O rei está nu!
Neiff Satte Alam
O ciberespaço, inicialmente dominado pelos governos e grandes grupos econômicos, finalmente começa se democratizar. Antes do advento da Internet, pensávamos que o poder estava com os que tinham dinheiro e controlavam sua distribuição pelo mundo comprando favores e armas.
O verdadeiro poder sempre esteve presente, bem na nossa frente, batendo em nosso nariz, mas, por ser tão evidente, fugia de nossa atenção e compreensão. O verdadeiro poder tem um nome simples, chama-se SEGREDO.
Onde está o sucesso da Coca-cola? No segredo de sua fórmula; onde está a força das grandes religiões? Nos segredos dos confessionários, dos escritos do Mar Morto, etc.; onde está o poder da Maçonaria? No sigilo absoluto de suas ações dentro e fora dos templos. A estes exemplos se junta o poder da maior potência mundial das últimas décadas, os Estados Unidos da América.
Sempre foi difícil, aos simples mortais, entenderem estas forças milenares e seus domínios quase absolutos sobre as coisas e sobre as pessoas. Forças que, embora minoritárias, sempre controlaram os destinos da humanidade.
Em apenas duas décadas estes poderes começam a desmoronar. Os segredos revelados e colocadas na grande rede da era da comunicação, a Internet, distribuem o poder para a grande massa da população planetária. Pouco pode se esconder das pessoas, habitem onde quer que seja, no Alasca ou no Moçambique, de qualquer lado da Muralha da China ou na Faixa de Gaza.
Caem as “personas” e a face crua das Nações começa a se mostrar mais real, na maioria mais feia, mas mais compreensível. Para isto bastou segredos americanos (do norte) serem desvendados por Julian Assange em seu blog WikiLeaks. Constrangidos por verem suas conversas particulares e nem tão particulares com dignos representantes de outras Nações, iniciaram uma caçada ao dono do blog.
Assange inverteu “1984”, a espionagem esperada contra as pessoas, que teriam que perder suas intimidades, virou-se contra os governos. Finalmente se inicia a socialização da informação, os segredos de Estado desmoronam deixando sob seus escombros os poderosos políticos que, estarrecidos, sentem-se nus na sua realeza.
Mesmo que algum tribunal inquisidor leve Assange a alguma fogueira, nada mais poderá segurar a vontade popular de desmoronamento dos muros e destrancamento dos ferrolhos que impedem o livre transito sobre as informações dos governos e dos grandes grupos econômicos.
Dizem que Assange olhou para Obama e disse: “O rei está nu!”
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
PROFESSOR, MUITO PRAZER!
Neiff Satte Alam
Seria uma surpresa para qualquer pessoa se, ao buscar um atendimento médico no Pronto Socorro, fosse atendido por um Agrônomo; ficaria muito estranho um veterinário executar um projeto arquitetônico; teríamos enorme dificuldade em aceitar um procedimento odontológico feito por um Engenheiro Civil, mas não observamos nenhuma estranheza ou contestação quando qualquer um dos profissionais acima fizesse o trabalho de Educador, sem ter feito um curso que os qualificasse para o desempenho eficiente como docente.
Parece que ser um bom orador, ter algum carisma e conhecer bem determinado assunto é o suficiente para ser considerado bom professor. Lamentamos informar que não é suficiente. Cada profissão possui características e peculiaridades que permitirão um desempenho satisfatório e a obtenção de resultados que só poderão ocorrer e serem avaliados adequadamente pelos respectivos profissionais.
Um dos componentes do fracasso escolar que se estabeleceu no país é exatamente este: baixa profissionalização dos professores, desde sua formação nas Universidades e Faculdades isoladas, nos cursos de formação de Professores.
Milhares de professores são lançados no mercado de trabalho sem condições para enfrentar as adversidades e novidades de um sistema educacional superado, principalmente pelo descaso dos governos ou por políticas equivocadas que investem com pesados recursos econômicos em estrutura física e ampliações, mas pouco investem no melhoramento dos recursos humanos que terão que por em movimento os mecanismos de formação e qualificação do ser humano.
Construção de competências; desenvolver uma prática reflexiva; contextualizar os temas centrais de determinada disciplina e estabelecer conexões para uma visão interdisciplinar em um primeiro momento e se chegar a uma inter ou transdisciplinaridade na sequência de uma ação de ensino-aprendizagem; avaliar a aprendizagem desde o primeiro momento considerando, inclusive, as diferenças entre os educandos; estabelecer mecanismos de recuperação de modo a evitar que diferentes capacidades no ato de aprender façam-nos perder alunos com capacidades diferenciadas, é o mínimo que se poderia esperar de um educador. Isto se aprende em cursos de formação de Professores, pois isto é o que se espera de um Professor.
O Professor não está conectado apenas com os seus alunos, mas também com outros profissionais especialistas na área de educação que, na mesma linha de raciocínio de que temos que ter o profissional certo no lugar certo, não pode ser substituído por pessoas sem qualificação, pois, caso isto ocorra, todo o sistema educacional e o processo desenvolvido neste sistema estarão irremediavelmente comprometidos. Dentro da atual realidade social, considerando um aumento dos conflitos familiares por várias causas, que não é o momento de analisar, é indispensável a presença destes especialistas em educação, como é o caso de Orientadores Educacionais, Supervisores Escolares, Psicopedagogos e Pedagogos.
Também aí há uma falha no sistema, pois, na maioria dos casos, há utilização de professores em desvio de função que, por mais boa vontade que tenham, não conseguirão, com algumas exceções, sucesso nesta empreitada.
Seria uma surpresa para qualquer pessoa se, ao buscar um atendimento médico no Pronto Socorro, fosse atendido por um Agrônomo; ficaria muito estranho um veterinário executar um projeto arquitetônico; teríamos enorme dificuldade em aceitar um procedimento odontológico feito por um Engenheiro Civil, mas não observamos nenhuma estranheza ou contestação quando qualquer um dos profissionais acima fizesse o trabalho de Educador, sem ter feito um curso que os qualificasse para o desempenho eficiente como docente.
Parece que ser um bom orador, ter algum carisma e conhecer bem determinado assunto é o suficiente para ser considerado bom professor. Lamentamos informar que não é suficiente. Cada profissão possui características e peculiaridades que permitirão um desempenho satisfatório e a obtenção de resultados que só poderão ocorrer e serem avaliados adequadamente pelos respectivos profissionais.
Um dos componentes do fracasso escolar que se estabeleceu no país é exatamente este: baixa profissionalização dos professores, desde sua formação nas Universidades e Faculdades isoladas, nos cursos de formação de Professores.
Milhares de professores são lançados no mercado de trabalho sem condições para enfrentar as adversidades e novidades de um sistema educacional superado, principalmente pelo descaso dos governos ou por políticas equivocadas que investem com pesados recursos econômicos em estrutura física e ampliações, mas pouco investem no melhoramento dos recursos humanos que terão que por em movimento os mecanismos de formação e qualificação do ser humano.
Construção de competências; desenvolver uma prática reflexiva; contextualizar os temas centrais de determinada disciplina e estabelecer conexões para uma visão interdisciplinar em um primeiro momento e se chegar a uma inter ou transdisciplinaridade na sequência de uma ação de ensino-aprendizagem; avaliar a aprendizagem desde o primeiro momento considerando, inclusive, as diferenças entre os educandos; estabelecer mecanismos de recuperação de modo a evitar que diferentes capacidades no ato de aprender façam-nos perder alunos com capacidades diferenciadas, é o mínimo que se poderia esperar de um educador. Isto se aprende em cursos de formação de Professores, pois isto é o que se espera de um Professor.
O Professor não está conectado apenas com os seus alunos, mas também com outros profissionais especialistas na área de educação que, na mesma linha de raciocínio de que temos que ter o profissional certo no lugar certo, não pode ser substituído por pessoas sem qualificação, pois, caso isto ocorra, todo o sistema educacional e o processo desenvolvido neste sistema estarão irremediavelmente comprometidos. Dentro da atual realidade social, considerando um aumento dos conflitos familiares por várias causas, que não é o momento de analisar, é indispensável a presença destes especialistas em educação, como é o caso de Orientadores Educacionais, Supervisores Escolares, Psicopedagogos e Pedagogos.
Também aí há uma falha no sistema, pois, na maioria dos casos, há utilização de professores em desvio de função que, por mais boa vontade que tenham, não conseguirão, com algumas exceções, sucesso nesta empreitada.
ZÉ DA SILVA, CIDADÃO SEM COMPROMISSO...
NEIFF SATTE ALAM
"Quando a última árvore tiver sido derrubada, quando o último rio tiver secado, quando o último peixe tiver sido pescado, vocês vão entender que dinheiro não se come - Greenpeace"
E agora José? A máquina estancou, o homem parou e o tronco mutilado ri da ignorância do homem frente ao ser mutilado, mas firmemente enraizado que se insurge.
E agora José? A sequóia e a palmeira, vizinhas do tronco mutilado, antes uma árvore frondosa, soberana e dona de uma sombra fantástica, choram ao perceberem o sofrimento desta maravilhosa figueira.
E agora José? Apesar das motosserras, dos tratores com lâminas poderosas, que circulam sobre esteiras, como fazer para retirar rapidamente, antes que uma comoção maior ocorra, os restos desta vítima da inconseqüência?
E agora José? Como explicar, nas Escolas, às crianças, que começam a querer entender a importância da harmonia entre todos os seres vivos e destes com o ambiente não vivo (abiótico), as razões destas ações e as justificativas técnicas?
E agora José? Será que estão garantidas as demais, sem considerar dezenas de outras que já sucumbiram antes, da força das motosseras? Magnólias, pinheiros, jacarandás, sequóias, carvalhos, cedros, pau-brasil e tantas outras, quando serão marcadas para morrer? Pois algumas já estão!
E agora José? O que deverá acontecer com as outras praças e parques? Que determinações existem para a “harmonização” destes outros ambientes? Quem poderá impedir que outras árvores, em calçadas ou em pátios, pelos mesmos motivos alegados pelos organismos encarregados de tal façanha, não sejam retiradas?
E agora José? Como explicar às pessoas em geral que cada árvore plantada tem uma história? Conhecida ou não, a mão que plantou ou semeou ali deixou um pouco da sua história, um pouco do momento histórico e muito de sua energia. A energia emanada pelo trabalho e ação do homem se estende as suas ações, pois, quando vemos uma árvore plantada pelo nosso pai, mãe ou algum amigo temos, por esta árvore, um especial carinho, não só por ela, mas, pela pessoa que a plantou, isto a torna especial, diferente. Na Praça Cel. Pedro Osório, muitas árvores forma plantadas, cuidadas e sempre vistas com um especial carinho porque, com certeza, também têm uma história particular, mas que se integra ao conjunto das histórias das demais.
Rompida esta harmonia, todas as plantas da praça deverão buscar um novo equilíbrio, assim como a fauna ali existente. Quando mexemos algumas árvores por pura razão estética, mexemos com toda a harmonia do sistema do qual fazem parte. Será que esta nova harmonia estará dentro das expectativas dos responsáveis pelo fato? Como saber se, de tão perdidos que estamos, cortamos árvores onde não devíamos e, pior, quando plantamos o fazemos em lugares errados?
Pois é José, e agora?
Fotos: Ficus elástica (falsa seringueira), na praça Cel. Pedro Osório em Pelotas, em processo de mutilação da praça no dia 25 de maio de 2007.
"Quando a última árvore tiver sido derrubada, quando o último rio tiver secado, quando o último peixe tiver sido pescado, vocês vão entender que dinheiro não se come - Greenpeace"
E agora José? A máquina estancou, o homem parou e o tronco mutilado ri da ignorância do homem frente ao ser mutilado, mas firmemente enraizado que se insurge.
E agora José? A sequóia e a palmeira, vizinhas do tronco mutilado, antes uma árvore frondosa, soberana e dona de uma sombra fantástica, choram ao perceberem o sofrimento desta maravilhosa figueira.
E agora José? Apesar das motosserras, dos tratores com lâminas poderosas, que circulam sobre esteiras, como fazer para retirar rapidamente, antes que uma comoção maior ocorra, os restos desta vítima da inconseqüência?
E agora José? Como explicar, nas Escolas, às crianças, que começam a querer entender a importância da harmonia entre todos os seres vivos e destes com o ambiente não vivo (abiótico), as razões destas ações e as justificativas técnicas?
E agora José? Será que estão garantidas as demais, sem considerar dezenas de outras que já sucumbiram antes, da força das motosseras? Magnólias, pinheiros, jacarandás, sequóias, carvalhos, cedros, pau-brasil e tantas outras, quando serão marcadas para morrer? Pois algumas já estão!
E agora José? O que deverá acontecer com as outras praças e parques? Que determinações existem para a “harmonização” destes outros ambientes? Quem poderá impedir que outras árvores, em calçadas ou em pátios, pelos mesmos motivos alegados pelos organismos encarregados de tal façanha, não sejam retiradas?
E agora José? Como explicar às pessoas em geral que cada árvore plantada tem uma história? Conhecida ou não, a mão que plantou ou semeou ali deixou um pouco da sua história, um pouco do momento histórico e muito de sua energia. A energia emanada pelo trabalho e ação do homem se estende as suas ações, pois, quando vemos uma árvore plantada pelo nosso pai, mãe ou algum amigo temos, por esta árvore, um especial carinho, não só por ela, mas, pela pessoa que a plantou, isto a torna especial, diferente. Na Praça Cel. Pedro Osório, muitas árvores forma plantadas, cuidadas e sempre vistas com um especial carinho porque, com certeza, também têm uma história particular, mas que se integra ao conjunto das histórias das demais.
Rompida esta harmonia, todas as plantas da praça deverão buscar um novo equilíbrio, assim como a fauna ali existente. Quando mexemos algumas árvores por pura razão estética, mexemos com toda a harmonia do sistema do qual fazem parte. Será que esta nova harmonia estará dentro das expectativas dos responsáveis pelo fato? Como saber se, de tão perdidos que estamos, cortamos árvores onde não devíamos e, pior, quando plantamos o fazemos em lugares errados?
Pois é José, e agora?
Fotos: Ficus elástica (falsa seringueira), na praça Cel. Pedro Osório em Pelotas, em processo de mutilação da praça no dia 25 de maio de 2007.
sábado, 10 de outubro de 2009
CICLOS
Era um casebre no meio do nada, com um cômodo onde habitavam cinco ou seis pessoas. Antes da madrugada, o homem, levantando-se de sua cama comunitária sai para a noite fria, escura e envolvida por um nevoeiro denso. Percebe-se nu e, naquela nudez inesperada e estranha, entende que sem as vestes pobres e maltrapilhas é igual a todos os outros homens do planeta, mas, curiosamente, não sente frio. Caminha livre pelo campo, seus pés não sentem nenhuma dor ao pisar em espinhos e pedregulhos que encontra no caminho.
Lentamente o véu do nevoeiro começa a se desfazer e uma lua cheia, clara, muito clara, ilumina o corpo daquele homem. Novamente sente uma sensação de igualdade para como os demais, pois a mesma lua que o ilumina estará iluminando os outros homens tão livres quanto ele se sente naquele momento, embora se encontre na maior pobreza e abandono.
Assim como não sentia frio, não sentiu calor quando o sol apareceu no horizonte e iluminou aquela paisagem que tanto conhecia. Alguns animais surgiram para a primeira refeição do dia e o ruído de aves misturava-se ao ruído do vento em galhos de algumas árvores que quebravam a monotonia da paisagem.
Assim, ainda nu, retornou para sua casa, mas lá havia apenas tristeza, choro incontrolável, lamentações. Mulher e filhos gritavam em desespero pela visão de um homem morto sobre a cama. Era ele. A liberdade que sentia era a passagem para um novo mundo, um mundo onde havia redenção, liberdade e outros limites e horizontes para o homem que sofria da indiferença, do descaso e do abandono em que se encontra a maioria da humanidade. Chorou ao lado da mulher e dos filhos, mas suas lágrimas não caiam e sua voz não era ouvida, pois não mais fazia parte daquele plano de existência e dava seu adeus de forma muda em absoluta presença/ausência.
Não poderia mais voltar ao corpo que abandonara durante a noite, pois o manto da morte já havia se apropriado daquela matéria inerte, mas, em sua nova existência, poderia aperfeiçoar-se para retornar e um outro momento, neste ou em outro lugar qualquer recomeçaria sua existência a partir dos ensinamentos desta que deixava.
Estes pensamentos foram interrompidos, um outro nevoeiro, mais denso e morno o envolveu, mas continuava nu, seu corpo era pequeno e estava acalentado por braços que cheirava amor e carinho. Não tinha mais a mínima idéia de tempo. Sua fome foi saciada quando carinhosamente foi levado ao seio materno e o leite que sugava com força e vontade aqueceu seu organismo como uma fonte de energia mágica. Lentamente foi esquecendo da vida anterior e foi assumindo a nova existência. Muitos sorrisos e muita alegria envolviam aquele ambiente, estava, então, nascendo...
Lentamente o véu do nevoeiro começa a se desfazer e uma lua cheia, clara, muito clara, ilumina o corpo daquele homem. Novamente sente uma sensação de igualdade para como os demais, pois a mesma lua que o ilumina estará iluminando os outros homens tão livres quanto ele se sente naquele momento, embora se encontre na maior pobreza e abandono.
Assim como não sentia frio, não sentiu calor quando o sol apareceu no horizonte e iluminou aquela paisagem que tanto conhecia. Alguns animais surgiram para a primeira refeição do dia e o ruído de aves misturava-se ao ruído do vento em galhos de algumas árvores que quebravam a monotonia da paisagem.
Assim, ainda nu, retornou para sua casa, mas lá havia apenas tristeza, choro incontrolável, lamentações. Mulher e filhos gritavam em desespero pela visão de um homem morto sobre a cama. Era ele. A liberdade que sentia era a passagem para um novo mundo, um mundo onde havia redenção, liberdade e outros limites e horizontes para o homem que sofria da indiferença, do descaso e do abandono em que se encontra a maioria da humanidade. Chorou ao lado da mulher e dos filhos, mas suas lágrimas não caiam e sua voz não era ouvida, pois não mais fazia parte daquele plano de existência e dava seu adeus de forma muda em absoluta presença/ausência.
Não poderia mais voltar ao corpo que abandonara durante a noite, pois o manto da morte já havia se apropriado daquela matéria inerte, mas, em sua nova existência, poderia aperfeiçoar-se para retornar e um outro momento, neste ou em outro lugar qualquer recomeçaria sua existência a partir dos ensinamentos desta que deixava.
Estes pensamentos foram interrompidos, um outro nevoeiro, mais denso e morno o envolveu, mas continuava nu, seu corpo era pequeno e estava acalentado por braços que cheirava amor e carinho. Não tinha mais a mínima idéia de tempo. Sua fome foi saciada quando carinhosamente foi levado ao seio materno e o leite que sugava com força e vontade aqueceu seu organismo como uma fonte de energia mágica. Lentamente foi esquecendo da vida anterior e foi assumindo a nova existência. Muitos sorrisos e muita alegria envolviam aquele ambiente, estava, então, nascendo...
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Síndrome de Burnout
Neiff Satte Alam
O Professor, antes decidido, enstusiasmado e com enorme vontade de dar o máximo de si para obter os melhores resultados de seu trabalho, profissionalismo associado a vocação, receita ideal para um excelente desempenho, repentinamente é surpreendido por um total desânimo. O comportamento do professor começa a se alterar, fica irritadiço, agressivo, desinteressado e totalmente desconcentrado. É um mau Professor? Está na profissão errada? Não! Este Professor está com todos os sintomas da Síndrome de Burnout.
A Síndrome de Burnout é o resultado de uma exaustão emocional provocada por estresse profissional. O termo Burnout é uma composição de burn=queima e out=exterior, sugerindo assim que a pessoa com esse tipo de estresse consome-se física e emocionalmente, passando a apresentar um comportamento agressivo e irritadiço. A autoconfiança, o humor e a concentração atingem índices de redução extremamente comprometedores e fazem com que o Professor pareça irresponsável e desinteressado por seu trabalho, mas na verdade está acometido de uma doença provocada por fatores externos e que não podem ser controlados por ele, pois a causa está em uma estrutura/conjuntura educacional, social e econômica que tem mais a ver com a inexistência de políticas públicas que determinem uma real prioridade à Educação. Naturalmente existem outros fatores que se associam a desvalorização do trabalho docente por parte dos agentes públicos, vejam, por exemplo, a reação à Lei do Piso Salarial Nacional aos Professores da Educação Básica por parte dos governantes. Estes outros fatores foram detectados por pesquisas feitas em Escolas como: políticas inadequadas da escola para casos de indisciplina; atitude e comportamento dos administradores; avaliação dos administradores e supervisores; atitude e comportamento de outros professores e profissionais; carga de trabalho excessiva; oportunidades de carreira pouco interessantes; baixo status da profissão de professor; falta de reconhecimento por uma boa aula ou por estar ensinando bem; alunos barulhentos e totalmente sem limites; lidar com os pais, entre outros. Esta mesma pesquisa identificou os sintomas que são percebidos imediantamente: sentimento de exaustão; sentimento de frustração; sentimento de incapacidade; carregar o estresse para casa; sentir-se culpado por não fazer o bastante; irritabilidade.
Desta forma, o mais importante elo neste complexo trabalho de transportar as crianças do hoje para o amanhã, de forma a transformá-las em cidadãos dignos, respeitados e em condições de enfrentar as adversidades da vida de forma positiva, vencendo as resistências naturais às suas conquistas individuais.
Preservar o Professor de doenças sociais, como é o caso da Sídrome de Burnout, é uma tarefa para os políticos, governantes e educacionistas bem intencionados e que não transformem a luta por uma educação de qualidade em plataformas demagógicas de governo em suas campanhas eleitorais.
O Professor, antes decidido, enstusiasmado e com enorme vontade de dar o máximo de si para obter os melhores resultados de seu trabalho, profissionalismo associado a vocação, receita ideal para um excelente desempenho, repentinamente é surpreendido por um total desânimo. O comportamento do professor começa a se alterar, fica irritadiço, agressivo, desinteressado e totalmente desconcentrado. É um mau Professor? Está na profissão errada? Não! Este Professor está com todos os sintomas da Síndrome de Burnout.
A Síndrome de Burnout é o resultado de uma exaustão emocional provocada por estresse profissional. O termo Burnout é uma composição de burn=queima e out=exterior, sugerindo assim que a pessoa com esse tipo de estresse consome-se física e emocionalmente, passando a apresentar um comportamento agressivo e irritadiço. A autoconfiança, o humor e a concentração atingem índices de redução extremamente comprometedores e fazem com que o Professor pareça irresponsável e desinteressado por seu trabalho, mas na verdade está acometido de uma doença provocada por fatores externos e que não podem ser controlados por ele, pois a causa está em uma estrutura/conjuntura educacional, social e econômica que tem mais a ver com a inexistência de políticas públicas que determinem uma real prioridade à Educação. Naturalmente existem outros fatores que se associam a desvalorização do trabalho docente por parte dos agentes públicos, vejam, por exemplo, a reação à Lei do Piso Salarial Nacional aos Professores da Educação Básica por parte dos governantes. Estes outros fatores foram detectados por pesquisas feitas em Escolas como: políticas inadequadas da escola para casos de indisciplina; atitude e comportamento dos administradores; avaliação dos administradores e supervisores; atitude e comportamento de outros professores e profissionais; carga de trabalho excessiva; oportunidades de carreira pouco interessantes; baixo status da profissão de professor; falta de reconhecimento por uma boa aula ou por estar ensinando bem; alunos barulhentos e totalmente sem limites; lidar com os pais, entre outros. Esta mesma pesquisa identificou os sintomas que são percebidos imediantamente: sentimento de exaustão; sentimento de frustração; sentimento de incapacidade; carregar o estresse para casa; sentir-se culpado por não fazer o bastante; irritabilidade.
Desta forma, o mais importante elo neste complexo trabalho de transportar as crianças do hoje para o amanhã, de forma a transformá-las em cidadãos dignos, respeitados e em condições de enfrentar as adversidades da vida de forma positiva, vencendo as resistências naturais às suas conquistas individuais.
Preservar o Professor de doenças sociais, como é o caso da Sídrome de Burnout, é uma tarefa para os políticos, governantes e educacionistas bem intencionados e que não transformem a luta por uma educação de qualidade em plataformas demagógicas de governo em suas campanhas eleitorais.
sábado, 21 de março de 2009
CAFÉ AQUÁRIO: CENTRO DE DECISÕES E INDECISÕES POLÍTICAS
NEIFF SATTE ALAM
Ainda muito cedo. O sol ainda sonolento começa a iluminar e aquecer a cidade. Pesadas cortinas de metal, gemendo como se fossem bocejos, abrem-se. São as pálpebras dos olhos da cidade que se abrem. Vêem-se, então, os vidros escondidos por estas cortinas metálicas que mais parecem o cristalino do globo ocular.
O Café Aquário(s) abre suas portas.
Aos poucos os primeiros clientes, os mesmos de todos os dias, começam a reunião descontraída em que o teor primeiro das conversas é a “flauta” dos rubro-negros sobre pos áureo-cerúleos e vice-versa, agora se somando a estes os flautistas fantasmas do clube tricolor fragatense.
Médicos, advogados, professores, vendedores de jornais socializam suas opiniões políticas. Começam com a política local e aos poucos avançam na política nacional. Nada escapa. A realidade e a fofoca se misturam. A conversa descomprometida pode, repentinamente, perder o ar amistoso e sons mais irados podem ser ouvidos entre os barulhos das xícaras e colheres e sob o perfume do café quente adoçado com gotinhas pelos mais obesos e fartas colheres de açúcar pelos magros.
A manhã avança. Passos apressados para tomar ligeiramente um cafezinho, passos lentos para matar o tempo e curtir um boa conversa com amigos e conhecidos.
Através dos vidros pernas roliças e bronzeadas são enaltecidas pelos freqüentadores mais assíduos e uma pequena escapadela de olhar pelos novatos. Nada escapa. Próximo ao horário de almoço, os carros das esposas começam a circular recolhendo os maridos que teimam em continuar a conversa por menos importante que seja.
Engraxates, pedintes, vendedores de bilhetes, especialistas em política e sociologia, “experts” em futebol alternam-se durante o dia. A cidade é passada a limpo. O Prefeito vai bem ou mal? O Lula irá para um terceiro mandato ? A gasolina é mais cara em Pelotas do que no Iraque? Os Senadores estarão blindando o seu Presidente? Todas estas perguntas têm respostas (que nem sempre serão iguais) prontas por algum especialista.
Até então considerado o Clube do Bolinha de Pelotas, em certas horas do dia, em determinados dias (sábados pela manhã), é invadido por membros do sexo feminino. Corajosamente e determinadas a furar o bloqueio masculino, as mulheres chegam junto ao balcão. Certo ar de superioridade e de enfrentamento é detectado pelos onipresentes tomadores de café. Olhares verticais e horizontais buscam “escaniar” aquelas mulheres que ousam invadir o território masculino (decidido não se sabem por quem ou por que) onde a maioria dos homens pode dizer coisas uns aos outros sem a interferência das esposas e namoradas.
Alguns psicólogos e psiquiatras diriam diferente: “- alguns homens preferem um vidro separando-os do sexo feminino!”Outros preferem dizer: “- O Café não é o lugar para mulher....da gente!”
De qualquer forma, sem aprofundar a análise o Café Aquário(s) é um grande divã para análise psicológica em grupo, segundo os entendidos em Cafés.
Bem, voltemos às mulheres freqüentadoras do Café. Depois de sorverem em pequenos goles o cafezinho e deixarem as impressões labiais em suas bordas, lançam, algumas, um desafiador olhar de quem demarcou um território alheio, inibiu a caboclada da aldeia e mostrou quem manda.
A saída é a melhor parte. Com passos curtos e estudados, olhando sem olhar, por entre alas que se abrem, saem triunfalmente do recinto e ganham a calçada. O silêncio que tomou conta dos presentes logo passa a murmúrio. Os especialistas começam a falar sobre aquela visita que já se torna muito comum. As mulheres estão começando a conquistar o Café Aquário(s).
Particularmente entendo ser uma evolução cultural, pois não podemos entender um lugar perfeito sem a presença do sexo feminino, conquistada a duras penas e enfrentado décadas de machismo provinciano, embora algumas mulheres evitem passar na calçada do Café, o ambiente vai se tornando mais humano, mais polido e as conversas mais diversificadas.
Não seria correto, quando se fechassem as pálpebras da cidade (que correspondem as cortinas metálicas que cobrem as vidraças do Café) que os murmúrios ecoando pelas paredes daquele ambiente vazio não tivessem vozes femininas harmonizando-se com vozes masculinas e dando uma tonalidade especial aos novos tempos. Talvez por este motivo o cafezinho esteja mais saboroso...
Em razão do processo em andamento da conquista do Café pelas mulheres, os homens resolveram encostar-se nos caules das palmeiras, formarem pequenos grupos, discutirem política, futebol, desenvolverem teses importantes sobre a natureza humana, colocarem-se em dia com os principais acontecimentos da Câmara de Vereadores, aliás, muito rica em fatos novos.
As palmeiras não podem ficar alheias a estes acontecimentos todos. Este florestamento urbano não tem como finalidade produzir celulose ou madeira para móveis, mas são ouvintes mudos das “falas” ditas junto às sombras que, embora ainda reduzidas, prometem um futuro promissor.
O assunto caseiro ficou por conta da dança de cadeiras (não das cadeiras) no Paço Municipal. Algumas palmeiras ficaram revoltadas com o que tiveram que ouvir e não puderam nem evitar servirem de encosto aos cientistas políticos de plantão, apenas balançaram suas folhas em protesto.
A vantagem das palmeiras é que o pessoal não precisa esperar que abram as portas do Café – os madrugadores estão garantidos – e os boêmios poderão lá permanecer mesmo depois que suas cortinas tiverem dado boa noite a todos, afinal, “minha terra tem palmeiras...”, finalmente.
Ao final da tarde já não há mais espaço para ninguém. O café tem que se multiplicar por milagre para atender a demanda. Aos poucos todos vão embora, bem, quase todos. Alguns ficam teimosamente até as cortinas começarem a se fechar. A cidade quer dormir. As pesadas cortinas metálicas começam a se fechar como pálpebras gigantescas a cobrir os olhos desta cidade que inicia seu sono. Dentro do café somente ficam os murmúrios e os ecos das palavras que descreveram o dia da cidade e,entre sonhos e pesadelos, prepara-se para um novo dia...e para uma nova era! A era em que as mulheres conquistaram o Café.
Ainda muito cedo. O sol ainda sonolento começa a iluminar e aquecer a cidade. Pesadas cortinas de metal, gemendo como se fossem bocejos, abrem-se. São as pálpebras dos olhos da cidade que se abrem. Vêem-se, então, os vidros escondidos por estas cortinas metálicas que mais parecem o cristalino do globo ocular.
O Café Aquário(s) abre suas portas.
Aos poucos os primeiros clientes, os mesmos de todos os dias, começam a reunião descontraída em que o teor primeiro das conversas é a “flauta” dos rubro-negros sobre pos áureo-cerúleos e vice-versa, agora se somando a estes os flautistas fantasmas do clube tricolor fragatense.
Médicos, advogados, professores, vendedores de jornais socializam suas opiniões políticas. Começam com a política local e aos poucos avançam na política nacional. Nada escapa. A realidade e a fofoca se misturam. A conversa descomprometida pode, repentinamente, perder o ar amistoso e sons mais irados podem ser ouvidos entre os barulhos das xícaras e colheres e sob o perfume do café quente adoçado com gotinhas pelos mais obesos e fartas colheres de açúcar pelos magros.
A manhã avança. Passos apressados para tomar ligeiramente um cafezinho, passos lentos para matar o tempo e curtir um boa conversa com amigos e conhecidos.
Através dos vidros pernas roliças e bronzeadas são enaltecidas pelos freqüentadores mais assíduos e uma pequena escapadela de olhar pelos novatos. Nada escapa. Próximo ao horário de almoço, os carros das esposas começam a circular recolhendo os maridos que teimam em continuar a conversa por menos importante que seja.
Engraxates, pedintes, vendedores de bilhetes, especialistas em política e sociologia, “experts” em futebol alternam-se durante o dia. A cidade é passada a limpo. O Prefeito vai bem ou mal? O Lula irá para um terceiro mandato ? A gasolina é mais cara em Pelotas do que no Iraque? Os Senadores estarão blindando o seu Presidente? Todas estas perguntas têm respostas (que nem sempre serão iguais) prontas por algum especialista.
Até então considerado o Clube do Bolinha de Pelotas, em certas horas do dia, em determinados dias (sábados pela manhã), é invadido por membros do sexo feminino. Corajosamente e determinadas a furar o bloqueio masculino, as mulheres chegam junto ao balcão. Certo ar de superioridade e de enfrentamento é detectado pelos onipresentes tomadores de café. Olhares verticais e horizontais buscam “escaniar” aquelas mulheres que ousam invadir o território masculino (decidido não se sabem por quem ou por que) onde a maioria dos homens pode dizer coisas uns aos outros sem a interferência das esposas e namoradas.
Alguns psicólogos e psiquiatras diriam diferente: “- alguns homens preferem um vidro separando-os do sexo feminino!”Outros preferem dizer: “- O Café não é o lugar para mulher....da gente!”
De qualquer forma, sem aprofundar a análise o Café Aquário(s) é um grande divã para análise psicológica em grupo, segundo os entendidos em Cafés.
Bem, voltemos às mulheres freqüentadoras do Café. Depois de sorverem em pequenos goles o cafezinho e deixarem as impressões labiais em suas bordas, lançam, algumas, um desafiador olhar de quem demarcou um território alheio, inibiu a caboclada da aldeia e mostrou quem manda.
A saída é a melhor parte. Com passos curtos e estudados, olhando sem olhar, por entre alas que se abrem, saem triunfalmente do recinto e ganham a calçada. O silêncio que tomou conta dos presentes logo passa a murmúrio. Os especialistas começam a falar sobre aquela visita que já se torna muito comum. As mulheres estão começando a conquistar o Café Aquário(s).
Particularmente entendo ser uma evolução cultural, pois não podemos entender um lugar perfeito sem a presença do sexo feminino, conquistada a duras penas e enfrentado décadas de machismo provinciano, embora algumas mulheres evitem passar na calçada do Café, o ambiente vai se tornando mais humano, mais polido e as conversas mais diversificadas.
Não seria correto, quando se fechassem as pálpebras da cidade (que correspondem as cortinas metálicas que cobrem as vidraças do Café) que os murmúrios ecoando pelas paredes daquele ambiente vazio não tivessem vozes femininas harmonizando-se com vozes masculinas e dando uma tonalidade especial aos novos tempos. Talvez por este motivo o cafezinho esteja mais saboroso...
Em razão do processo em andamento da conquista do Café pelas mulheres, os homens resolveram encostar-se nos caules das palmeiras, formarem pequenos grupos, discutirem política, futebol, desenvolverem teses importantes sobre a natureza humana, colocarem-se em dia com os principais acontecimentos da Câmara de Vereadores, aliás, muito rica em fatos novos.
As palmeiras não podem ficar alheias a estes acontecimentos todos. Este florestamento urbano não tem como finalidade produzir celulose ou madeira para móveis, mas são ouvintes mudos das “falas” ditas junto às sombras que, embora ainda reduzidas, prometem um futuro promissor.
O assunto caseiro ficou por conta da dança de cadeiras (não das cadeiras) no Paço Municipal. Algumas palmeiras ficaram revoltadas com o que tiveram que ouvir e não puderam nem evitar servirem de encosto aos cientistas políticos de plantão, apenas balançaram suas folhas em protesto.
A vantagem das palmeiras é que o pessoal não precisa esperar que abram as portas do Café – os madrugadores estão garantidos – e os boêmios poderão lá permanecer mesmo depois que suas cortinas tiverem dado boa noite a todos, afinal, “minha terra tem palmeiras...”, finalmente.
Ao final da tarde já não há mais espaço para ninguém. O café tem que se multiplicar por milagre para atender a demanda. Aos poucos todos vão embora, bem, quase todos. Alguns ficam teimosamente até as cortinas começarem a se fechar. A cidade quer dormir. As pesadas cortinas metálicas começam a se fechar como pálpebras gigantescas a cobrir os olhos desta cidade que inicia seu sono. Dentro do café somente ficam os murmúrios e os ecos das palavras que descreveram o dia da cidade e,entre sonhos e pesadelos, prepara-se para um novo dia...e para uma nova era! A era em que as mulheres conquistaram o Café.
O DEVER DA VERDADE
PAULO F. M. PACHECO
Professor aposentado.
Pelotas,RS
“Quem semeia ventos”...
A frase em destaque, publicada na Seção Cartas de um jornal, obviamente inconclusa, reclama o complemento: “Colhe tempestades”... Mas qual será a tempestade que se anuncia? Uma resposta fulminante nas urnas ou uma “suave” revolução cruenta? O íntegro governador Ildo Meneghethi, com a coragem cívica e a elegância mental que lhe eram peculiares, precedeu-nos em afirmar: “Sou contra todas as revoluções feitas neste país”.
Por sinal, a avalanche de mensagens conspiratórias, que correm pela Internet, não tem similar nos anais do hebetismo, roça à indelicadeza até para aqueles que têm uma posição de medianidade perfeita entre governo e oposição. Essas assacadilhas não prosperariam durante a ditadura, haja vista a presença do CENSOR, qual um corpo estranho, que se instalava na redação dos jornais, a impor silêncio ao único animal que fala: o homem.
Os sociólogos não podem ignorar, na condição de profetas do que já aconteceu, que o pior governo ainda é bem melhor do que a melhor das revoluções. Menos podem ainda, cotejar milhares de crimes de diversa tipificação, com 136 “desaparecimentos” ensejados por convicções políticas. Ademais, de onde promanam esses dados estatísticos? Como ignorarmos que todo fenômeno de patologia social semelha um iceberg, a esconder, no fundo das águas fundas, o real tamanho das atrocidades cometidas?
Comumente deflagradas por idealistas, as revoluções perdem o rumo e acabam devorando os próprios filhos. Causam mais danos psíquicos aos patrícios do que uma guerra externa, dando ensanchas, também, a que indivíduos de mau caráter, capazes das ações mais abomináveis se infiltrem na cadeia de comando.
No momento em que alguns povos, na ânsia de fazerem sua recopilação histórica, exumam louçaria ou recolhem restos de batalhas, cresce-nos a impressão de que nos resta cada vez menos tempo para que, na condição de testemunhas oculares, expliquemos o porquê das baionetas “caladas” terem se transformado em baionetas “falantes”. Testemunhas presenciais, basta assumirmos o compromisso com a verdade. Compromisso que é, sobretudo, com as gerações vindouras, para que não permaneçam tão alheias como a atual, que por desencanto ou falta de estímulo parece não se interessar por mais nada.
Já decorreram 45 anos daquele movimento de 1964, tempo suficiente para que nosso testemunho seja isento de paixões. “E depoimento é depoimento, quem quiser que o conteste e dê sua versão” – pontificou Carlos Lacerda.
Durante o período de exceção, presenciamos tanto vilanias quanto assomos de grandeza, que merecem ser relatados. Necessário ouvirmos a direita e a esquerda, afastarmos os facciosismos, para que não mais se diga que ninguém logrou mudar tanto o curso da História como os historiadores.
Professor aposentado.
Pelotas,RS
“Quem semeia ventos”...
A frase em destaque, publicada na Seção Cartas de um jornal, obviamente inconclusa, reclama o complemento: “Colhe tempestades”... Mas qual será a tempestade que se anuncia? Uma resposta fulminante nas urnas ou uma “suave” revolução cruenta? O íntegro governador Ildo Meneghethi, com a coragem cívica e a elegância mental que lhe eram peculiares, precedeu-nos em afirmar: “Sou contra todas as revoluções feitas neste país”.
Por sinal, a avalanche de mensagens conspiratórias, que correm pela Internet, não tem similar nos anais do hebetismo, roça à indelicadeza até para aqueles que têm uma posição de medianidade perfeita entre governo e oposição. Essas assacadilhas não prosperariam durante a ditadura, haja vista a presença do CENSOR, qual um corpo estranho, que se instalava na redação dos jornais, a impor silêncio ao único animal que fala: o homem.
Os sociólogos não podem ignorar, na condição de profetas do que já aconteceu, que o pior governo ainda é bem melhor do que a melhor das revoluções. Menos podem ainda, cotejar milhares de crimes de diversa tipificação, com 136 “desaparecimentos” ensejados por convicções políticas. Ademais, de onde promanam esses dados estatísticos? Como ignorarmos que todo fenômeno de patologia social semelha um iceberg, a esconder, no fundo das águas fundas, o real tamanho das atrocidades cometidas?
Comumente deflagradas por idealistas, as revoluções perdem o rumo e acabam devorando os próprios filhos. Causam mais danos psíquicos aos patrícios do que uma guerra externa, dando ensanchas, também, a que indivíduos de mau caráter, capazes das ações mais abomináveis se infiltrem na cadeia de comando.
No momento em que alguns povos, na ânsia de fazerem sua recopilação histórica, exumam louçaria ou recolhem restos de batalhas, cresce-nos a impressão de que nos resta cada vez menos tempo para que, na condição de testemunhas oculares, expliquemos o porquê das baionetas “caladas” terem se transformado em baionetas “falantes”. Testemunhas presenciais, basta assumirmos o compromisso com a verdade. Compromisso que é, sobretudo, com as gerações vindouras, para que não permaneçam tão alheias como a atual, que por desencanto ou falta de estímulo parece não se interessar por mais nada.
Já decorreram 45 anos daquele movimento de 1964, tempo suficiente para que nosso testemunho seja isento de paixões. “E depoimento é depoimento, quem quiser que o conteste e dê sua versão” – pontificou Carlos Lacerda.
Durante o período de exceção, presenciamos tanto vilanias quanto assomos de grandeza, que merecem ser relatados. Necessário ouvirmos a direita e a esquerda, afastarmos os facciosismos, para que não mais se diga que ninguém logrou mudar tanto o curso da História como os historiadores.
domingo, 25 de janeiro de 2009
O olhar das crianças
Neiff Satte Alam
Foguetes com ogivas destruidoras cruzaram, cruzam e ainda cruzarão por muito tempo os céus de todos os continentes. Ruídos ensurdecedores, fogo, estilhaços, prédios desmoronando e corpos sangrando, mutilados e muitos já sem vida. Fome, sede, perda da dignidade e perda da esperança é o resultado destas atrocidades cometidas por governos que se consideram acima do bem e do mal.
Populações inteiras são dizimadas ou colocadas na marginalidade do planeta, os judeus de ontem são os palestinos de hoje, o fanatismo religioso ultrapassa os limites do bom senso e da lógica, os céus de Cabul, de Bagdá, de Kosovo e de tantas outras cidades pelo mundo todo transformaram-se no inferno das bombas arremessadas com o destino certo de eliminar populações inteiras como se os seres humanos fossem peças descartáveis e substituíveis.
Uma “ciência sem rosto” a serviço de senhores inescrupulosos, que se dedicam a traçar o destino da humanidade pela força das armas, cria os instrumentos da morte e da dor. O conhecimento acumulado pela humanidade por séculos é capaz de causar mais sofrimento e dor do que resolver os problemas do homem como a fome e as doenças.
Sentamo-nos frente a um aparelho de televisão e vemos, em tempo real e com som local, a destruição lenta e progressiva de civilizações que formaram o nascedouro da civilização atual. As pessoas sendo imoladas como se um ritual de sacrifício humano fosse necessário para provar quem é mais forte ou quem tem o poder de decidir o destino da humanidade.
Mas tudo isto não se iguala ao sofrimento que se percebe nos olhos das crianças. Crianças judias, palestinas, afegãs, iraquianas e todas as demais. Em meio aos escombros, junto aos cadáveres dos pais e de seus irmãos, no frio da noite ou no calor de um sol por vezes implacável ou no colo de suas mães em desespero sempre se vê os inocentes olhos das crianças, olhos que não sabem mais chorar, olhos que transmitiram aos seus pequenos cérebros as imagens do terror, olhos que pedem ajuda, proteção e em desespero fazem orações que só seus pequenos coraçõezinhos poderão dizer, pois não se traduzem em palavras de nenhum idioma, mas que em qualquer idioma se poderá entender.
Crianças com seus olhos tristes, lábios selados e sem forças para chorar, que poderiam ter nascido em qualquer lugar do mundo, mas que selaram seus destinos em lugares transfigurados pela guerra insana, pelo domínio do fanatismo irracional e pela disputa entre quem tem mais força e poder. Crianças que são o patrimônio da humanidade. Quando os foguetes cruzarem os céus com suas ogivas mortíferas os destinos de milhões de crianças no mundo inteiro estará selado, pois estarão levando a morte do futuro, futuro representado pelas crianças de hoje, crianças de olhar triste de olhos que não conseguem mais chorar...
Foguetes com ogivas destruidoras cruzaram, cruzam e ainda cruzarão por muito tempo os céus de todos os continentes. Ruídos ensurdecedores, fogo, estilhaços, prédios desmoronando e corpos sangrando, mutilados e muitos já sem vida. Fome, sede, perda da dignidade e perda da esperança é o resultado destas atrocidades cometidas por governos que se consideram acima do bem e do mal.
Populações inteiras são dizimadas ou colocadas na marginalidade do planeta, os judeus de ontem são os palestinos de hoje, o fanatismo religioso ultrapassa os limites do bom senso e da lógica, os céus de Cabul, de Bagdá, de Kosovo e de tantas outras cidades pelo mundo todo transformaram-se no inferno das bombas arremessadas com o destino certo de eliminar populações inteiras como se os seres humanos fossem peças descartáveis e substituíveis.
Uma “ciência sem rosto” a serviço de senhores inescrupulosos, que se dedicam a traçar o destino da humanidade pela força das armas, cria os instrumentos da morte e da dor. O conhecimento acumulado pela humanidade por séculos é capaz de causar mais sofrimento e dor do que resolver os problemas do homem como a fome e as doenças.
Sentamo-nos frente a um aparelho de televisão e vemos, em tempo real e com som local, a destruição lenta e progressiva de civilizações que formaram o nascedouro da civilização atual. As pessoas sendo imoladas como se um ritual de sacrifício humano fosse necessário para provar quem é mais forte ou quem tem o poder de decidir o destino da humanidade.
Mas tudo isto não se iguala ao sofrimento que se percebe nos olhos das crianças. Crianças judias, palestinas, afegãs, iraquianas e todas as demais. Em meio aos escombros, junto aos cadáveres dos pais e de seus irmãos, no frio da noite ou no calor de um sol por vezes implacável ou no colo de suas mães em desespero sempre se vê os inocentes olhos das crianças, olhos que não sabem mais chorar, olhos que transmitiram aos seus pequenos cérebros as imagens do terror, olhos que pedem ajuda, proteção e em desespero fazem orações que só seus pequenos coraçõezinhos poderão dizer, pois não se traduzem em palavras de nenhum idioma, mas que em qualquer idioma se poderá entender.
Crianças com seus olhos tristes, lábios selados e sem forças para chorar, que poderiam ter nascido em qualquer lugar do mundo, mas que selaram seus destinos em lugares transfigurados pela guerra insana, pelo domínio do fanatismo irracional e pela disputa entre quem tem mais força e poder. Crianças que são o patrimônio da humanidade. Quando os foguetes cruzarem os céus com suas ogivas mortíferas os destinos de milhões de crianças no mundo inteiro estará selado, pois estarão levando a morte do futuro, futuro representado pelas crianças de hoje, crianças de olhar triste de olhos que não conseguem mais chorar...
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
PAPAI NOEL EXISTE
NEIFF SATTE ALAM
É dura esta vida de Papai Noel. Início de inverno, uma neve gostosa, a lareira funcionando e estalando com esta lenha ardendo e tenho que subir neste trenó ridículo, com renas que não estão nem um pouquinho satisfeitas de terem que sair voando por este mundo a fora.
Querem saber mais de meus problemas?
Bem, os meus assistentes para o Brasil e o resto da América do Sul entraram em greve, dizem que, se não receberem hora extra em dobro para trabalhar na noite de Natal, não movimentam um dedo para a distribuição de presentes; tem ainda a insalubridade e periculosidade, pois sobrevoar a área dominada pelas FARC é um risco permanente, somente no ano passado cinco trenós foram abatidos por serem confundidos com aeronaves do governo; ainda há o enorme risco de descerem chaminés estreitas, alguns assessores ficaram trancados por vários meses em chaminés de lareiras que nem são utilizadas, pois, em razão do clima de algumas regiões do Brasil e de outros países da América do Sul, servem apenas como enfeite; um trenó desceu equivocadamente no Estádio do Morumbi, em São Paulo, a roubalheira num jogo era tamanha que roubaram as renas e todos os presentes e o seguro não foi pago até hoje.
Não adianta reclamar, tenho mesmo que por esta roupa vermelha com pele branca e este gorro bicudo com um pompom na ponta, ensaiar aquela risada característica – HO HO HO, atrelar as renas especiais e sair voando por aí.
A chegada no Brasil foi um problema, pois a temperatura de mais de 35 graus me desidratou e tive que ficar um dia inteiro por conta do SUS em uma cidadezinha do Piauí e as renas foram apreendidas pelo IBAMA, até que provasse que Papai Noel existia e que não era São Nicolau, tive ameaça de prisão, mas não me livrei de um pagamento efetivo de multa por maltrato de animais e por contrabando de brinquedos.
Dois dias depois fui interceptado pelo pessoal do Conselho da Criança e do Adolescente e tive que dar explicações sobre a discriminação na hora de dar os presentes, pois algumas crianças recebem presentes mais caros, outras mais baratos e muitas sequer recebem. Fui obrigado a dar uma aula de neoliberalismo, globalização, capitalismo, socialismo, escotismo, política e até de ufologia, pois como explicar minhas aparições simultâneas em milhares de lares em uma única noite? Claro que isto não expliquei, faz parte do segredo profissional do Papai Noel.
De qualquer maneira, pretendo cumprir meu papel, mesmo que muitos pais fiquem dizendo às criancinhas que não existo. Se eu não existisse, como as lojas venderiam tantos brinquedos? Como existiriam tantos imitadores (horríveis, diga-se de passagem) espalhados pelo mundo? Papai Noel existe, sim! Alguns são bem aquinhoados, muitos assalariados, muitos desempregados, mas existe. Não usam roupa vermelha com peles brancas, não possuem trenó com renas, não entram pelas chaminés das casas, mas, como o Papai Noel desta história, têm enormes dificuldades para finalmente colocarem os presentes possíveis junto a cama dos pequeninos para que a ilusão do Natal não se perca, mas que fique gravada como um grande amor dos pais pelos filhos, mesmo tendo que enfrentar as maiores adversidades. Este foi o grande segredo que o Papai Noel não quis revelar: como chegar a todos os lares na mesma noite? Realmente Papai Noel existe, você se encontra com ele todos os dias do ano!
FELIZ NATAL A TODOS!
É dura esta vida de Papai Noel. Início de inverno, uma neve gostosa, a lareira funcionando e estalando com esta lenha ardendo e tenho que subir neste trenó ridículo, com renas que não estão nem um pouquinho satisfeitas de terem que sair voando por este mundo a fora.
Querem saber mais de meus problemas?
Bem, os meus assistentes para o Brasil e o resto da América do Sul entraram em greve, dizem que, se não receberem hora extra em dobro para trabalhar na noite de Natal, não movimentam um dedo para a distribuição de presentes; tem ainda a insalubridade e periculosidade, pois sobrevoar a área dominada pelas FARC é um risco permanente, somente no ano passado cinco trenós foram abatidos por serem confundidos com aeronaves do governo; ainda há o enorme risco de descerem chaminés estreitas, alguns assessores ficaram trancados por vários meses em chaminés de lareiras que nem são utilizadas, pois, em razão do clima de algumas regiões do Brasil e de outros países da América do Sul, servem apenas como enfeite; um trenó desceu equivocadamente no Estádio do Morumbi, em São Paulo, a roubalheira num jogo era tamanha que roubaram as renas e todos os presentes e o seguro não foi pago até hoje.
Não adianta reclamar, tenho mesmo que por esta roupa vermelha com pele branca e este gorro bicudo com um pompom na ponta, ensaiar aquela risada característica – HO HO HO, atrelar as renas especiais e sair voando por aí.
A chegada no Brasil foi um problema, pois a temperatura de mais de 35 graus me desidratou e tive que ficar um dia inteiro por conta do SUS em uma cidadezinha do Piauí e as renas foram apreendidas pelo IBAMA, até que provasse que Papai Noel existia e que não era São Nicolau, tive ameaça de prisão, mas não me livrei de um pagamento efetivo de multa por maltrato de animais e por contrabando de brinquedos.
Dois dias depois fui interceptado pelo pessoal do Conselho da Criança e do Adolescente e tive que dar explicações sobre a discriminação na hora de dar os presentes, pois algumas crianças recebem presentes mais caros, outras mais baratos e muitas sequer recebem. Fui obrigado a dar uma aula de neoliberalismo, globalização, capitalismo, socialismo, escotismo, política e até de ufologia, pois como explicar minhas aparições simultâneas em milhares de lares em uma única noite? Claro que isto não expliquei, faz parte do segredo profissional do Papai Noel.
De qualquer maneira, pretendo cumprir meu papel, mesmo que muitos pais fiquem dizendo às criancinhas que não existo. Se eu não existisse, como as lojas venderiam tantos brinquedos? Como existiriam tantos imitadores (horríveis, diga-se de passagem) espalhados pelo mundo? Papai Noel existe, sim! Alguns são bem aquinhoados, muitos assalariados, muitos desempregados, mas existe. Não usam roupa vermelha com peles brancas, não possuem trenó com renas, não entram pelas chaminés das casas, mas, como o Papai Noel desta história, têm enormes dificuldades para finalmente colocarem os presentes possíveis junto a cama dos pequeninos para que a ilusão do Natal não se perca, mas que fique gravada como um grande amor dos pais pelos filhos, mesmo tendo que enfrentar as maiores adversidades. Este foi o grande segredo que o Papai Noel não quis revelar: como chegar a todos os lares na mesma noite? Realmente Papai Noel existe, você se encontra com ele todos os dias do ano!
FELIZ NATAL A TODOS!
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Madeireiros destroem posto do Ibama no Pará
BRENO COSTA da Agência Folha
Depois da apreensão de 19 caminhões carregados com madeira extraída ilegalmente de uma terra indígena, madeireiros destruíram na noite de domingo (23), segundo a polícia, o posto do Ibama em Paragominas (220 km de Belém) e tentaram invadir o hotel onde cinco funcionários do órgão federal estavam hospedados. A Polícia Militar diz que 3.000 pessoas (o município tem 90 mil habitantes) participaram da manifestação. Na ação, todos os caminhões apreendidos, vindos da reserva indígena Alto Rio Guamá, na divisa com o Maranhão, foram levados embora. Até o início da noite de segunda-feira (24), nenhum havia sido recuperado. Os veículos estavam carregados com 400 metros cúbicos de madeira, ao todo. A maioria, segundo o Ibama, era maçaranduba, encontrada somente na área da reserva indígena.
No protesto, quatro carros do Ibama e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente foram incendiados, assim como documentos do órgão federal. Móveis e computadores do Ibama, que funciona em um prédio municipal, foram destruídos. O analista ambiental do Ibama Marco Antônio Vidal, que coordena a Operação Rastro Negro, de combate à ilegalidades na cadeia produtiva de carvão no Pará desde o fim de outubro e que resultou na apreensão dos caminhões, disse que os manifestantes também tentaram invadir o hotel onde ele e mais quatro funcionários do Ibama estavam hospedados.
Segundo ele, um trator chegou a ser usado para derrubar o portão de entrada do hotel, mas policiais conseguiram impedir a invasão, com o uso de bombas gás lacrimogêneo. Apesar dos distúrbios, ninguém havia sido preso até o início da noite de ontem. Segundo a polícia, o protesto começou por volta das 19h e só foi controlado quatro horas depois. O delegado Vicente Ferreira Gomes disse que a polícia de Paragominas não tinha efetivo suficiente para efetuar prisões, dado o número de pessoas envolvidas no protesto. Segundo ele, a perseguição aos 19 caminhões roubados não foi possível porque os carros da polícia não conseguiam passar pela multidão que tomou conta das ruas da cidade.
Ontem, o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) pediu ao colega Tarso Genro (Justiça) o envio de homens da Força Nacional de Segurança a Paragominas --uma das 36 listadas pelo Ministério do Meio Ambiente, em janeiro deste ano, como líder em desmatamento na região da Amazônia. O envio de reforço ainda não foi confirmado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, que coordena as ações da FNS, que já mantém um efetivo no Pará para reforçar a Operação Arco de Fogo. O presidente do Sindicato do Setor Florestal de Paragominas, Mário César Lombardi, que representa 40 madeireiras em funcionamento no município, disse que o ato foi isolado e não teve o apoio do sindicato.
Depois da apreensão de 19 caminhões carregados com madeira extraída ilegalmente de uma terra indígena, madeireiros destruíram na noite de domingo (23), segundo a polícia, o posto do Ibama em Paragominas (220 km de Belém) e tentaram invadir o hotel onde cinco funcionários do órgão federal estavam hospedados. A Polícia Militar diz que 3.000 pessoas (o município tem 90 mil habitantes) participaram da manifestação. Na ação, todos os caminhões apreendidos, vindos da reserva indígena Alto Rio Guamá, na divisa com o Maranhão, foram levados embora. Até o início da noite de segunda-feira (24), nenhum havia sido recuperado. Os veículos estavam carregados com 400 metros cúbicos de madeira, ao todo. A maioria, segundo o Ibama, era maçaranduba, encontrada somente na área da reserva indígena.
No protesto, quatro carros do Ibama e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente foram incendiados, assim como documentos do órgão federal. Móveis e computadores do Ibama, que funciona em um prédio municipal, foram destruídos. O analista ambiental do Ibama Marco Antônio Vidal, que coordena a Operação Rastro Negro, de combate à ilegalidades na cadeia produtiva de carvão no Pará desde o fim de outubro e que resultou na apreensão dos caminhões, disse que os manifestantes também tentaram invadir o hotel onde ele e mais quatro funcionários do Ibama estavam hospedados.
Segundo ele, um trator chegou a ser usado para derrubar o portão de entrada do hotel, mas policiais conseguiram impedir a invasão, com o uso de bombas gás lacrimogêneo. Apesar dos distúrbios, ninguém havia sido preso até o início da noite de ontem. Segundo a polícia, o protesto começou por volta das 19h e só foi controlado quatro horas depois. O delegado Vicente Ferreira Gomes disse que a polícia de Paragominas não tinha efetivo suficiente para efetuar prisões, dado o número de pessoas envolvidas no protesto. Segundo ele, a perseguição aos 19 caminhões roubados não foi possível porque os carros da polícia não conseguiam passar pela multidão que tomou conta das ruas da cidade.
Ontem, o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) pediu ao colega Tarso Genro (Justiça) o envio de homens da Força Nacional de Segurança a Paragominas --uma das 36 listadas pelo Ministério do Meio Ambiente, em janeiro deste ano, como líder em desmatamento na região da Amazônia. O envio de reforço ainda não foi confirmado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, que coordena as ações da FNS, que já mantém um efetivo no Pará para reforçar a Operação Arco de Fogo. O presidente do Sindicato do Setor Florestal de Paragominas, Mário César Lombardi, que representa 40 madeireiras em funcionamento no município, disse que o ato foi isolado e não teve o apoio do sindicato.
sábado, 22 de novembro de 2008
GREVE JUSTA
Juremir Machado da Silva - Correio do Povo de 20/11/2008
O magistério estadual gaúcho entrou em greve. Mas o governo achou-se incompreendido. Dado que uma lei federal estabeleceu piso salarial, como salário inicial, no valor de R$ 950,00, as autoridades do Rio Grande do Sul trataram de interpretar de outra forma o espírito dessa medida, contrariando o bom senso e a língua portuguesa, para defender os interesses dos nossos professores. Não entenderam? Acham que estou ficando louco? Explicarei. O governo gaúcho ficou preocupado com a possibilidade de os professores começarem a ganhar um pouco mais. Nem se trata de ganhar bem, muito bem ou suficientemente. É bem mais simples. Ganhar a partir de R$950,00 complica.
Esmiuçarei o que parece serem as razões profundas, embora jamais reveladas, dos nossos representantes e gestores. As razões superficiais são conhecidas: falta de recursos, sistema inchado e necessidade de não abalar o ajuste fiscal em curso. As razões que aqui chamo de profundas são mais interessantes. Se um professor em começo de carreira ganhar R$ 950,00, quanto receberá, acrescentando-se vantagens, um profissional com 20 anos de carreira? Pode, quem sabe, chegar a R$ 2 mil. Já imaginaram? Aí se tornaria perigoso. Professor com salário razoável pode começar a fazer coisas impensadas, tomar atitudes impulsivas, agir de modo precipitado.
Entre as ações perigosas que podem resultar de uma elevação substancial de salário encontram-se ir ao cinema com mais freqüência (ou simplesmente ir ao cinema), comprar música e, pasmem, adquirir braçadas de obras na Feira do Livro. Bem, braçadas mesmo, convenhamos, não daria, salvo em balaios, mas ainda assim haveria o risco de um aumento vertiginoso na aquisição de livros. É sabido que professores com muita leitura causam problemas. Ficam sabichões, até arrogantes, ensinam melhor e podem até fazer com que os alunos de escolas públicas se tornem verdadeiros concorrentes de alunos de escolas privadas em vestibulares ou outros gêneros de concursos. Ouvi dizer, embora sem confirmação, que já tinha professor pensando em viajar graças ao piso salarial (salário inicial). Não deve ser verdade. Livros e viagens já é demais!
Outro item contestado pelos nossos protetores diz respeito ao tempo necessário para atividades fora de sala de aula (preparação, correção de provas e outros passatempos levados para casa). Segundo o governo, isso exigiria contratar mais 27 mil professores. Não haveria dinheiro para isso. Sugere-se, então, que o magistério continue a praticar uma tradição de sacrifício, trabalhando de graça no aconchego do lar pelo bem público e pelo sacerdócio do ensino. Afinal, ser professor deve ser padecer na sala de aula e ainda levar trabalho para casa. Claro que os governantes não se reconhecerão nestas linhas. Mesmo assim, frios e estatísticos, pedirão como sempre cautela, pragmatismo e realismo a quem passa a vida esperando o famoso 'agora vai'. Aí, quando vai um pouquinho, inacreditavelmente, o governo não quer pagar.
A greve só podia ser justa. Mais do que isso, justíssima, legítima, além, claro, de ser legal. Em governo de intelectual, costuma ser assim: a educação fica em segundo lugar mesmo parecendo estar em primeiro. Foi assim com FHC. As universidades públicas foram abandonadas. No Rio Grande do Sul, educação e cultura só têm levado tranco. Quando não tem outro jeito, é preciso meter o pé na porta. Piso é salário inicial.
O magistério estadual gaúcho entrou em greve. Mas o governo achou-se incompreendido. Dado que uma lei federal estabeleceu piso salarial, como salário inicial, no valor de R$ 950,00, as autoridades do Rio Grande do Sul trataram de interpretar de outra forma o espírito dessa medida, contrariando o bom senso e a língua portuguesa, para defender os interesses dos nossos professores. Não entenderam? Acham que estou ficando louco? Explicarei. O governo gaúcho ficou preocupado com a possibilidade de os professores começarem a ganhar um pouco mais. Nem se trata de ganhar bem, muito bem ou suficientemente. É bem mais simples. Ganhar a partir de R$950,00 complica.
Esmiuçarei o que parece serem as razões profundas, embora jamais reveladas, dos nossos representantes e gestores. As razões superficiais são conhecidas: falta de recursos, sistema inchado e necessidade de não abalar o ajuste fiscal em curso. As razões que aqui chamo de profundas são mais interessantes. Se um professor em começo de carreira ganhar R$ 950,00, quanto receberá, acrescentando-se vantagens, um profissional com 20 anos de carreira? Pode, quem sabe, chegar a R$ 2 mil. Já imaginaram? Aí se tornaria perigoso. Professor com salário razoável pode começar a fazer coisas impensadas, tomar atitudes impulsivas, agir de modo precipitado.
Entre as ações perigosas que podem resultar de uma elevação substancial de salário encontram-se ir ao cinema com mais freqüência (ou simplesmente ir ao cinema), comprar música e, pasmem, adquirir braçadas de obras na Feira do Livro. Bem, braçadas mesmo, convenhamos, não daria, salvo em balaios, mas ainda assim haveria o risco de um aumento vertiginoso na aquisição de livros. É sabido que professores com muita leitura causam problemas. Ficam sabichões, até arrogantes, ensinam melhor e podem até fazer com que os alunos de escolas públicas se tornem verdadeiros concorrentes de alunos de escolas privadas em vestibulares ou outros gêneros de concursos. Ouvi dizer, embora sem confirmação, que já tinha professor pensando em viajar graças ao piso salarial (salário inicial). Não deve ser verdade. Livros e viagens já é demais!
Outro item contestado pelos nossos protetores diz respeito ao tempo necessário para atividades fora de sala de aula (preparação, correção de provas e outros passatempos levados para casa). Segundo o governo, isso exigiria contratar mais 27 mil professores. Não haveria dinheiro para isso. Sugere-se, então, que o magistério continue a praticar uma tradição de sacrifício, trabalhando de graça no aconchego do lar pelo bem público e pelo sacerdócio do ensino. Afinal, ser professor deve ser padecer na sala de aula e ainda levar trabalho para casa. Claro que os governantes não se reconhecerão nestas linhas. Mesmo assim, frios e estatísticos, pedirão como sempre cautela, pragmatismo e realismo a quem passa a vida esperando o famoso 'agora vai'. Aí, quando vai um pouquinho, inacreditavelmente, o governo não quer pagar.
A greve só podia ser justa. Mais do que isso, justíssima, legítima, além, claro, de ser legal. Em governo de intelectual, costuma ser assim: a educação fica em segundo lugar mesmo parecendo estar em primeiro. Foi assim com FHC. As universidades públicas foram abandonadas. No Rio Grande do Sul, educação e cultura só têm levado tranco. Quando não tem outro jeito, é preciso meter o pé na porta. Piso é salário inicial.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
S.O.S. AOS PROFESSORES!
Neiff Satte Alam
Início da manhã. A criançada encontra os portões das Escolas fechados e os professores, junto à entrada, tentam explicar suas contrariedades quanto ao tratamento recebido pelo Governo do Estado nas tentativas de negociação. Pais e crianças parecem não entender, pois os filhos terão que voltar para casa e sua educação começa a ficar comprometida. Não sabem os pais que o comprometimento com a qualidade de ensino é mais responsabilidade de governantes, que não desenvolvem políticas públicas para a educação de acordo com as necessidades mínimas dos professores, do que com estes, que lutam permanentemente para manter um mínimo de qualidade no seu trabalho, mas que tem resultados aviltados pelas condições indignas a que são submetidos estes profissionais em educação.
Não podemos ignorar que a qualidade do ensino está associada a condições adequadas de vida do Professor. Professores que não possuem condições financeiras para comprarem livros, que não têm acesso às novas tecnologias, que não têm recursos para usufruírem um bom plano de saúde e que ainda têm que enfrentar uma fantástica violência dentro das escolas patrocinada por alunos que não mais respeitam a condição de professor destes profissionais, não podem realizar um trabalho dentro da expectativa que dele se tem, pois, estressados, com baixa auto-estima e totalmente abandonado por governantes que têm como parâmetro apenas questões econômicas a serem resolvidas e que consideram educação como despesa a ser reduzida para que o Estado tenha déficits zerados.
Senhores pais, quando chegarem a Escola e encontrarem os portões fechados, não lancem sua raiva e frustração sobre os ombros dos professores, pois estão lutando por condições dignas de trabalho para melhor atenderem seus filhos, para que estes possam sair da Escola melhores do que entraram. Pensem, ainda, neste tempo em que os professores estão lutando tanto por eles como por seus alunos, como poderão contribuir para que uma greve corajosamente desencadeada atinja seus objetivos, pois os resultados positivos destes movimentos sempre serão no sentido de beneficiar os alunos, não apenas o professor.
Aluno, quando encontrares os portões fechados te junta a teus colegas e começa a fazer uma análise de atitudes e comportamentos que possam alterar a relação com os professores, pois, nos últimos tempos, tem havido um conflito no interior das Escolas em que todos perdem, principalmente os alunos, pois perdem a oportunidade de usufruir do saber que o professor proporciona na sua tarefa de construção de conhecimentos e competências.
Todos têm que entender que o professor trabalha com material mais importante do planeta: a mente das pessoas, logo, tem que ser recompensado pelo seu trabalho e apoiado quando se rebela contra os que tentam impedir ou dificultar o exercício desta importante tarefa. São os únicos profissionais que podem encaminhar uma melhora para as condições de vida no Planeta, pois são os responsáveis pela formação da mente das pessoas que, no futuro, farão a diferença.
Início da manhã. A criançada encontra os portões das Escolas fechados e os professores, junto à entrada, tentam explicar suas contrariedades quanto ao tratamento recebido pelo Governo do Estado nas tentativas de negociação. Pais e crianças parecem não entender, pois os filhos terão que voltar para casa e sua educação começa a ficar comprometida. Não sabem os pais que o comprometimento com a qualidade de ensino é mais responsabilidade de governantes, que não desenvolvem políticas públicas para a educação de acordo com as necessidades mínimas dos professores, do que com estes, que lutam permanentemente para manter um mínimo de qualidade no seu trabalho, mas que tem resultados aviltados pelas condições indignas a que são submetidos estes profissionais em educação.
Não podemos ignorar que a qualidade do ensino está associada a condições adequadas de vida do Professor. Professores que não possuem condições financeiras para comprarem livros, que não têm acesso às novas tecnologias, que não têm recursos para usufruírem um bom plano de saúde e que ainda têm que enfrentar uma fantástica violência dentro das escolas patrocinada por alunos que não mais respeitam a condição de professor destes profissionais, não podem realizar um trabalho dentro da expectativa que dele se tem, pois, estressados, com baixa auto-estima e totalmente abandonado por governantes que têm como parâmetro apenas questões econômicas a serem resolvidas e que consideram educação como despesa a ser reduzida para que o Estado tenha déficits zerados.
Senhores pais, quando chegarem a Escola e encontrarem os portões fechados, não lancem sua raiva e frustração sobre os ombros dos professores, pois estão lutando por condições dignas de trabalho para melhor atenderem seus filhos, para que estes possam sair da Escola melhores do que entraram. Pensem, ainda, neste tempo em que os professores estão lutando tanto por eles como por seus alunos, como poderão contribuir para que uma greve corajosamente desencadeada atinja seus objetivos, pois os resultados positivos destes movimentos sempre serão no sentido de beneficiar os alunos, não apenas o professor.
Aluno, quando encontrares os portões fechados te junta a teus colegas e começa a fazer uma análise de atitudes e comportamentos que possam alterar a relação com os professores, pois, nos últimos tempos, tem havido um conflito no interior das Escolas em que todos perdem, principalmente os alunos, pois perdem a oportunidade de usufruir do saber que o professor proporciona na sua tarefa de construção de conhecimentos e competências.
Todos têm que entender que o professor trabalha com material mais importante do planeta: a mente das pessoas, logo, tem que ser recompensado pelo seu trabalho e apoiado quando se rebela contra os que tentam impedir ou dificultar o exercício desta importante tarefa. São os únicos profissionais que podem encaminhar uma melhora para as condições de vida no Planeta, pois são os responsáveis pela formação da mente das pessoas que, no futuro, farão a diferença.
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
O MUNDO É UM MERCADO - GURVITZ, VIAJANTE E GOURMET
O MUNDO É UM MERCADO
VIAGENS E GASTRONOMIA
Ricardo Gurvitz viajante e gourmet
Você comeu seu arroz hoje? Assim dizem os chineses ao nosso conhecido BOM DIA.
Não há regra sem exceção - Hamburgo, Alemanha
Não sou um especialista em religiões. Acredito que dentro da minha cabeça funciona quase como torcida de futebol: todos deveriam, se respeitar, mas não o fazem. Todos julgam que a sua é a verdadeira; isto levaria para um empate.
Muitas vezes, parece que o juiz dá uma ajudazinha para algum dos times, e o outro sempre xinga sua mãe. Muitas deveriam levar cartão vermelho, porque mentem que estão pregando o bem quando na verdade, estão semeando a guerra. Mas isto é problema de cada um.
Vemos claramente que, em muitas, as palavras de ordem colocadas para o time não se refletem nos cartolas, os quais retiram tudo o que podem de seus comandados, enquanto fazem a contra-mão em suas vidas particulares. Mas isto é só divagação. Não quero emitir nominalmente juízo de valores.
Quando estávamos conhecendo a cidade de Hamburgo, na Alemanha, fomos conhecer a maior igreja protestante da região, Saint Michaelis Church, impressionante com seus tijolos vermelhos.
Este prédio, agora, já é o terceiro, O primeiro foi construído em 1647; o segundo em 1768, e o atual foi reconstruído duas vezes; em 1906, após um incêndio, e após os bombardeios de 1944 e 1945
No entanto, com o meu pequeno conhecimento de suas leis, sabia que eles não aceitam a colocação de imagens em suas casas de oração. O guia da excursão, em sua explicação, disse que era a única igreja que apresentava esses ícones. Acima do portal, existe uma grande escultura feita de bronze do arcanjo conquistando o diabo. Se pode ou não pode, eu não sei. Mas que vale a pena visitá-la, isto eu posso garantir, independente se você faz parte daquele time ou não.
Troyes – um museu a céu aberto
Na capital da região de Champagne – França - Troyez é uma cidade moderna, que antigamente foi um caminho entre Flandres e a Itália, mas que conseguiu manter um centro antigo fenomenal.
Eles têm leis restritivas ao modernismo, naquela área. Nada, nada mesmo pode ser tocado sem passar pelas comissões de avaliação. As juntas não são de brincadeira. Não acontece como aqui, em que durante a noite um prédio é derrubado. Se o fizer, o proprietário terá que reconstruí-lo sem nenhuma modificação. E assim fará!
Naquela cidade, (já escrevi antes) há um shopping horizontal, somente com ponta de estoque das grandes grifes. Os exemplos são as lojas: Nike, Laura Ashley, Hugo Boss, Kenzo, Yves Saint-Lauretnt, Jean-Paul Gaultier e outros tantos. Ali não há cartão de crédito que resista. São peças de uma qualidade inigualável a preços também inigualáveis.
Entretanto, o que me fez voltar a escrever sobre aquele centro antigo foi o fato de que, durante um passeio pela internet, achei uma foto semelhante à que eu havia tirado no mesmo lugar, só que em outra estação.
A da internet deve ter sido feita em uma temporada mais tépida, pois colocaram mesas na rua e os personagens estavam de camisa
de mangas curtas. Na minha foto, eu e Christina estamos vestidos como uma cebola, pois em outros pontos da cidade ainda havia neve na rua.
Charles Jenner veio do sul da Escócia para trabalhar como cortineiro. Pediu um dia de licença para ir às corridas de cavalo e acabou por ser despedido. Resolveu, então, trabalhar por conta própria e abriu uma loja que acabou por ser considerada uma instituição.
Colocada bem no centro de Edimburgo, na rua principal, esta loja foi criada em 1838, na 47 Princes Street. Cresceu e talvez seja a primeira loja de departamentos da Europa e não se sabe se não foi a primeira do mundo.
É uma delícia caminhar pelos vários andares da loja, cujo interior possui várias sacadas. Até os vendedores parece que ainda estão na época da inauguração. Poderíamos chamar de a Harrods escocesa. Houve um grande incêndio em 1890 e esta foi totalmente reconstruída.
Infelizmente, o Sr. Charles Jennes não conseguiu ver a reinauguração. Atualmente, ocupa o 47 e o 48 da Princess Street e o2, 4, 6, 8, 10, 12, 14 e 16 da South Street St David. Foi modernizada com toaletes e escadas rolantes. Imperdível!
Essa é a minha opinião, depois de ter visitado cinqüenta países.
e- mail: mercadoricardo@terra.com.br
VIAGENS E GASTRONOMIA
Ricardo Gurvitz viajante e gourmet
Você comeu seu arroz hoje? Assim dizem os chineses ao nosso conhecido BOM DIA.
Não há regra sem exceção - Hamburgo, Alemanha
Não sou um especialista em religiões. Acredito que dentro da minha cabeça funciona quase como torcida de futebol: todos deveriam, se respeitar, mas não o fazem. Todos julgam que a sua é a verdadeira; isto levaria para um empate.
Muitas vezes, parece que o juiz dá uma ajudazinha para algum dos times, e o outro sempre xinga sua mãe. Muitas deveriam levar cartão vermelho, porque mentem que estão pregando o bem quando na verdade, estão semeando a guerra. Mas isto é problema de cada um.
Vemos claramente que, em muitas, as palavras de ordem colocadas para o time não se refletem nos cartolas, os quais retiram tudo o que podem de seus comandados, enquanto fazem a contra-mão em suas vidas particulares. Mas isto é só divagação. Não quero emitir nominalmente juízo de valores.
Quando estávamos conhecendo a cidade de Hamburgo, na Alemanha, fomos conhecer a maior igreja protestante da região, Saint Michaelis Church, impressionante com seus tijolos vermelhos.
Este prédio, agora, já é o terceiro, O primeiro foi construído em 1647; o segundo em 1768, e o atual foi reconstruído duas vezes; em 1906, após um incêndio, e após os bombardeios de 1944 e 1945
No entanto, com o meu pequeno conhecimento de suas leis, sabia que eles não aceitam a colocação de imagens em suas casas de oração. O guia da excursão, em sua explicação, disse que era a única igreja que apresentava esses ícones. Acima do portal, existe uma grande escultura feita de bronze do arcanjo conquistando o diabo. Se pode ou não pode, eu não sei. Mas que vale a pena visitá-la, isto eu posso garantir, independente se você faz parte daquele time ou não.
Troyes – um museu a céu aberto
Na capital da região de Champagne – França - Troyez é uma cidade moderna, que antigamente foi um caminho entre Flandres e a Itália, mas que conseguiu manter um centro antigo fenomenal.
Eles têm leis restritivas ao modernismo, naquela área. Nada, nada mesmo pode ser tocado sem passar pelas comissões de avaliação. As juntas não são de brincadeira. Não acontece como aqui, em que durante a noite um prédio é derrubado. Se o fizer, o proprietário terá que reconstruí-lo sem nenhuma modificação. E assim fará!
Naquela cidade, (já escrevi antes) há um shopping horizontal, somente com ponta de estoque das grandes grifes. Os exemplos são as lojas: Nike, Laura Ashley, Hugo Boss, Kenzo, Yves Saint-Lauretnt, Jean-Paul Gaultier e outros tantos. Ali não há cartão de crédito que resista. São peças de uma qualidade inigualável a preços também inigualáveis.
Entretanto, o que me fez voltar a escrever sobre aquele centro antigo foi o fato de que, durante um passeio pela internet, achei uma foto semelhante à que eu havia tirado no mesmo lugar, só que em outra estação.
A da internet deve ter sido feita em uma temporada mais tépida, pois colocaram mesas na rua e os personagens estavam de camisa
de mangas curtas. Na minha foto, eu e Christina estamos vestidos como uma cebola, pois em outros pontos da cidade ainda havia neve na rua.
Charles Jenner veio do sul da Escócia para trabalhar como cortineiro. Pediu um dia de licença para ir às corridas de cavalo e acabou por ser despedido. Resolveu, então, trabalhar por conta própria e abriu uma loja que acabou por ser considerada uma instituição.
Colocada bem no centro de Edimburgo, na rua principal, esta loja foi criada em 1838, na 47 Princes Street. Cresceu e talvez seja a primeira loja de departamentos da Europa e não se sabe se não foi a primeira do mundo.
É uma delícia caminhar pelos vários andares da loja, cujo interior possui várias sacadas. Até os vendedores parece que ainda estão na época da inauguração. Poderíamos chamar de a Harrods escocesa. Houve um grande incêndio em 1890 e esta foi totalmente reconstruída.
Infelizmente, o Sr. Charles Jennes não conseguiu ver a reinauguração. Atualmente, ocupa o 47 e o 48 da Princess Street e o2, 4, 6, 8, 10, 12, 14 e 16 da South Street St David. Foi modernizada com toaletes e escadas rolantes. Imperdível!
Essa é a minha opinião, depois de ter visitado cinqüenta países.
e- mail: mercadoricardo@terra.com.br
ENSINAR MATEMÁTICA: UM DESAFIO CONSTANTE
Regina Al-Alam Elias (2005)
Ao se analisar o grande percentual de reprovação dos alunos em Matemática e, em especial os que chegam nas Universidades, não se pode perder de vista aspectos que, ao que parece, são fundamentais:
- São encontrados nas salas de aula, a cada ano, alunos inseridos em um sistema educacional repleto de deficiências de ordem política, estrutural, ambiental, má formação de professores, etc...
- Dentro deste contexto, a situação da Matemática é ainda agravada pelo fato de que os alunos, em número enorme, experimentaram fracasso nesta disciplina, oriundo do ensino desvinculado da realidade.
Nas salas de aula, os professores se deparam com a heterogeneidade de diversos tipos de alunos, as quais podem ser assim agrupadas:
1o grupo) Alunos bem dotados, de inteligência regular, estudiosos e que aproveitam bem o que lhes é transmitido, enriquecendo sua aprendizagem com suas próprias conclusões, pesquisas, estudos, etc...
2o grupo) Alunos menos inteligentes do que os do 1o grupo, não dotados de capacidades natas, com o ensino tão tradicionalmente abstrato quanto os que estão no primeiro grupo, porém que ficam com a pouca informação que recebem de alguns professores que encontram no seu caminho. São estudiosos, interessados e têm possibilidade de serem tão bons estudantes e profissionais quanto os que compõem o primeiro grupo.
3o grupo) Alunos que, inteligentes ou não, com capacidades bem ou mal desenvolvidas, não estudam, são malandros e não cumprem com o mínimo de seu dever e exigem todos os seus direitos.
Como seria lecionar aos três grupos?
Ensinar aos alunos do terceiro grupo é tarefa complicada, que muitas vezes não alcança resultados positivos, devido à complexidade das causas de tal comportamento. Cabe ao professor a ação conjunta com o grupo de professores de outras disciplinas e os serviços especializados das escolas para tentar ajudá-los a se inserir num dos outros dois grupos. Estes são os alunos que , muitas vezes, acabam sendo reprovados ou infreqüentes.
Ensinar aos alunos do primeiro grupo não apresenta maiores dificuldades, pois estes são alunos que aprendem "apesar" do professor, que estudam quase sozinhos, que pegam um livro e conseguem entender com facilidade o que está ali escrito. Eles aprendem sempre tudo. Quem já ultrapassou duas décadas de magistério pode afirmar que é muito fácil ensinar para esses alunos. No caso da Matemática, quando se inicia a mostrar ou demonstrar algum (ou qualquer um) dos itens do programa, tem-se a sensação de que aquele(s) aluno(s) "já ouviu(ram) falar nisto antes" pois ele(s) conclui(em) junto ou antes do próprio professor.
Oxalá só chegassem estes às mãos dos mestres...
Ensinar aos alunos do segundo grupo! Esta sim é uma tarefa árdua. São a maioria dos alunos. São os que precisam ser muito bem trabalhados em suas dificuldades iniciais, que precisam ser ajudados a sanar suas dúvidas e que, pelo esforço individual, sua vontade de vencer, vivendo em um país que se diz democrático, tem tanto direito quanto os outros, do primeiro grupo, de aprenderem, de vencerem, de serem bons alunos e, no futuro, bons profissionais. Há espaço para eles também.
Neste grupo encontram-se os alunos que querem aprender mas não conseguem se o professor não falar a linguagem deles. O professor precisa descer do seu pedestal, chegar até estes alunos, descobrir suas deficiências e saná-las sem culpar o professor das séries anteriores, "lavando" suas mãos e fugindo de suas verdadeiras responsabilidades .
Esta tarefa não é fácil. Nivelar os alunos menos privilegiados e, aparando as arestas, orientá-los na forma de estudar, ajudando-os a desenvolverem as potencialidades que eles possuem, colaborando para que eles avancem nos seus conhecimentos, esta sim é uma tarefa que exige alta competência técnica do professor. É aqui que o professor precisa de qualidades especiais para conseguir atingir estes alunos, que têm direito de aprender, pois não é justo que sejam colocados no nível dos que estão no terceiro grupo, rotulando-os de "incapazes" ou "casos perdidos".
Não basta para este professor ser profundo conhecedor da matéria que vai lecionar. Junto com a preocupação indispensável de aprofundar os conhecimentos na sua área, ele precisa preocupar-se com o modo de ensinar, de como transmitir seus conhecimentos a estes alunos classificados no segundo grupo.
O professor precisa chegar até este aluno e ajudá-lo a crescer. Ele precisa saber descobrir a falha, descobrir a dificuldade e, por mais elementar que ela seja, ter a capacidade de, sem ofender o aluno, saná-la. Não é o aluno que deve envergonhar-se de não lembrar, por exemplo, de uma fatoração ou de uma operação com frações, mas sim o professor que, diante desta lacuna do aluno, diante desta dificuldade elementar, coloca-se tão "acima" que não se permite ou não sabe, descer do seu alto conhecimento para atender e eliminar a dificuldade para continuar “dando o seu recado”.
Conseguir ensinar aos alunos que estão neste segundo grupo é que demonstra a capacidade de ser um bom professor.
Para isto é preciso vencer o medo de, ao tratar das dificuldades do aluno, perder o "controle da situação" pois é difícil ter sempre a resposta. Corre-se o risco de não ser mais o dono da verdade, exercendo o papel de aprender junto com o aluno.
Abre-se a possibilidade de "sair do programa" e isto exige do professor uma constante procura de soluções para problemas sempre novos, possibilitando assim um crescimento contínuo.
Conclusão: ser bom professor de bons alunos não tem grandes méritos. Até um pesquisador, não professor, um pensador ou um simples estudioso da matéria o consegue. Porém, ser bom professor de alunos cheios de deficiências (o que é a mais cristalina realidade) nem todos conseguem. Precisa garra, técnica, gosto pelo que faz, dedicação ao aluno, estudo de novas alternativas de trabalho e de avaliação, a cada nova turma que lhe é confiada.
Precisa metodologia apropriada a cada tipo de turma e de conteúdo.
Outra conclusão a que se pode chegar é que, quando o índice de reprovação em uma turma é muito elevado, o professor precisa avaliar as causas olhando para si mesmo e não, simplesmente, enquadrando todos os reprovados no terceiro grupo, todos os aprovados no primeiro grupo e lavando as mãos de suas responsabilidades com os do segundo grupo.
Cabe ao professor refazer seu trabalho para, nos próximos anos, procurar ensinar aos alunos com maior deficiência, sem baixar o nível de exigência.
Ser bom professor não é passar quem não sabe e sim ensinar a todos os que querem aprender.
Caminhos existem, embora não seja uma tarefa fácil, pois há uma grande dificuldade de bibliografia que nos mostre como melhor ensinar, principalmente os conteúdos do 2o grau. É um desafio que exige criatividade, dedicação e coragem de enfrentar alguns colegas que consideram o trabalho com Metodologia do Ensino da Matemática algo procurado apenas por professores que não “sabem” trabalhar no ensino tradicional e por isto “fogem” para a área da Metodologia.
Quando se trabalha diretamente com professores de Matemática observa-se uma grande surpresa diante de alguns argumentos que podem ser utilizados para explicar o “porque” de algumas “regras” ou de alguns algoritmos, conteúdos inclusive das séries iniciais do 1o grau. Pode-se, ainda, perceber que os professores trabalham o conteúdo da 5a série porque o aluno precisará na 6a série, por exemplo, e assim sucessivamente. As justificativas da aplicação de algumas regras estão muitas vezes na vida diária do aluno e não na desvinculação de sua realidade. Muitas vezes se ouve o professor dizer que tal termo ou tal ação funciona na vida mas não funciona na Matemática, ou vale na Matemática mas na vida é diferente. Outras vezes, a justificativa do uso de uma regra está na aplicação de uma propriedade apresentada ao aluno nas primeiras séries do primeiro grau e o professor não aplica porque não está lá no seu livro didático.
O professor de Matemática não pode se preocupar apenas em ser coerente com as proposições já existentes e demonstradas ao longo dos anos. Precisa, além disto, ser também coerente com as exigências da época e do lugar.
Ao se analisar o grande percentual de reprovação dos alunos em Matemática e, em especial os que chegam nas Universidades, não se pode perder de vista aspectos que, ao que parece, são fundamentais:
- São encontrados nas salas de aula, a cada ano, alunos inseridos em um sistema educacional repleto de deficiências de ordem política, estrutural, ambiental, má formação de professores, etc...
- Dentro deste contexto, a situação da Matemática é ainda agravada pelo fato de que os alunos, em número enorme, experimentaram fracasso nesta disciplina, oriundo do ensino desvinculado da realidade.
Nas salas de aula, os professores se deparam com a heterogeneidade de diversos tipos de alunos, as quais podem ser assim agrupadas:
1o grupo) Alunos bem dotados, de inteligência regular, estudiosos e que aproveitam bem o que lhes é transmitido, enriquecendo sua aprendizagem com suas próprias conclusões, pesquisas, estudos, etc...
2o grupo) Alunos menos inteligentes do que os do 1o grupo, não dotados de capacidades natas, com o ensino tão tradicionalmente abstrato quanto os que estão no primeiro grupo, porém que ficam com a pouca informação que recebem de alguns professores que encontram no seu caminho. São estudiosos, interessados e têm possibilidade de serem tão bons estudantes e profissionais quanto os que compõem o primeiro grupo.
3o grupo) Alunos que, inteligentes ou não, com capacidades bem ou mal desenvolvidas, não estudam, são malandros e não cumprem com o mínimo de seu dever e exigem todos os seus direitos.
Como seria lecionar aos três grupos?
Ensinar aos alunos do terceiro grupo é tarefa complicada, que muitas vezes não alcança resultados positivos, devido à complexidade das causas de tal comportamento. Cabe ao professor a ação conjunta com o grupo de professores de outras disciplinas e os serviços especializados das escolas para tentar ajudá-los a se inserir num dos outros dois grupos. Estes são os alunos que , muitas vezes, acabam sendo reprovados ou infreqüentes.
Ensinar aos alunos do primeiro grupo não apresenta maiores dificuldades, pois estes são alunos que aprendem "apesar" do professor, que estudam quase sozinhos, que pegam um livro e conseguem entender com facilidade o que está ali escrito. Eles aprendem sempre tudo. Quem já ultrapassou duas décadas de magistério pode afirmar que é muito fácil ensinar para esses alunos. No caso da Matemática, quando se inicia a mostrar ou demonstrar algum (ou qualquer um) dos itens do programa, tem-se a sensação de que aquele(s) aluno(s) "já ouviu(ram) falar nisto antes" pois ele(s) conclui(em) junto ou antes do próprio professor.
Oxalá só chegassem estes às mãos dos mestres...
Ensinar aos alunos do segundo grupo! Esta sim é uma tarefa árdua. São a maioria dos alunos. São os que precisam ser muito bem trabalhados em suas dificuldades iniciais, que precisam ser ajudados a sanar suas dúvidas e que, pelo esforço individual, sua vontade de vencer, vivendo em um país que se diz democrático, tem tanto direito quanto os outros, do primeiro grupo, de aprenderem, de vencerem, de serem bons alunos e, no futuro, bons profissionais. Há espaço para eles também.
Neste grupo encontram-se os alunos que querem aprender mas não conseguem se o professor não falar a linguagem deles. O professor precisa descer do seu pedestal, chegar até estes alunos, descobrir suas deficiências e saná-las sem culpar o professor das séries anteriores, "lavando" suas mãos e fugindo de suas verdadeiras responsabilidades .
Esta tarefa não é fácil. Nivelar os alunos menos privilegiados e, aparando as arestas, orientá-los na forma de estudar, ajudando-os a desenvolverem as potencialidades que eles possuem, colaborando para que eles avancem nos seus conhecimentos, esta sim é uma tarefa que exige alta competência técnica do professor. É aqui que o professor precisa de qualidades especiais para conseguir atingir estes alunos, que têm direito de aprender, pois não é justo que sejam colocados no nível dos que estão no terceiro grupo, rotulando-os de "incapazes" ou "casos perdidos".
Não basta para este professor ser profundo conhecedor da matéria que vai lecionar. Junto com a preocupação indispensável de aprofundar os conhecimentos na sua área, ele precisa preocupar-se com o modo de ensinar, de como transmitir seus conhecimentos a estes alunos classificados no segundo grupo.
O professor precisa chegar até este aluno e ajudá-lo a crescer. Ele precisa saber descobrir a falha, descobrir a dificuldade e, por mais elementar que ela seja, ter a capacidade de, sem ofender o aluno, saná-la. Não é o aluno que deve envergonhar-se de não lembrar, por exemplo, de uma fatoração ou de uma operação com frações, mas sim o professor que, diante desta lacuna do aluno, diante desta dificuldade elementar, coloca-se tão "acima" que não se permite ou não sabe, descer do seu alto conhecimento para atender e eliminar a dificuldade para continuar “dando o seu recado”.
Conseguir ensinar aos alunos que estão neste segundo grupo é que demonstra a capacidade de ser um bom professor.
Para isto é preciso vencer o medo de, ao tratar das dificuldades do aluno, perder o "controle da situação" pois é difícil ter sempre a resposta. Corre-se o risco de não ser mais o dono da verdade, exercendo o papel de aprender junto com o aluno.
Abre-se a possibilidade de "sair do programa" e isto exige do professor uma constante procura de soluções para problemas sempre novos, possibilitando assim um crescimento contínuo.
Conclusão: ser bom professor de bons alunos não tem grandes méritos. Até um pesquisador, não professor, um pensador ou um simples estudioso da matéria o consegue. Porém, ser bom professor de alunos cheios de deficiências (o que é a mais cristalina realidade) nem todos conseguem. Precisa garra, técnica, gosto pelo que faz, dedicação ao aluno, estudo de novas alternativas de trabalho e de avaliação, a cada nova turma que lhe é confiada.
Precisa metodologia apropriada a cada tipo de turma e de conteúdo.
Outra conclusão a que se pode chegar é que, quando o índice de reprovação em uma turma é muito elevado, o professor precisa avaliar as causas olhando para si mesmo e não, simplesmente, enquadrando todos os reprovados no terceiro grupo, todos os aprovados no primeiro grupo e lavando as mãos de suas responsabilidades com os do segundo grupo.
Cabe ao professor refazer seu trabalho para, nos próximos anos, procurar ensinar aos alunos com maior deficiência, sem baixar o nível de exigência.
Ser bom professor não é passar quem não sabe e sim ensinar a todos os que querem aprender.
Caminhos existem, embora não seja uma tarefa fácil, pois há uma grande dificuldade de bibliografia que nos mostre como melhor ensinar, principalmente os conteúdos do 2o grau. É um desafio que exige criatividade, dedicação e coragem de enfrentar alguns colegas que consideram o trabalho com Metodologia do Ensino da Matemática algo procurado apenas por professores que não “sabem” trabalhar no ensino tradicional e por isto “fogem” para a área da Metodologia.
Quando se trabalha diretamente com professores de Matemática observa-se uma grande surpresa diante de alguns argumentos que podem ser utilizados para explicar o “porque” de algumas “regras” ou de alguns algoritmos, conteúdos inclusive das séries iniciais do 1o grau. Pode-se, ainda, perceber que os professores trabalham o conteúdo da 5a série porque o aluno precisará na 6a série, por exemplo, e assim sucessivamente. As justificativas da aplicação de algumas regras estão muitas vezes na vida diária do aluno e não na desvinculação de sua realidade. Muitas vezes se ouve o professor dizer que tal termo ou tal ação funciona na vida mas não funciona na Matemática, ou vale na Matemática mas na vida é diferente. Outras vezes, a justificativa do uso de uma regra está na aplicação de uma propriedade apresentada ao aluno nas primeiras séries do primeiro grau e o professor não aplica porque não está lá no seu livro didático.
O professor de Matemática não pode se preocupar apenas em ser coerente com as proposições já existentes e demonstradas ao longo dos anos. Precisa, além disto, ser também coerente com as exigências da época e do lugar.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
O FUTURO É UMA ESCOLHA DE CAMINHOS.
Neiff Satte Alam
Por enquanto, a imprensa não parece sensibilizada para o debate sobre uma possível convergência entre regular o sistema financeiro internacional, desobstruir os fluxo do comércio mundial e ao mesmo tempo estabelecer um modelo de criação de riqueza que considere mais valiosa uma árvore em pé do que estendida na carroceria de um caminhão. (Jornalista Luciano Martins Costa – Observatório de Imprensa)
A preocupação obstinada de alguns governantes e empresários em utilizar o máximo do ambiente para desenvolver o agro-negócio, ignorando a instabilidade resultante desta extrema utilização e se despreocupando com as conseqüências do desequilíbrio do meio, cujas seqüelas poderão inviabilizar a continuidade desta utilização pela simples falta de percepção de que sustentabilidade é o mesmo que permitir um futuro sadio para próximas gerações e o contrário seria o caos resultante da destruição do capital natural para beneficiar o capital criado.
Não é correto sinalizar-se a impossibilidade de desenvolvimento em nome de uma mínima preservação ambiental. A incorreção se dá pelo simples fato de que os desmandos ambientais, causados pelos fantásticos impactos não mitigados, poderão deixar como herança um ambiente estéril, improdutivo e povoado pela pobreza.
É urgente que se organize e implante uma política pública que harmonize desenvolvimento e preservação do ambiente, preservação que permita sempre uma recuperação do equilíbrio dos ecossistemas envolvidos.
As seqüelas, para os menos avisados, destes desencontros entre desenvolvimento e preservação são as ampliações de situações ainda controláveis, como aquecimento global, destruição do solo por aceleração da desertificação, redução de flora e fauna que constituem a biodiversidade dos biomas mais atingidos e conseqüente alteração do ecoclima, redução das áreas de produção de alimento, necessidade de importação de insumos (adubo, inseticida, máquinas mais sofisticadas) para resolver os problemas causados pelo mau uso do solo.
A obstinação dos governantes, empresários do agro-negócio, pequenos produtores rurais e dos consumidores potenciais do que se produz no meio rural deve ter como alvo uma produção sustentável, sem serem atraídos pelo “canto das sereias” que desviam a rota de nossos interesses para os interesses dos megaempreendimentos que visam exclusivamente lucro e ignoram os interesses sociais e a melhor satisfação das populações que produzem esta riqueza. Não podemos ficar reféns destas megaempresas que se movimentam de forma virtual no mundo globalizado das transações econômicas e que, num piscar de olhos, mudam o seu norte e, sem o mínimo pudor, deslocam suas atenções para outros quadrantes do planeta.
Olhar o ambiente por entre as frestas dos cifrões pode ser a diferença entre ter e não ter futuro. Os governantes de hoje tem esta responsabilidade com as gerações futuras, decepcioná-las não é o melhor e nem o mais inteligente caminho...
Por enquanto, a imprensa não parece sensibilizada para o debate sobre uma possível convergência entre regular o sistema financeiro internacional, desobstruir os fluxo do comércio mundial e ao mesmo tempo estabelecer um modelo de criação de riqueza que considere mais valiosa uma árvore em pé do que estendida na carroceria de um caminhão. (Jornalista Luciano Martins Costa – Observatório de Imprensa)
A preocupação obstinada de alguns governantes e empresários em utilizar o máximo do ambiente para desenvolver o agro-negócio, ignorando a instabilidade resultante desta extrema utilização e se despreocupando com as conseqüências do desequilíbrio do meio, cujas seqüelas poderão inviabilizar a continuidade desta utilização pela simples falta de percepção de que sustentabilidade é o mesmo que permitir um futuro sadio para próximas gerações e o contrário seria o caos resultante da destruição do capital natural para beneficiar o capital criado.
Não é correto sinalizar-se a impossibilidade de desenvolvimento em nome de uma mínima preservação ambiental. A incorreção se dá pelo simples fato de que os desmandos ambientais, causados pelos fantásticos impactos não mitigados, poderão deixar como herança um ambiente estéril, improdutivo e povoado pela pobreza.
É urgente que se organize e implante uma política pública que harmonize desenvolvimento e preservação do ambiente, preservação que permita sempre uma recuperação do equilíbrio dos ecossistemas envolvidos.
As seqüelas, para os menos avisados, destes desencontros entre desenvolvimento e preservação são as ampliações de situações ainda controláveis, como aquecimento global, destruição do solo por aceleração da desertificação, redução de flora e fauna que constituem a biodiversidade dos biomas mais atingidos e conseqüente alteração do ecoclima, redução das áreas de produção de alimento, necessidade de importação de insumos (adubo, inseticida, máquinas mais sofisticadas) para resolver os problemas causados pelo mau uso do solo.
A obstinação dos governantes, empresários do agro-negócio, pequenos produtores rurais e dos consumidores potenciais do que se produz no meio rural deve ter como alvo uma produção sustentável, sem serem atraídos pelo “canto das sereias” que desviam a rota de nossos interesses para os interesses dos megaempreendimentos que visam exclusivamente lucro e ignoram os interesses sociais e a melhor satisfação das populações que produzem esta riqueza. Não podemos ficar reféns destas megaempresas que se movimentam de forma virtual no mundo globalizado das transações econômicas e que, num piscar de olhos, mudam o seu norte e, sem o mínimo pudor, deslocam suas atenções para outros quadrantes do planeta.
Olhar o ambiente por entre as frestas dos cifrões pode ser a diferença entre ter e não ter futuro. Os governantes de hoje tem esta responsabilidade com as gerações futuras, decepcioná-las não é o melhor e nem o mais inteligente caminho...
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
OBAMA, A CRISE E O MEIO AMBIENTE
PAUTA DO FUTURO
Obama, a crise e o meio ambiente
Por Luciano Martins Costa em 11/11/2008
A imprensa brasileira tem aumentado o espaço e a freqüência das notícias sobre a questão ambiental. Também oferece atenção generosa aos debates que reúnem representantes dos países mais ricos e dos chamados emergentes, na tentativa de superar divergências em busca de uma saída para a crise financeira internacional. E, como não poderia deixar de ser, ainda acompanha com interesse os primeiros movimentos do futuro presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.
Que tal fazer um exercício e juntar os três temas? Talvez a solução dos problemas pareça menos remota. Comecemos com a análise do que tem sido de fato a economia mundial no período que convencionamos chamar de globalização acelerada – aquele que se sucede à queda do muro de Berlim, no final de 1989. Aliás, foi no dia 9 de novembro de 1989. A imprensa esqueceu.
De lá para cá, com as reformas políticas e econômicas na matriz da antiga União Soviética e na China comunista, o mundo se convenceu de que passaríamos a viver no paraíso capitalista: reduzindo-se a intervenção do Estado, a iniciativa privada, livre para criar riquezas, iria abrir democraticamente as oportunidades para os cidadãos de todos os países fazerem negócios. Éramos todos capitalistas, finalmente. Sem as tensões da Guerra Fria, a História como a conhecêramos nos séculos 19 e 20 se transformaria, enfim, na tediosa caminhada rumo ao bem-estar permanente.
Desigualdade crescente
A realidade se embalou deliciosamente no sonho capitalista e não se sobressaltou com os primeiros pesadelos. E não foi por falta de capital que a coisa desandou: os fluxos de investimento para os países em desenvolvimento cresceram dez vezes na década seguinte, e o século 21 foi saudado nos computadores pela avassaladora presença da internet, a nova forma de comunicação que iria unificar a humanidade e reduzir a pó as diferenças culturais.
O surgimento da Organização Mundial do Comércio (OMC), em 1995, prometia colocar uma ordem nas demandas de vários tipos, que confrontavam os interesses das estruturas de negócios agrícolas consolidadas desde a Idade Média na Europa com os novos agronegócios dos países emergentes. Ao mesmo tempo, a revolução na comunicação acrescentava novos protagonistas ao debate: os pobres agora queriam mais participação no bolo.
A OMC nunca foi capaz de produzir um acordo que fosse satisfatório para os dois lados da moeda global. O protecionismo se tornou ainda mais rigoroso do que sob os regimes anteriores, em que o Estado se fazia mais presente no controle da economia.
O que aconteceu, de fato, na década seguinte, até a implosão do sistema em setembro passado, foi que, embora tivesse produzido mais riqueza do que em todo o século anterior (sob os critérios adotados majoritariamente pela imprensa especializada), a economia globalizada não foi capaz de responder aos desafios essenciais da humanidade: o planeta se tornou um lugar mais perigoso para a vida, a democracia foi colocada sob risco, as desigualdades sociais se avolumaram, o patrimônio ambiental foi dilapidado e o aquecimento global revelou o cenário das escolhas equivocadas.
A imprensa nunca foi capaz de olhar um pouquinho para fora da caixa dos consensos. Saudou cada recorde de produção das indústrias poluidoras, cada novo salto nos ganhos dos investidores, cada nova iniciativa no movimento de expansão do capitalismo globalizado, estimulando a feroz disputa dos países pobres e em desenvolvimento pela atenção dos investidores.
Até 2002, esse intenso movimento de capital produziu apenas mais desemprego, mais miséria e mais conflitos na maioria dos países do mundo. Um olhar sobre o relatório produzido pela Comissão Mundial sobre as Dimensões Sociais da Globalização, publicado há quatro anos, mostra que 59% da população mundial vivia, no começo deste século, em países com crescentes níveis de desigualdade e que o bem-estar criado pela globalização se concentrava em algumas ilhas de conforto. O desemprego grassava em todo o mundo, com exceção do sul da Ásia, da Europa (ainda assim, pressionada por movimentos migratórios da África e do Leste Europeu) e dos Estados Unidos. Os dados desse estudo foram descritos em vários artigos pelo economista Joseph Stiglitz, um de seus autores.
Razões do otimismo
A imprensa nunca deu muita importância aos efeitos colaterais da expansão global dos capitais, até setembro deste ano, quando Wall Street veio abaixo. A imprensa nunca lamentou os mortos pela fome na África como lamenta as quebras de banqueiros nos Estados Unidos. No entanto, a crise financeira que ocupa as manchetes apanhou um sistema claramente insustentável.
Mesmo nas chamadas ilhas de prosperidade, a situação era absurda, para qualquer nível de consciência. Até mesmo para os mais insanos defensores da absoluta liberdade para o capital, bastaria um dado para acender uma luz de alerta: os 400 americanos mais ricos possuem mais patrimônio do que todos os 150 milhões de cidadãos americanos mais pobres, somados. Apenas durante os oito anos da administração Bush, que coincide com o ápice da euforia globalizante, o patrimônio dos 400 americanos mais ricos – não são 4 mil ou 4 milhões, são 400, mesmo, o suficiente para encher uma sala de cinema – cresceu cerca de 700 bilhões de dólares.
Alguém aí lembra de ter visto a imprensa associar esse número ao valor que o governo americano anunciou em suas primeiras medidas para socorrer as empresas (empresas?) em crise?
Aí é que o tema converge para as especulações sobre o que pode vir a ser um governo Barack Obama. E aqui o leitor carece de um ponto essencial para pensar nas incontáveis análises que louvam o fato de Obama ser o primeiro afrodescendente a vencer uma eleição presidencial nos Estados Unidos. Seria possível estabelecer uma relação absoluta entre os americanos de pele escura, cujos tataravós ou bisavós foram escravizados, cujos pais ou avós foram segregados, e este outro americano de pele escura, cujo pai migrou da África em busca de uma vida melhor, casou-se com uma mulher branca e seguiu adiante buscando uma vida ainda melhor?
Obama é filho de um homem de muita iniciativa, que deixou uma vida relativamente confortável – para os padrões africanos – para buscar melhores oportunidades, com uma americana atípica, que desprezou os preconceitos e viveu fora do país em função de outro casamento. Ele não é fruto dos guetos de Chicago, nunca falou os dialetos da rua. Talvez por isso haja mais razões para o otimismo que assola os jornais. Mesmo assim, a imprensa precisa sair do encantamento e trazer o leitor para mais perto da realidade.
Aplausos e dúvidas
Quanto o provável futuro presidente dos Estados Unidos estará disposto a mudar o sistema que nos trouxe a este momento de crise? Qual é o seu interesse real em trazer para a mesa das grandes negociações os países emergentes, que ainda assistem de fora às tomadas das decisões que afetam seus futuros, se ele, Obama, foi eleito pelos americanos para cuidar dos interesses dos Estados Unidos? Em que a cor de sua pele seria determinante para ele escolher entre proteger o pequeno produtor de compotas na Califórnia e estimular a produção de um concorrente no outro lado do Atlântico?
Essas dúvidas ainda não apareceram claramente no meio da festa pós-eleitoral. Os leitores e telespectadores de São Bento do Una acham que, com Obama, a vida vai melhorar no Agreste Pernambucano.
Pode ser. E entramos na outra quina do triângulo que ainda não vimos composto pela imprensa: é possível pensar em um novo paradigma para o movimento global de capitais sem levar em conta os desafios do aquecimento global e a necessidade de eliminar as pressões sobre as últimas reservas de patrimônio ambiental do planeta?
Por enquanto, a imprensa não parece sensibilizada para o debate sobre uma possível convergência entre regular o sistema financeiro internacional, desobstruir os fluxo do comércio mundial e ao mesmo tempo estabelecer um modelo de criação de riqueza que considere mais valiosa uma árvore em pé do que estendida na carroceria de um caminhão.
Saudações para o interesse crescente da mídia na questão ambiental. Dúvidas para a disposição da imprensa em colocar sob os olhos dos leitores e telespectadores o verdadeiro desafio da sustentabilidade.
Obama, a crise e o meio ambiente
Por Luciano Martins Costa em 11/11/2008
A imprensa brasileira tem aumentado o espaço e a freqüência das notícias sobre a questão ambiental. Também oferece atenção generosa aos debates que reúnem representantes dos países mais ricos e dos chamados emergentes, na tentativa de superar divergências em busca de uma saída para a crise financeira internacional. E, como não poderia deixar de ser, ainda acompanha com interesse os primeiros movimentos do futuro presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.
Que tal fazer um exercício e juntar os três temas? Talvez a solução dos problemas pareça menos remota. Comecemos com a análise do que tem sido de fato a economia mundial no período que convencionamos chamar de globalização acelerada – aquele que se sucede à queda do muro de Berlim, no final de 1989. Aliás, foi no dia 9 de novembro de 1989. A imprensa esqueceu.
De lá para cá, com as reformas políticas e econômicas na matriz da antiga União Soviética e na China comunista, o mundo se convenceu de que passaríamos a viver no paraíso capitalista: reduzindo-se a intervenção do Estado, a iniciativa privada, livre para criar riquezas, iria abrir democraticamente as oportunidades para os cidadãos de todos os países fazerem negócios. Éramos todos capitalistas, finalmente. Sem as tensões da Guerra Fria, a História como a conhecêramos nos séculos 19 e 20 se transformaria, enfim, na tediosa caminhada rumo ao bem-estar permanente.
Desigualdade crescente
A realidade se embalou deliciosamente no sonho capitalista e não se sobressaltou com os primeiros pesadelos. E não foi por falta de capital que a coisa desandou: os fluxos de investimento para os países em desenvolvimento cresceram dez vezes na década seguinte, e o século 21 foi saudado nos computadores pela avassaladora presença da internet, a nova forma de comunicação que iria unificar a humanidade e reduzir a pó as diferenças culturais.
O surgimento da Organização Mundial do Comércio (OMC), em 1995, prometia colocar uma ordem nas demandas de vários tipos, que confrontavam os interesses das estruturas de negócios agrícolas consolidadas desde a Idade Média na Europa com os novos agronegócios dos países emergentes. Ao mesmo tempo, a revolução na comunicação acrescentava novos protagonistas ao debate: os pobres agora queriam mais participação no bolo.
A OMC nunca foi capaz de produzir um acordo que fosse satisfatório para os dois lados da moeda global. O protecionismo se tornou ainda mais rigoroso do que sob os regimes anteriores, em que o Estado se fazia mais presente no controle da economia.
O que aconteceu, de fato, na década seguinte, até a implosão do sistema em setembro passado, foi que, embora tivesse produzido mais riqueza do que em todo o século anterior (sob os critérios adotados majoritariamente pela imprensa especializada), a economia globalizada não foi capaz de responder aos desafios essenciais da humanidade: o planeta se tornou um lugar mais perigoso para a vida, a democracia foi colocada sob risco, as desigualdades sociais se avolumaram, o patrimônio ambiental foi dilapidado e o aquecimento global revelou o cenário das escolhas equivocadas.
A imprensa nunca foi capaz de olhar um pouquinho para fora da caixa dos consensos. Saudou cada recorde de produção das indústrias poluidoras, cada novo salto nos ganhos dos investidores, cada nova iniciativa no movimento de expansão do capitalismo globalizado, estimulando a feroz disputa dos países pobres e em desenvolvimento pela atenção dos investidores.
Até 2002, esse intenso movimento de capital produziu apenas mais desemprego, mais miséria e mais conflitos na maioria dos países do mundo. Um olhar sobre o relatório produzido pela Comissão Mundial sobre as Dimensões Sociais da Globalização, publicado há quatro anos, mostra que 59% da população mundial vivia, no começo deste século, em países com crescentes níveis de desigualdade e que o bem-estar criado pela globalização se concentrava em algumas ilhas de conforto. O desemprego grassava em todo o mundo, com exceção do sul da Ásia, da Europa (ainda assim, pressionada por movimentos migratórios da África e do Leste Europeu) e dos Estados Unidos. Os dados desse estudo foram descritos em vários artigos pelo economista Joseph Stiglitz, um de seus autores.
Razões do otimismo
A imprensa nunca deu muita importância aos efeitos colaterais da expansão global dos capitais, até setembro deste ano, quando Wall Street veio abaixo. A imprensa nunca lamentou os mortos pela fome na África como lamenta as quebras de banqueiros nos Estados Unidos. No entanto, a crise financeira que ocupa as manchetes apanhou um sistema claramente insustentável.
Mesmo nas chamadas ilhas de prosperidade, a situação era absurda, para qualquer nível de consciência. Até mesmo para os mais insanos defensores da absoluta liberdade para o capital, bastaria um dado para acender uma luz de alerta: os 400 americanos mais ricos possuem mais patrimônio do que todos os 150 milhões de cidadãos americanos mais pobres, somados. Apenas durante os oito anos da administração Bush, que coincide com o ápice da euforia globalizante, o patrimônio dos 400 americanos mais ricos – não são 4 mil ou 4 milhões, são 400, mesmo, o suficiente para encher uma sala de cinema – cresceu cerca de 700 bilhões de dólares.
Alguém aí lembra de ter visto a imprensa associar esse número ao valor que o governo americano anunciou em suas primeiras medidas para socorrer as empresas (empresas?) em crise?
Aí é que o tema converge para as especulações sobre o que pode vir a ser um governo Barack Obama. E aqui o leitor carece de um ponto essencial para pensar nas incontáveis análises que louvam o fato de Obama ser o primeiro afrodescendente a vencer uma eleição presidencial nos Estados Unidos. Seria possível estabelecer uma relação absoluta entre os americanos de pele escura, cujos tataravós ou bisavós foram escravizados, cujos pais ou avós foram segregados, e este outro americano de pele escura, cujo pai migrou da África em busca de uma vida melhor, casou-se com uma mulher branca e seguiu adiante buscando uma vida ainda melhor?
Obama é filho de um homem de muita iniciativa, que deixou uma vida relativamente confortável – para os padrões africanos – para buscar melhores oportunidades, com uma americana atípica, que desprezou os preconceitos e viveu fora do país em função de outro casamento. Ele não é fruto dos guetos de Chicago, nunca falou os dialetos da rua. Talvez por isso haja mais razões para o otimismo que assola os jornais. Mesmo assim, a imprensa precisa sair do encantamento e trazer o leitor para mais perto da realidade.
Aplausos e dúvidas
Quanto o provável futuro presidente dos Estados Unidos estará disposto a mudar o sistema que nos trouxe a este momento de crise? Qual é o seu interesse real em trazer para a mesa das grandes negociações os países emergentes, que ainda assistem de fora às tomadas das decisões que afetam seus futuros, se ele, Obama, foi eleito pelos americanos para cuidar dos interesses dos Estados Unidos? Em que a cor de sua pele seria determinante para ele escolher entre proteger o pequeno produtor de compotas na Califórnia e estimular a produção de um concorrente no outro lado do Atlântico?
Essas dúvidas ainda não apareceram claramente no meio da festa pós-eleitoral. Os leitores e telespectadores de São Bento do Una acham que, com Obama, a vida vai melhorar no Agreste Pernambucano.
Pode ser. E entramos na outra quina do triângulo que ainda não vimos composto pela imprensa: é possível pensar em um novo paradigma para o movimento global de capitais sem levar em conta os desafios do aquecimento global e a necessidade de eliminar as pressões sobre as últimas reservas de patrimônio ambiental do planeta?
Por enquanto, a imprensa não parece sensibilizada para o debate sobre uma possível convergência entre regular o sistema financeiro internacional, desobstruir os fluxo do comércio mundial e ao mesmo tempo estabelecer um modelo de criação de riqueza que considere mais valiosa uma árvore em pé do que estendida na carroceria de um caminhão.
Saudações para o interesse crescente da mídia na questão ambiental. Dúvidas para a disposição da imprensa em colocar sob os olhos dos leitores e telespectadores o verdadeiro desafio da sustentabilidade.
sábado, 1 de novembro de 2008
NÃO MALTRATEM AS ROSAS...
Neiff Satte Alam“
Os que se dedicam à crítica das ações humanas jamais se sentem tão embaraçados como quando procuram agrupar e harmonizar sob uma mesma luz todos os atos dos homens, pois estes se contradizem comumente e a tal ponto que não parecem provir de um mesmo indivíduo”. Montaigne (1533-1592)
As diversas faces de um mesmo indivíduo, como se possuísse várias máscaras, como as ‘personas’ utilizadas pelos atores do teatro grego ao tempo de Ésquilo, podem ir caindo na medida em que os interlocutores se aproximam da face verdadeira e o filtro, que muitas vezes é a função da máscara, começa a desmoronar. Desmascarando-se, os atores ficam com a verdadeira face exposta ao olhar inquisidor e implacável dos que admiravam o ator, mais pela máscara do que por algum atributo pessoal mais importante.
O ator, desnudado da máscara, começa a mostrar suas contradições, destaca, muitas vezes, o pior de sua personalidade, confunde o observador em um primeiro momento, mas na seqüência de seus procedimentos vai se deteriorando gradativamente e uma triste figura se apresenta aos estupefatos observadores, antes admiradores do personagem, mas que agora sabem dos artifícios para enganar e tripudiar da boa fé de tantos quantos apostavam no que representava a máscara, não o homem atrás da máscara.
Assim ocorre na política. Atores com suas múltiplas máscaras, uma para cada situação e momento, muitos políticos vão ludibriando os eleitores, correligionários, companheiros de jornadas difíceis onde só a lealdade de princípios e não ações pragmáticas que soterram as ações programáticas e suas ideologias aí contidas, fazem a união e admiração pelos líderes que deveriam conduzi-los pelos caminhos ásperos dos partidos políticos onde a ética e a definição ideológica deveriam ser a bandeira.
Infelizmente as contradições de muitos políticos fazem com que pareçam ser várias pessoas em uma só, uma verdadeira esquizofrenia política, uma ‘persona’ para cada situação. Situações que desarmonizam e desequilibram as relações intra e inter partidárias. Confundem a mente dos filiados de seus partidos e não atraem os filiados adversários, pois só o que fazem é alimentar a desconfiança de todos.
Nesta situação, muitas agremiações partidárias têm se apequenado e se transformado em reboque desqualificado de outras agremiações que se aproveitam das fraquezas de seus líderes para exercerem domínios interpartidários nesta absurda fase da vida política brasileira em que o pragmatismo das campanhas eleitorais se estende até o exercício do poder.
Sem máscaras e com uma profunda revolução intra-partidária, devem os partidos atingidos por desmandos de seus falsos líderes revisarem suas posições e reorganizar o caminho e a caminhada em direção ao futuro, pois da mesma forma que um jardineiro consciente deve cuidar das rosas de seu jardim e evitar que pragas e um ambiente contaminado prejudiquem suas flores, os dirigentes partidários deverão proteger os filiados de seus partidos, para que não se transformem em rosas sem viço, sem brilho, sem vida ...
Jardineiros! Não maltratem as rosas ...
Os que se dedicam à crítica das ações humanas jamais se sentem tão embaraçados como quando procuram agrupar e harmonizar sob uma mesma luz todos os atos dos homens, pois estes se contradizem comumente e a tal ponto que não parecem provir de um mesmo indivíduo”. Montaigne (1533-1592)
As diversas faces de um mesmo indivíduo, como se possuísse várias máscaras, como as ‘personas’ utilizadas pelos atores do teatro grego ao tempo de Ésquilo, podem ir caindo na medida em que os interlocutores se aproximam da face verdadeira e o filtro, que muitas vezes é a função da máscara, começa a desmoronar. Desmascarando-se, os atores ficam com a verdadeira face exposta ao olhar inquisidor e implacável dos que admiravam o ator, mais pela máscara do que por algum atributo pessoal mais importante.
O ator, desnudado da máscara, começa a mostrar suas contradições, destaca, muitas vezes, o pior de sua personalidade, confunde o observador em um primeiro momento, mas na seqüência de seus procedimentos vai se deteriorando gradativamente e uma triste figura se apresenta aos estupefatos observadores, antes admiradores do personagem, mas que agora sabem dos artifícios para enganar e tripudiar da boa fé de tantos quantos apostavam no que representava a máscara, não o homem atrás da máscara.
Assim ocorre na política. Atores com suas múltiplas máscaras, uma para cada situação e momento, muitos políticos vão ludibriando os eleitores, correligionários, companheiros de jornadas difíceis onde só a lealdade de princípios e não ações pragmáticas que soterram as ações programáticas e suas ideologias aí contidas, fazem a união e admiração pelos líderes que deveriam conduzi-los pelos caminhos ásperos dos partidos políticos onde a ética e a definição ideológica deveriam ser a bandeira.
Infelizmente as contradições de muitos políticos fazem com que pareçam ser várias pessoas em uma só, uma verdadeira esquizofrenia política, uma ‘persona’ para cada situação. Situações que desarmonizam e desequilibram as relações intra e inter partidárias. Confundem a mente dos filiados de seus partidos e não atraem os filiados adversários, pois só o que fazem é alimentar a desconfiança de todos.
Nesta situação, muitas agremiações partidárias têm se apequenado e se transformado em reboque desqualificado de outras agremiações que se aproveitam das fraquezas de seus líderes para exercerem domínios interpartidários nesta absurda fase da vida política brasileira em que o pragmatismo das campanhas eleitorais se estende até o exercício do poder.
Sem máscaras e com uma profunda revolução intra-partidária, devem os partidos atingidos por desmandos de seus falsos líderes revisarem suas posições e reorganizar o caminho e a caminhada em direção ao futuro, pois da mesma forma que um jardineiro consciente deve cuidar das rosas de seu jardim e evitar que pragas e um ambiente contaminado prejudiquem suas flores, os dirigentes partidários deverão proteger os filiados de seus partidos, para que não se transformem em rosas sem viço, sem brilho, sem vida ...
Jardineiros! Não maltratem as rosas ...
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
O MUNDO É UM MERCADO
VIAGENS E GASTRONOMIA
Ricardo Gurvitz
Você comeu seu arroz hoje? Assim dizem os chineses ao nosso conhecido BOM DIA.
Uma tal de Imperatriz Leopoldina
Muitas pessoas estão acostumadas a um tipo de viagem que não é o meu. Eu privilegio a pessoa em detrimento do local. Procuro o diferente, ao contraponto da grande visão do monumento turístico. Isto não quer dizer que no Brasil não exista este direcionamento, mas já existem muitos cronistas escrevendo sobre estes nossos tipos. Eu procuro encontrá-los lá fora.
Pode começar já na viagem de ida. Quando entrei no avião em São Paulo, para Frankfurt, havia escolhido o corredor, porque eu sou um mijão. Preferia a coluna de dois bancos, pois seria menos gente para pedir licença.
O meu companheiro de viagem que se apresentou, estava vestido com um uma roupa alemã ou austríaca. No momento, não saberia identificar. Mas que era bonita era. Não estava de lederhosen, a clássica calça curta de couro, e sim uma tradicional de tecido, mas a camisa bordada, impecável, e o casaco com os tradicionais bordados, isto eles chamam de trachten, outra das roupas típicas. Ele parecia que havia saído de corpo inteiro de uma lavanderia em contraposição a mim que já estava com o uniforme de viagem: camisa preta de manga comprida, cheia de bolsos com lapela, calça jeans e tênis. Um verdadeiro esculacho perto dele.
Apresentação apenas formal: Boa noite e com licença. Logo após os nomes e só. Durante o início do vôo, nenhuma palavra de parte a parte. Isto é comum. A janta e o filme, após, a tentativa de dormir naquelas cadeiras apertadíssimas e sem nenhum espaço para as pernas. Cada um se vira como pode.
Você tem em torno de doze horas para pensar na vida. E como são longas! Eu, como sou muito grande e pesado, e ainda por cima com problemas circulatórios, no mínimo, a cada duas horas dou um longo passeio pelo avião. Quando a tripulação solicita que as janelas sejam descobertas, e não abertas, porque nunca consegui abrir a janelinha de avião, é prenuncio que virá o café.
Amanheceu. Ele continuava impecável, eu estava amassado como se uma jamanta houvesse passado por cima de mim. Nesse momento, começamos uma conversa em inglês. Seu nome é Johann, sim com dois enes - fazia questão - e me chamava de Herr Ricardo - chamar pelo primeiro nome sem ter intimidade - jamais. Eu o chamava de Herr Johann, com dois enes.
Era um comprador de relógios antigos ou de altos valores, principalmente daqueles de pulsos. Vinha ao Brasil e Buenos Aires, duas vezes por ano, e já arriscava umas palavrinhas em português. Surpreendi-me com a descoberta de que comprava uma quantia enorme de relógios a cada viagem. Isto só pode ser sinal de que as coisas não estão tão boas assim, pois quem venderia verdadeiras obras de arte se estivesse em boas condições financeiras? Ainda mais que essas peças não deveriam estar em mãos de pessoas de pouco poder financeiro.
Odeio a pergunta “o que achas do meu país”, porque sempre a resposta será uma mentira piedosa. Se você não está gostando dirá ao menos: diferente. E se estiver, eu jamais saberei se está a falando a verdade. Então fiz a pergunta da maneira que a resposta possa mostrar algo. Um sentimento de observação. Olho para Johann, com dois enes e digo o que foi que mais te chamou a atenção por aqui? A resposta foi absolutamente surpreendente. Ele disse: havia visto inúmeras reportagens sobre o carnaval carioca e na viagem anterior, resolveu ficar no Rio, assistindo a ele com conforto e segurança.
Contratou o serviço de uma agência de turismo e ficou maravilhado. Isto não é de se estranhar. Agora, o comentário posterior foi impactante. Ele foi para a avenida torcendo pela Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense. E por toda a parte por onde andava, perguntava para os brasileiros quem era a Imperatriz e qual a sua origem. Ninguém, mas ninguém, sabia da história dela.
Como poderia tanta gente cantar e viver em uma “escola” sem saber a história daquela mulher e, pior, ficou sabendo que em outros lugares do país, havia cidades, bairros, e outras escolas de samba com o nome da austríaca famosa. Eu só sabia que ela era austríaca, ao menos isto.
Perguntou-me se não era bem discutida toda a atuação dela aqui, já que foi Imperatriz. Como é que o povo não tinha curiosidade de saber mais? Foi muito difícil responder.
Resolvi também aprender um pouco, Ela nasceu em 2 de janeiro de 1797, como arquiduquesa Carolina Josefa Leopoldina Fernanda Beatriz de Habsburgo-Lorena. Sua educação foi primorosa em oposição à maioria das princesas, que só aprendiam a bordar e costurar.
Depois da fuga de sua família das tropas de Napoleão acabou, por motivos político, casando-se por procuração com o Príncipe D. Pedro de Orleans e Bragança, que foi representado pelo Arquiduque Carlos. Veio para o Brasil com vinte anos. Como era uma iluminista, trouxe consigo: médicos, zoólogos, botânicos e músicos.
A mãe do D. Pedro era daquelas sogras jararaca, e ele um “galinha” como dizem hoje. Ela sofreu muito por aqui. Os atos de violência dele para com ela eram freqüentes. Mas nem por isto deixou de ter grande importância no nosso processo de independência de Portugal.
Foi uma das idealizadoras de nossa bandeira. Ela também assinou o Decreto de Independência em 2 de setembro de 1822. Morreu em 11 de Dezembro de 1826. Seu corpo permanece no Brasil até hoje. Depois desta resenha, passei a torcer pela Escola de Samba Beija-flor, porque assim não passaria por ignorante tão irrefutavelmente.
Essa é a minha opinião, depois de ter visitado cinqüenta países.
e- mail: mercadoricardo@terra.com.br
Ricardo Gurvitz
Você comeu seu arroz hoje? Assim dizem os chineses ao nosso conhecido BOM DIA.
Uma tal de Imperatriz Leopoldina
Muitas pessoas estão acostumadas a um tipo de viagem que não é o meu. Eu privilegio a pessoa em detrimento do local. Procuro o diferente, ao contraponto da grande visão do monumento turístico. Isto não quer dizer que no Brasil não exista este direcionamento, mas já existem muitos cronistas escrevendo sobre estes nossos tipos. Eu procuro encontrá-los lá fora.
Pode começar já na viagem de ida. Quando entrei no avião em São Paulo, para Frankfurt, havia escolhido o corredor, porque eu sou um mijão. Preferia a coluna de dois bancos, pois seria menos gente para pedir licença.
O meu companheiro de viagem que se apresentou, estava vestido com um uma roupa alemã ou austríaca. No momento, não saberia identificar. Mas que era bonita era. Não estava de lederhosen, a clássica calça curta de couro, e sim uma tradicional de tecido, mas a camisa bordada, impecável, e o casaco com os tradicionais bordados, isto eles chamam de trachten, outra das roupas típicas. Ele parecia que havia saído de corpo inteiro de uma lavanderia em contraposição a mim que já estava com o uniforme de viagem: camisa preta de manga comprida, cheia de bolsos com lapela, calça jeans e tênis. Um verdadeiro esculacho perto dele.
Apresentação apenas formal: Boa noite e com licença. Logo após os nomes e só. Durante o início do vôo, nenhuma palavra de parte a parte. Isto é comum. A janta e o filme, após, a tentativa de dormir naquelas cadeiras apertadíssimas e sem nenhum espaço para as pernas. Cada um se vira como pode.
Você tem em torno de doze horas para pensar na vida. E como são longas! Eu, como sou muito grande e pesado, e ainda por cima com problemas circulatórios, no mínimo, a cada duas horas dou um longo passeio pelo avião. Quando a tripulação solicita que as janelas sejam descobertas, e não abertas, porque nunca consegui abrir a janelinha de avião, é prenuncio que virá o café.
Amanheceu. Ele continuava impecável, eu estava amassado como se uma jamanta houvesse passado por cima de mim. Nesse momento, começamos uma conversa em inglês. Seu nome é Johann, sim com dois enes - fazia questão - e me chamava de Herr Ricardo - chamar pelo primeiro nome sem ter intimidade - jamais. Eu o chamava de Herr Johann, com dois enes.
Era um comprador de relógios antigos ou de altos valores, principalmente daqueles de pulsos. Vinha ao Brasil e Buenos Aires, duas vezes por ano, e já arriscava umas palavrinhas em português. Surpreendi-me com a descoberta de que comprava uma quantia enorme de relógios a cada viagem. Isto só pode ser sinal de que as coisas não estão tão boas assim, pois quem venderia verdadeiras obras de arte se estivesse em boas condições financeiras? Ainda mais que essas peças não deveriam estar em mãos de pessoas de pouco poder financeiro.
Odeio a pergunta “o que achas do meu país”, porque sempre a resposta será uma mentira piedosa. Se você não está gostando dirá ao menos: diferente. E se estiver, eu jamais saberei se está a falando a verdade. Então fiz a pergunta da maneira que a resposta possa mostrar algo. Um sentimento de observação. Olho para Johann, com dois enes e digo o que foi que mais te chamou a atenção por aqui? A resposta foi absolutamente surpreendente. Ele disse: havia visto inúmeras reportagens sobre o carnaval carioca e na viagem anterior, resolveu ficar no Rio, assistindo a ele com conforto e segurança.
Contratou o serviço de uma agência de turismo e ficou maravilhado. Isto não é de se estranhar. Agora, o comentário posterior foi impactante. Ele foi para a avenida torcendo pela Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense. E por toda a parte por onde andava, perguntava para os brasileiros quem era a Imperatriz e qual a sua origem. Ninguém, mas ninguém, sabia da história dela.
Como poderia tanta gente cantar e viver em uma “escola” sem saber a história daquela mulher e, pior, ficou sabendo que em outros lugares do país, havia cidades, bairros, e outras escolas de samba com o nome da austríaca famosa. Eu só sabia que ela era austríaca, ao menos isto.
Perguntou-me se não era bem discutida toda a atuação dela aqui, já que foi Imperatriz. Como é que o povo não tinha curiosidade de saber mais? Foi muito difícil responder.
Resolvi também aprender um pouco, Ela nasceu em 2 de janeiro de 1797, como arquiduquesa Carolina Josefa Leopoldina Fernanda Beatriz de Habsburgo-Lorena. Sua educação foi primorosa em oposição à maioria das princesas, que só aprendiam a bordar e costurar.
Depois da fuga de sua família das tropas de Napoleão acabou, por motivos político, casando-se por procuração com o Príncipe D. Pedro de Orleans e Bragança, que foi representado pelo Arquiduque Carlos. Veio para o Brasil com vinte anos. Como era uma iluminista, trouxe consigo: médicos, zoólogos, botânicos e músicos.
A mãe do D. Pedro era daquelas sogras jararaca, e ele um “galinha” como dizem hoje. Ela sofreu muito por aqui. Os atos de violência dele para com ela eram freqüentes. Mas nem por isto deixou de ter grande importância no nosso processo de independência de Portugal.
Foi uma das idealizadoras de nossa bandeira. Ela também assinou o Decreto de Independência em 2 de setembro de 1822. Morreu em 11 de Dezembro de 1826. Seu corpo permanece no Brasil até hoje. Depois desta resenha, passei a torcer pela Escola de Samba Beija-flor, porque assim não passaria por ignorante tão irrefutavelmente.
Essa é a minha opinião, depois de ter visitado cinqüenta países.
e- mail: mercadoricardo@terra.com.br
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
ENTERRANDO A MÁ POLÍTICA!
Neiff Satte Alam
“Enquanto os mortos não são enterrados, a vida fica paralisada, à espera. Uma vez enterrados, perdidas as ilusões, voltamos dos cemitérios para a vida. É preciso que os mortos sejam enterrados para que os vivos tenham permissão de viver”.Rubem Alves, Conversas sobre Política.
A incompreensão ou simples desconhecimento de que a liderança não pertence ao líder, pois que este é tão somente o depositário de uma delegação temporária de liderar determinado grupo, pelo tempo que este entender necessário e não pelo tempo que o líder quiser, pode levar instituições, de qualquer natureza e a qualquer momento, ao fracasso.
Tem sido comum este tipo de equívoco em agremiações partidárias, pois muitas vezes são tomadas de assalto por indivíduos que delas retiram em proveito próprio controle de grupos, poder de barganhar com outros segmentos, benefícios para empregos ou negócios e até vantagens pecuniárias diretas ou indiretas. Não são meras especulações, mas constatações através dos episódios como o do ‘mensalão’, ‘golpe no Detran’ e tantos outros escândalos escancarados pelas páginas de jornais e revistas, pela televisão e pelo rádio.
Vários partidos políticos têm fracassado e se apequenado pela incapacidade de seus líderes temporários entenderem que devem suas pretensões de continuísmo serem enterradas para que nasçam, frutifiquem e renovem o ar respirado dentro de suas agremiações e que não sejam abafadas e fadadas ao esquecimento, ao abandono, as novas lideranças que venham para oxigenar o ar viciado destes ambientes – é preciso que os mortos sejam enterrados para que os vivos tenham permissão de viver!
Nos últimos tempos, temos observado um verdadeiro ‘balcão de negócios’ em que se tornaram os acordos político-partidários nas composições de apoios para candidatos, principalmente no segundo turno das eleições. Caciques dos partidos, não mais líderes, mas apenas mini-ditadores, têm feito acordos sem o apoio dos filiados destes partidos - os verdadeiros donos da liderança, mas que são excluídos desta parte do processo democrático e republicano de eleições, transformado em verdadeiros conchavos de gabinete. Mais grave ainda, os verdadeiros detentores do poder partidário, seus filiados, são até ameaçados pelas antiéticas comissões de ética, que passam a considerar política como profissão e não mais como uma vocação a serviço da comunidade. Um grande retrocesso político, democrático e ético e, como resultado, os homens de bem começam a se afastar da política e, os poucos que restam, vão sendo lentamente arrastados pela má política, pela inconseqüência dos políticos profissionais e pela lentidão com que o povo vai descobrindo estas artimanhas que afastam os políticos vocacionados das contendas eleitorais.
Talvez o Rubem Alves tenha mesmo razão quando inicia o seu livro ‘Conversando sobre Política’ com a seguinte frase: “A política, dentre todas as vocações, é a mais nobre. A política, dentre todas as profissões, é a mais vil.”
“Enquanto os mortos não são enterrados, a vida fica paralisada, à espera. Uma vez enterrados, perdidas as ilusões, voltamos dos cemitérios para a vida. É preciso que os mortos sejam enterrados para que os vivos tenham permissão de viver”.Rubem Alves, Conversas sobre Política.
A incompreensão ou simples desconhecimento de que a liderança não pertence ao líder, pois que este é tão somente o depositário de uma delegação temporária de liderar determinado grupo, pelo tempo que este entender necessário e não pelo tempo que o líder quiser, pode levar instituições, de qualquer natureza e a qualquer momento, ao fracasso.
Tem sido comum este tipo de equívoco em agremiações partidárias, pois muitas vezes são tomadas de assalto por indivíduos que delas retiram em proveito próprio controle de grupos, poder de barganhar com outros segmentos, benefícios para empregos ou negócios e até vantagens pecuniárias diretas ou indiretas. Não são meras especulações, mas constatações através dos episódios como o do ‘mensalão’, ‘golpe no Detran’ e tantos outros escândalos escancarados pelas páginas de jornais e revistas, pela televisão e pelo rádio.
Vários partidos políticos têm fracassado e se apequenado pela incapacidade de seus líderes temporários entenderem que devem suas pretensões de continuísmo serem enterradas para que nasçam, frutifiquem e renovem o ar respirado dentro de suas agremiações e que não sejam abafadas e fadadas ao esquecimento, ao abandono, as novas lideranças que venham para oxigenar o ar viciado destes ambientes – é preciso que os mortos sejam enterrados para que os vivos tenham permissão de viver!
Nos últimos tempos, temos observado um verdadeiro ‘balcão de negócios’ em que se tornaram os acordos político-partidários nas composições de apoios para candidatos, principalmente no segundo turno das eleições. Caciques dos partidos, não mais líderes, mas apenas mini-ditadores, têm feito acordos sem o apoio dos filiados destes partidos - os verdadeiros donos da liderança, mas que são excluídos desta parte do processo democrático e republicano de eleições, transformado em verdadeiros conchavos de gabinete. Mais grave ainda, os verdadeiros detentores do poder partidário, seus filiados, são até ameaçados pelas antiéticas comissões de ética, que passam a considerar política como profissão e não mais como uma vocação a serviço da comunidade. Um grande retrocesso político, democrático e ético e, como resultado, os homens de bem começam a se afastar da política e, os poucos que restam, vão sendo lentamente arrastados pela má política, pela inconseqüência dos políticos profissionais e pela lentidão com que o povo vai descobrindo estas artimanhas que afastam os políticos vocacionados das contendas eleitorais.
Talvez o Rubem Alves tenha mesmo razão quando inicia o seu livro ‘Conversando sobre Política’ com a seguinte frase: “A política, dentre todas as vocações, é a mais nobre. A política, dentre todas as profissões, é a mais vil.”
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
DESMORONA O PDT PELOTENSE!
CARTA DO ANTÔNIO PINTO AO PRESIDENTE MUNICIPAL DO PDT/PELOTAS
CONTEXTUALIZAÇÃO:
ESTA CARTA FOI ENVIADA QUANDO, EM 2008, O PDT APOIOU A CANDIDATURA DE FERNANDO MARRONE NO SEGUNDO TURNO. JÁ NAQUELA OPORTUNIDADE HAVIA UMA TENDÊNCIA CONTRA A COLIGAÇÃO COM O PT. ESTE FATO RESULTOU NA SAÍDA DE DIVERSOS FILIADOS, ENTRE ELES O ANTÔNIO PINTO, QUE ENVIOU ESTA CARTA.
FELIZMENTE EM 2012 O PDT NÃO COMETEU O MESMO ERRO, EMBORA ALGUNS FILIADOS TIVESSEM ESTA INTENÇÃO, MAS, DEMOCRATICAMENTE, DIFERENTE DO QUE OCORREU EM 2008, OPTOU-SE POR COLIGAR COM O PTB, PSDB, PP, PPS,PR,PRB,PSD E APOIAR A CANDIDATURA DE EDUARDO LEITE E PAULA MASCARENHAS.
Pelotas,21 de outubro de 2008
Ao Partido Democrático Trabalhista
Ainda sangra meu peito. Que noites mal dormidas ou nem isso. Que vergonha. Vergonha dos outros: da família, dos familiares, dos amigos, dos companheiros, enfim,... Mas, a dor doída, a dor fininha no peito, a dor na alma é a dor advinda da minha própria cobrança. Não há morfina alguma que a possa acalmar.
Sempre me posicionei, de peito aberto, na linha de frente, em defesa do Meu PDT e do meu Líder. Sempre fui um guardião dos princípios do Partido. Nunca agi com subterfúgios. Como diz S. Paulo : Combati um bom combate. Minhas atitudes sempre foram retilíneas ,transparentes, altivas. Jamais me arrependo. Tenho a consciência tranqüila. Exerci cargos diretivos, e tão somente, quando o Partido foi governo do Estado. Entendo que me saí bem visto as várias referências oficias que recebi e muito me alegra. Nunca atuei nas administrações do Partido na minha Pelotas, mas o ajudei a vencer. Empreguei tudo de mim nesta luta, em conhecimento, material, financeiro,... Lutei sempre.
Sofri com os ataques violentos, raivosos, sectários que partiam de alguns partidos ditos de esquerda, mas que hoje, nem tanto. Não atuavam na Câmara de Vereadores como adversários, mas, sim, com ações peçonhentas. Sempre queriam destruí-lo , acho que , agora,conseguiram. Por várias décadas , sem cessar, as baterias antiaérea da maledicência atuavam.
Determinada vez , em época eleitoral como a que estamos vivendo hoje, endemoninhados, possuídos, agrediram, covardemente, a esposa do nosso Líder em frente a sua residência. Tantas foram as calúnias que acabaram por colocarem o nosso Prefeito, alvo maior, no fundo de uma cela, no Quartel da Brigada Militar. Não desestruturaram o Governo destruíram-no. Assumiram o governo seguinte. Na posse , enfurecidos, gritavam palavras de ordem num “corredor polonês”. Sempre são os arautos da verdade : Mas que verdade?! . Fizeram uma devassa na Prefeitura e nada encontraram. Gostaria de comparar as administrações.
Bravata! Bem , bravata quem entende é o Presidente Lula, dito por ele mesmo e seu partido.
Quem apanha não esquece. Eu não me esqueci. Por princípios Cristãos perdôo-os.
Não conheço e nem quero conhecer subterfúgios da política.
Lutei até onde pude para manter o partido vivo, com dignidade.
Neste fatídico dia dezesseis de outubro, com surpresa, fui chamado a uma reunião para decidir o que já estava decidido. Opus-me com todas as forças de meus argumentos. Defendi como nunca a dignidade do Partido e do Líder. Expus e me expus. Perdi. Perdi justamente para quem eu estava a proteger. Decepcionei-me. Vivo os dias presente a lamber as minhas feridas, que ainda sangram. Recolho-me ao seio de minha família. Vou zerar tudo. O tempo alivia a dor e sara as feridas. Vou respirar fundo. E, livre, tranquilamente, escolherei um rumo a tomar.
Saudações Trabalhistas.
Antônio P.V.Pinto
P.S.: Documentos para desfiliação:
Antônio P.V.Pinto
C.I.: 2004106981 T.Eleitor:030550050400 Z.:34ª Seção: 10ª
CONTEXTUALIZAÇÃO:
ESTA CARTA FOI ENVIADA QUANDO, EM 2008, O PDT APOIOU A CANDIDATURA DE FERNANDO MARRONE NO SEGUNDO TURNO. JÁ NAQUELA OPORTUNIDADE HAVIA UMA TENDÊNCIA CONTRA A COLIGAÇÃO COM O PT. ESTE FATO RESULTOU NA SAÍDA DE DIVERSOS FILIADOS, ENTRE ELES O ANTÔNIO PINTO, QUE ENVIOU ESTA CARTA.
FELIZMENTE EM 2012 O PDT NÃO COMETEU O MESMO ERRO, EMBORA ALGUNS FILIADOS TIVESSEM ESTA INTENÇÃO, MAS, DEMOCRATICAMENTE, DIFERENTE DO QUE OCORREU EM 2008, OPTOU-SE POR COLIGAR COM O PTB, PSDB, PP, PPS,PR,PRB,PSD E APOIAR A CANDIDATURA DE EDUARDO LEITE E PAULA MASCARENHAS.
Pelotas,21 de outubro de 2008
Ao Partido Democrático Trabalhista
Ainda sangra meu peito. Que noites mal dormidas ou nem isso. Que vergonha. Vergonha dos outros: da família, dos familiares, dos amigos, dos companheiros, enfim,... Mas, a dor doída, a dor fininha no peito, a dor na alma é a dor advinda da minha própria cobrança. Não há morfina alguma que a possa acalmar.
Sempre me posicionei, de peito aberto, na linha de frente, em defesa do Meu PDT e do meu Líder. Sempre fui um guardião dos princípios do Partido. Nunca agi com subterfúgios. Como diz S. Paulo : Combati um bom combate. Minhas atitudes sempre foram retilíneas ,transparentes, altivas. Jamais me arrependo. Tenho a consciência tranqüila. Exerci cargos diretivos, e tão somente, quando o Partido foi governo do Estado. Entendo que me saí bem visto as várias referências oficias que recebi e muito me alegra. Nunca atuei nas administrações do Partido na minha Pelotas, mas o ajudei a vencer. Empreguei tudo de mim nesta luta, em conhecimento, material, financeiro,... Lutei sempre.
Sofri com os ataques violentos, raivosos, sectários que partiam de alguns partidos ditos de esquerda, mas que hoje, nem tanto. Não atuavam na Câmara de Vereadores como adversários, mas, sim, com ações peçonhentas. Sempre queriam destruí-lo , acho que , agora,conseguiram. Por várias décadas , sem cessar, as baterias antiaérea da maledicência atuavam.
Determinada vez , em época eleitoral como a que estamos vivendo hoje, endemoninhados, possuídos, agrediram, covardemente, a esposa do nosso Líder em frente a sua residência. Tantas foram as calúnias que acabaram por colocarem o nosso Prefeito, alvo maior, no fundo de uma cela, no Quartel da Brigada Militar. Não desestruturaram o Governo destruíram-no. Assumiram o governo seguinte. Na posse , enfurecidos, gritavam palavras de ordem num “corredor polonês”. Sempre são os arautos da verdade : Mas que verdade?! . Fizeram uma devassa na Prefeitura e nada encontraram. Gostaria de comparar as administrações.
Bravata! Bem , bravata quem entende é o Presidente Lula, dito por ele mesmo e seu partido.
Quem apanha não esquece. Eu não me esqueci. Por princípios Cristãos perdôo-os.
Não conheço e nem quero conhecer subterfúgios da política.
Lutei até onde pude para manter o partido vivo, com dignidade.
Neste fatídico dia dezesseis de outubro, com surpresa, fui chamado a uma reunião para decidir o que já estava decidido. Opus-me com todas as forças de meus argumentos. Defendi como nunca a dignidade do Partido e do Líder. Expus e me expus. Perdi. Perdi justamente para quem eu estava a proteger. Decepcionei-me. Vivo os dias presente a lamber as minhas feridas, que ainda sangram. Recolho-me ao seio de minha família. Vou zerar tudo. O tempo alivia a dor e sara as feridas. Vou respirar fundo. E, livre, tranquilamente, escolherei um rumo a tomar.
Saudações Trabalhistas.
Antônio P.V.Pinto
P.S.: Documentos para desfiliação:
Antônio P.V.Pinto
C.I.: 2004106981 T.Eleitor:030550050400 Z.:34ª Seção: 10ª
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