hipertexto conectados, sem dar lugar aos vícios de uma visão linear que compromete a contextualização.

     O ensino presencial deverá dar lugar a um ensino semi-presencial. As aulas à distância, mesmo que em tempo real, deverão ser incluídas no projeto político pedagógico e se apropriar das facilidades de busca de informação dos sites que tem esta finalidade, mas sempre com o cuidado de uma analise crítica sobre as fontes destas informações.

     É responsabilidade dos sistemas de ensino promover uma formação qualificada dos professores e especialistas em educação, pois se faz necessária uma construção de competência destes profissionais (formação inicial e continuada) para que não fiquem reféns da internet, principalmente dos sites de busca que, em muitos casos, são alimentados sem muito cuidado e/ou responsabilidade.

     Cabe aos professores esta tarefa de fazer bom uso do ciberespaço para que se transforme em aliado e não em inimigo, que sejam úteis na construção do conhecimento e não mais um problema na difícil missão de ensinar.

     Computadores de mesa, notebooks,IPads, IPods, Tablets, telefones celulares e outras tantas tecnologias associadas a projetores, televisores etc., estão disponíveis em grande parte de nossas escolas, mas ainda não foram suficientemente inseridas no cotidiano escolar e muito menos nos procedimentos pedagógicos da grande maioria de nossas escolas, ao ponto de não se dar falta destes equipamentos se repentinamente desaparecerem.

     As escolas deverão formar suas redes próprias e conectarem entre si e com a rede mundial formando, desta maneira, uma grande teia onde alunos, professores e gestores em educação possam absorver todas as vantagens proporcionadas pelo ciberespaço na disponibilização de informações destas novas tecnologias, pois o volume de conhecimento a ser aprendido só terá a possibilidade de absorção desta forma.

     As redes sociais deverão, então, competir com as redes educacionais, de forma equilibrada e positiva havendo, com certeza, crescimento de ambas e por consequência dos alunos, os grandes beneficiados de uma gestão firme e identificados com o aprendizado em um mundo sem fronteiras para o conhecimento.

      

      

    







[*] Professor e Especialista em Informática na Educação

sexta-feira, 20 de abril de 2012

CABEÇA VAZIA, OFICINA DO DIABO



 Neiff Satte Alam

     Não era bem um bar como qualquer outro. Ficava na zona rural, mas muito perto da estrada de entrada da cidade. O dono, um sujeito gordo, baixo, de cabelos ralos e muito claros, quase brancos e com um forte sotaque estrangeiro –  acho que pomerano, cuidava do lugar, principalmente da gaveta do dinheiro, supostamente o caixa do estabelecimento. Com a pele tão clara que ficava com pequenas veias dando uma coloração azulada, era apelidado de SMURF. Claro que o apelido não era de conhecimento dele.

     A proximidade da cidade fazia com que os freqüentadores se diversificassem entre pessoal da zona rural que trabalhava na cidade ou morava nas proximidades e o pessoal da cidade que trabalhava no interior do município.

     Em uma mesa de madeira talhada a enxó e tão velha  quanto o dono do bar, sentavam-se três mulheres que com seus olhos de águia pareciam absorver todas as imagens de pessoas que entravam e saiam. O prazer das madames era achar algum defeito na vida daquelas pessoas, algumas conhecidas, outras não, mas todas alvo das fofocas e maledicências ali desenvolvidas com a habilidade de quem domina o jogo da maldade.

     Em uma mesa próxima, solitário, mas atento a conversa das três gralhas, um apontador de jogo do bicho, um sujeito alto, nem gordo nem magro, mas muito desengonçado, que parecia ter saído da história dos smurfs, escrevia o panfleto semanal do bar, muito lido, não pela qualidade do material, mas pelas maldades, impropérios e outras bobagens que revelavam um certo sadomasoquismo, já impossível de ser tratado por qualquer psiquiatra honesto, pois tratava-se de um caso incurável.

     Nos outros locais do bar, várias mesas eram ocupadas por pessoas que se divertiam ao final da tarde, alguns eram professores de uma escola próxima e curtiam o final de expediente naquele local. O apontador de jogo do bicho, segundo dizem, tinha sido secretário daquela escola e havia sido dispensado do serviço pela sua inapetência ao trabalho e de ser “arranjador de confusão”. Talvez por este motivo que a maior parte de seus escritos fosse para desabonar os ex-colegas que não tinham nenhum agrado em manter conversa com o sujeito, mas não o rejeitavam de forma ostensiva, pois eram educados e tinham “uma certa piedade” pelo seu comportamento doentio.

     Às vezes, quando a turma mais descontraída estava fazendo farra no bar, faziam aviões de papel e atiravam nos demais fregueses, todos muito conhecidos, menos o sujeito que, escrevendo suas maldades, ficavam absorto em seus pensamentos, levando vez por outra um avião de papel na cabeça.

     Um dia, lá pelas seis horas da tarde, uma tempestade se avizinhando pelas bandas do sul e contrastando com o céu encoberto por pesadas nuvens, um pequeno avião, destes que jogam inseticida nas lavouras, lançou-se sobre o bar do “Smurf”. A turma que se divertia com seus aviões de papel, vendo que o avião de verdade se aproximava rapidamente do bar, começou a gritar para que todos fugissem: “- cuidado com o avião!!!. O pseudoescritor achando que era mais uma brincadeira, não deu importância aos avisos e ficou tranquilamente sentado... A explosão foi ouvida, segundo  alguns, no centro da cidade. Nada sobrou do homem, sua cabeça, dizem, foi encontrada boiando em uma sanga, pois o interior estava totalmente vazio, como se ali nunca tivesse existido um cérebro.O homem que a encontrou, dirigindo- se   a um amigo, disse: “-Bem diz o ditado que cabeça vazia é a oficina do diabo!”


















domingo, 15 de abril de 2012

LEMBRANÇAS DA PRAIA DO LARANJAL

UMA IMAGEM DO PASSADO. O "TRAPICHE DO VALVERDE", AGORA EM FASE DE REMODELAÇÃO, MAS QUE SERÁ GUARDADO POR ESTA IMAGEM NA SUA FORMA MAIS PITORESCA. ESTA IMAGEM JAMAIS SE REPETIRÁ, FAZ PARTE DO PASSADO...

sábado, 3 de março de 2012

LIBANESES DE ONTEM, BRASILEIROS DE HOJE




 Neiff Satte Alam



            “...De que lado se encontra o futuro? Basta olhar para onde convergem os fluxos de imigração. Tendendo cada vez mais a se encontrar em estado livre sobre o planeta, as populações se deslocam segundo os diferenciais de bem-estar e liberdade.(...) Os talentos têm o desejo de ir não obrigatoriamente para onde lhes pagam mais, mas provavelmente para onde são mais respeitados do que invejados, impedidos, ameaçados por pessoas do poder.” Pierre Lévy

            Navegadores, comerciantes, viajantes que não temiam a adversidade, mas, ao contrário, faziam dela a força propulsora para conquista de novos mercados de trabalho, os libaneses de ontem, utilizando esta herança cosmopolita, aportaram em terras brasileiras. O pampa também foi agraciado  com a chegada destes desbravadores. Nossa cultura, nossa arte e nosso modo de vida foram definitivamente modificados com a presença de uma colônia árabe/libanesa que, também sofrendo interferência de nossa cultura, criou raízes e passou a fazer parte do progresso destas novas e hospitaleiras terras.

            Internacionalização, planetarização ou globalização, chamem do jeito que quiserem, na sua forma humana de conhecimento e socialização muito deve a esta expansão não belicosa, mas absolutamente altruísta de um povo que faz da paz e da boa convivência o ponto de partida de suas incursões pelo mundo.

            Lentamente os imigrantes libaneses do século XX foram miscigenando seu DNA com o já globalizado DNA do brasileiro. Mistura saudável e que tem contribuído para dar ao brasileiro esta poderosa base genética para enfrentar as adversidades deste e dos novos tempos.

            Alam, Karini,Macluf, Ruschel, Cury, Bainy, Haical, Salim, Satte, Saad, Hallal, Abeiche, Selaimen e outros tantos nomes de origem árabe, muitos modificados em razão da grafia diferente, somam-se hoje aos sobrenomes anteriormente existentes na região e constituem descendentes que já carregavam uma ancestralidade de outros imigrantes, de outras terras, com diferentes origens étnicas e culturais, mas ricos em altruísmo e vontade de que as idéias de liberdade façam parte permanente da natureza da nova descendência.

            Com este espírito de integração, com idéias de liberdade, com respeito às diferenças étnicas características de nossa região, libaneses da década de 50 fundaram a Sociedade Libanesa de Pelotas, mais precisamente no dia 14 de junho de 1957. Neste novo ambiente, músicas, festas e danças tipicamente brasileiras somaram-se ao quibe, ao homos, a esfiha e  a outras tantas comidas de origem árabe. Bailes do Chope, Bailes de Carnaval e Bailes de debutantes, alternavam-se com almoços e jantares com rodízio de pratos árabes.

            Passaram-se 55 anos desde o dia em que o espírito empreendedor de antigos e saudosos libaneses lançou a pedra fundamental desta Sociedade Libanesa em Pelotas e 100 anos  da chegada dos libaneses na Vila Olimpo, a eles devemos nossa homenagem e gratidão por manter vivos os ideais de liberdade que os encorajou a migrarem para novos e promissores horizontes.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

EXPLORANDO OS SENTIDOS


Explorando os sentidos - ouvir

Neiff Satte Alam

“...Ouvir os sons do mundo é uma felicidade que somente os artistas recebem por nascimento. Os outros têm que aprender.” Rubem Alves

O som nasce do silêncio. O silêncio é a busca do som que, ao quebrá-lo, fará fluir um mundo novo, um mundo onde as lembranças poderão ser reforçadas. Os sons de nossa infância são um permanente mergulho no passado que dá sentido ao presente.

     Lá na Vila Olimpo, não no Olimpo grego, mas no de minha infância com diferentes figuras mitológicas, mas totalmente incrustado no meu HD biológico, recupero  cada som igual ou mesmo semelhante aos que circulam no presente, uma realidade permanente sempre sustentada pelas realidades passadas e transformada em alicerce para o futuro.

     O som das águas do Rio Piratini forçando passagem por entre os pilares de pedra de uma ponte de ferro eternizada pelas lembranças, repete-se sempre que ouço a força das águas da chuva forçando passagem por entre as pedras de calçamento das ruas de Pelotas e penetrando pelos estreitos espaços das bocas-de-lobo.

     Outro dia, em uma das ruas da Praia do Laranjal, ouvi o som do apito do vendedor de picolés, igual ao que ouvia na empoeirada Rua do Comércio, junto a Praça Piratini, em Vila Olimpo. Parecia uma parada no tempo. Momentos importantes da infância irrigaram meu cérebro, inclusive coisas que pensava não lembrar mais, mas que percebi que foram importantes na minha formação afetiva e agora preenchem o cérebro de substâncias que dão prazer, o prazer  do encontro das lembranças com a realidade, do ontem com o hoje, com as duas realidades transformadas em uma única...

     Os pardais, os grilos, as rãs e os cães que emitiam seus sons já desapareceram há muito tempo, mas os sons de seus descendentes fazem com que a lembrança me remeta às brincadeiras pelos pátios  interligados do pequeno vilarejo, universo de minha infância, caçando rãs, correndo ao lado dos cães que nos faziam companhia, colocando os grilos, gafanhotos e outros insetos em garrafas para fazer pequenos estudos que, com certeza, levaram-me a escolher a profissão de Biólogo e ministrar aulas de Biologia por mais de quarenta anos.

     Tinha também o som do vento ao balançar as folhas de um cinamomo que era nosso companheiro de brincadeiras, na calçada de minha casa. Um som que só não é mais importante do que o das tábuas do piso da sala de estar quando caminhávamos de tamanco de cepa de madeira. Até hoje sinto saudade de caminhar sobre este piso, pois é o indicativo de que havia ali um lar onde havia ensinamentos, regras, carinho e amor. Naquela peça, em momentos de leitura, no silêncio das tardes de inverno, ainda recordo o som das folhas dos livros de capa dura de Monteiro Lobato interrompido, muitas vezes, pelo apito do trem ao cruzar a ponte entre Vila Olimpo e Vila Cerrito.

     Hoje aumentei o som do rádio, pois uma canção de carnavais antigos estava a ser tocada. Era uma música do passado que irrigava de harmonia o presente, então pensei : “o que há com os sons dos carnavais de hoje, onde está a harmonia, a lógica das letras para que, no futuro, sejam as boas lembranças do passado?” Foi neste momento que entendi importante rever os sons do passado ... escrever sobre a importância deles ... irrigar o presente poluído de ruídos sem harmonia com lembranças que reforcem a necessidade de explorar a criatividade de nossas crianças respeitando o seu futuro, viabilizando os sons da biodiversidade, da boa música, ensinando-as a ouvir e distinguir, pela audição, o bom do ruim. Ouvir também é uma arte.  





















Explorando os sentidos – olfato

Neiff Satte Alam

          “...Quando colho hortelã, libero em  minha memória as mesas de quitutes dos almoços dominicais na casa de minha avó. Era sempre festa.”

Cheiros bons, cheiros ruins; lembranças boas, lembranças ruins. Todos com importante significado, pois é a soma de todos os odores que se formam as imagens, os sons e os sentimentos de cada momento, de todos os momentos.

     Em um pilão de pedra, artisticamente modelado, era macerada a carne que se transformaria em um delicioso quibe. As mãos de minha Avó Aziza seguravam com graça e firmeza o macerador. Ao misturar a hortelã com a carne, um cheiro característico tomava conta do ambiente. O aroma da hortelã predominava e acentuava nosso apetite. Não precisávamos comer, se quer ver o quibe cru para ter a exata noção do gosto. Quando colho hortelã, libero em  minha memória as mesas de quitutes dos almoços dominicais na casa de minha avó. Era sempre festa.

     Água Velva. Alguém lembra desta loção de pós-barba? Talvez a maioria dos pais dos leitores lembre o perfume característico e inconfundível deste produto, com certeza todos os filhos lembram-se de seus pais quando perfumes semelhantes aromatiza o ambiente.

     O olfato, como qualquer outro sentido, tem que ser educado. Temos que saber usar um perfume, pois é importante entendermos que perfumes masculinos servem para atrair as mulheres e perfumes femininos para atrair os homens, trocá-los pode dar confusão!

     O medo exala um cheiro característico  e é percebido pelos opositores. Serve para os animais racionais e para os irracionais; a paixão também tem seu cheiro, em geral direcionado, pois, como a flecha do Cupido, tem alvo próprio e determinado; A miséria, a dor e o infortúnio revelam-se pelo odor próprio, assim como a felicidade e o bem estar e, identificados, devemos nos responsabilizar pelas necessárias mudanças que busquem a igualdade entre as pessoas.

     As novas tecnologias que pretendem substituir os livros impressos por livros eletrônicos têm, no olfato, o seu mais poderoso inimigo. Os leitores habituais afirmam que uma das boas coisas na leitura, além da qualidade do texto, é sentir o “cheirinho” do papel. Alguns leitores chegam a não aceitar não serem os primeiros a folhar os livros, revistas e jornais, pois o cheiro do papel novo os atrai...

     Os ratos, ao sentirem o cheiro de seus predadores, mudam os caminhos habituais; os cães são atraídos pelo cheiro da fêmea quando esta está no cio e pronta a reproduzir; os lobos marcam seu território urinando em todos os obstáculos que o limitam, pois a urina de cada um tem um odor diferente; um tubarão pode ser atraído por sua vítima quando sentir o cheiro do sangue desta; o enólogo reconhece a qualidade do vinho ao cheirá-lo.

     Um sentido instintivo, pois que inato, mas que poderá ser aperfeiçoado pelo aprendizado e, junto com os demais sentidos, vai enriquecendo nosso universo sensorial, distinguindo-nos dos demais seres vivos, pois, diferentemente dos demais, damos sentido aos sentidos...  

    

    

      

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

HOMO COMPLEXUS




Neiff Satte Alam

Professor

...O PENSAMENTO COMPLEXO É UMA FORMA DE PENSAR, ANALISAR E AGIR NA SOCIEDADE A PARTIR DA IDEIA DE COMPLEXIDADE, DE MODO QUE NÃO PODEMOS COMPREENDER ALGO SE SEPARARMOS DO SEU CONJUNTO.( Edgar Morin: Complexidade, transdisciplinaridade e incerteza)

     “Complexus” é uma palavra latina que significa “o que é tecido junto”. As partes devem manter sua individualidade, mas, ao mesmo tempo têm que se conectar entre si para dar sentido a um conjunto, de tal maneira que a soma destas será menor que o conjunto, pois a intersecção dará um resultado que não se aplicaria a cada parte isoladamente.

Foi esta visão simples que gerou a Teoria da Complexidade, proposta por Edgar Morin-

“...termo oriundo da Cibernética, que incorpora à sua obra a partir da década de 60 – integra os diversos modos de pensar, opondo-se ao pensamento linear, reducionista e disjuntivo. Propõe um pensamento que une e não separa todos os aspectos presentes no universo. Considera a incerteza e as contradições como parte da vida e da condição humana e, ao mesmo tempo, sugere a solidariedade e a ética como caminho para a religação dos seres e dos saberes”. (Izabel Petraglia)

É por ainda usar e abusar de um pensamento linear, reducionista, que a educação não consegue avançar no mesmo ritmo das tecnologias disponíveis, pois estas exigem visão não linear onde predominam complexidade e incerteza, ambas necessitam de uma urgente reforma no/do pensamento. O educador terá que modificar seu modelo e evoluir para um novo modelo (paradigma) onde o Homo complexus será verdadeiramente um “tecido” formado pelo H. fabres (dedicado ao trabalho), H. ludicus (dedicado a arte, ao prazer e ao ócio),H. sapiens (dedicado ao conhecimento, ao saber)e o H. demens (o lado demente do H. complexus).

É da intersecção de todos que surge o homem do novo século, o homem que irá ser causa e efeito da grande revolução na educação, que levará o complexo educacional aos patamares da “transdisciplinaridade”

...” A escola deve incentivar a comunicação entre as diversas áreas do saber e a busca das relações entre os campos do conhecimento, desmoronando as fronteiras que inibem e reprimem a aprendizagem. Trata-se da transcendência do pensamento linear que, sozinho, é reducionista. Transdisciplinaridade é a prática do que une e não separa o múltiplo e o diverso no processo de construção do conhecimento”.

      A partir destas premissas, pode-se deduzir que a grande reforma na educação não está em questões meramente estruturais ou mesmo de conjuntura sócio-econômica, mas principalmente em uma necessária mudança na maneira de pensar.  A linearidade e o determinismo foram um importante e até necessário passo para chegarmos neste momento de ruptura, mas entender esta necessidade é urgente, pois o Homo complexus não poderá superar as dificuldades, principalmente na educação, com o reducionismo que impera em nossos meios acadêmicos, principalmente no meio Universitário, onde se formam os professores e os cientistas. Principalmente pelo motivo de queno pensamento complexo, as contradições têm espaço de acolhimento sem preconceito. Opostos, diferentes e complementares que se ligam numa teia multirreferencial que inclui a objetividade e a subjetividade, colocando-as no mesmo patamar de possibilidades constantes”.


quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

AFFONSO DÊNTICE DA SILVA E NEIFF SATTE ALAM NO PROGRAMA "PELOTAS 13 HORAS" DESTE JANEIRO DE 2012